Scroll Top

A diabetes está associada à perda de dentes e implantes

diabetes e saúde oral

As pessoas com diabetes apresentam um risco aumentado de periodontite (doença das gengivas) e perda dentária, assim como de inflamação e perda óssea nos implantes dentários, revela uma tese da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.


A doença está associada a complicações em múltiplos órgãos, incluindo a cavidade oral e, enquanto grupo, as pessoas com diabetes do tipo 1 ou tipo 2 apresentam um maior risco de doenças orais.

Neste trabalho, da autoria da médica dentista Anna Trullenque Eriksson, especialista em periodontologia, aborda-se a relação entre a diabetes e a periodontite, perda dentária e peri-implantite (doença inflamatória nos tecidos à volta dos implantes dentários).

O controlo glicémico é importante

As pessoas com diabetes tipo 1 e um controlo inadequado dos níveis de açúcar no sangue apresentaram um risco aumentado de periodontite e perda dentária. No caso da tipo 2, o risco de periodontite e perda dentária foi elevado, independentemente do controlo da glicemia. A correlação foi mais forte quando o controlo glicémico era inadequado. Por sua vez, a periodontite foi associada a um risco aumentado de complicações oculares e renais relacionadas com a diabetes em ambos os tipos da doença.

Entre os indivíduos com implantes dentários, aqueles com diabetes tipo 1 ou tipo 2 apresentaram maior risco de peri-implantite e perda do implante, tendo o controlo inadequado da glicemia sido um fator-chave para resultados insatisfatórios dos implantes.

O risco de perda total dos dentes foi particularmente elevado entre as pessoas com diabetes que eram também socioeconomicamente desfavorecidas (rendimento mais baixo, menor escolaridade), realçando a importância dos fatores socioeconómicos.

A importância de conhecer os riscos

A tese reforça as evidências anteriores sobre a associação entre a diabetes e as doenças orais e destaca a importância da estreita colaboração entre os profissionais de saúde e de medicina dentária. As descobertas sobre os implantes dentários são inéditas, sugerindo que pode afetar os resultados a longo prazo da terapia com implantes.

“Na comunidade dentária, a maioria está ciente da ligação entre a diabetes e a saúde oral comprometida. Os nossos dados corroboram a ideia de que os cuidados dentários devem fazer parte das estratégias de prevenção da doença”, afirma Anna Trullenque Eriksson.

Diabetes tipo 1 (análises baseadas em 86.273 indivíduos; idade média de 43 anos):

  • 33,9% perderam um ou mais dentes num período de 10 anos (25,3% entre aqueles com bom controlo glicémico; 43,5% entre aqueles com mau controlo). Entre os controlos sem a doença, 29,0% apresentaram perda dentária.
  • 3,1% perderam cinco ou mais dentes em dez anos (bom controlo: 1,0%; mau controlo: 5,6%). O valor correspondente para o grupo controlo foi de 1,9%.

Diabetes tipo 2 (análises baseadas em 786.305 indivíduos; idade média de 60 anos):

  • 46,1% perderam um ou mais dentes num período de 10 anos (44,0% entre aqueles com bom controlo glicémico; 54,9% entre aqueles com mau controlo). Entre os controlos emparelhados sem a doença, 37,8% apresentaram perda dentária.
  • 7,0% perderam cinco ou mais dentes em dez anos (bom controlo: 5,7%; mau controlo: 12,6%). O valor correspondente para o grupo controlo foi de 3,7%.
Crédito imagem: Unsplash

Posts relacionados