Um total de 363.039 cirurgias de catarata realizadas em 12 países europeus em 2024, um dos quais Portugal, foram contabilizadas pelo Registo Europeu de Resultados de Qualidade para Cirurgia de Catarata e Refrativa (EUREQUO), de acordo com os dados mais recentes apresentados no 44º Congresso da Sociedade Europeia de Cirurgiões de Catarata e Refrativa (ESCRS).
Desde 2007, quando o EUREQUO foi criado, o registo contabilizou quase cinco milhões de cirurgias às cataratas, demonstrando que a segurança e a eficácia continuam a melhorar. No entanto, o custo de alguns dos tipos de lentes mais recentes significa que nem todos os pacientes terão acesso à tecnologia mais moderna.
Carlo Bellucci, investigador da Universidade de Parma, Itália, refere que, “de um modo geral, os resultados são excelentes em toda a Europa. No entanto, como um número tão grande de procedimentos é realizado anualmente, mesmo pequenas melhorias podem fazer uma diferença significativa para milhares de doentes”.
Os dados incluem informações demográficas dos pacientes, sobre a qualidade da visão antes da cirurgia de catarata, outros problemas oculares, o tipo de cirurgia e o tipo de lente intraocular utilizada, quaisquer complicações encontradas durante ou após a cirurgia, e as medidas das características dos olhos (biometria), essenciais para o cálculo preciso do poder da lente de substituição e dos resultados refrativos após a cirurgia, ou seja, se os pacientes têm visão perfeita, se ainda apresentam miopia ou hipermetropia, ou se têm astigmatismo ou presbiopia (quando adultos mais velhos têm dificuldade em focar objetos próximos ou textos).
A rotura da cápsula posterior, na qual se rompe a fina membrana que envolve o cristalino, foi a complicação mais comum durante a cirurgia, ocorrendo em 0,39% dos procedimentos. Caso ocorra, pode levar a outras complicações, como a entrada de gel vítreo na câmara anterior entre a íris e a superfície mais interna da córnea, e dificuldades na colocação da lente.
Após a cirurgia de catarata, o registo constatou que a Acuidade Visual Melhor Corrigida, uma medida da capacidade de visão do paciente, melhorou de uma média de 0,448 no pré-operatório para 0,939 no pós-operatório, que foi atingida uma acuidade de 0,5 ou mais em 92,6% dos olhos e de 1,0 ou mais em 68,6%.
“Nos próximos anos, espero que assistamos a uma evolução na tecnologia das lentes intraoculares com o desenvolvimento de lentes de visão simultânea, que têm como objetivo restaurar a visão a todas as distâncias, minimizando ou eliminando a necessidade de óculos. Atualmente, a sua adoção ainda é limitada pelo custo, e a investigação técnica está em curso”, refere o especialista.
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