Falar sobre hemorroidas continua a ser, para muitos, um assunto quase impronunciável, mesmo quando os sintomas condicionam o dia a dia e impactam a qualidade de vida. Ezequiel Silva, Cirurgião Colorretal e Proctologista, conhece bem esta realidade e não tem dúvidas sobre a causa: “acima de tudo, é a vergonha de falar sobre o tema. Tudo o que seja relacionado com a doença hemorroidária faz ainda com que as pessoas se retraiam bastante”.
O padrão repete-se na consulta: a tendência, perante qualquer sintoma, é aguardar resolução espontânea.” Mesmo quando surge alguma queixa ou algo fora do normal, a tendência é muitas vezes esperar que passe antes sequer de partilhar a preocupação com alguém próximo, como o marido, a esposa ou um amigo. Para muitos, o primeiro impulso acaba sempre por ser o silêncio.”
Um silêncio que não é exclusivo de uma geração. “É algo transversal a grande parte da população. Mesmo pessoas mais jovens que apresentam sinais ou sintomas de doença hemorroidária procuram informação por conta própria, sem falar com alguém, e acabam por experimentar algumas mezinhas para ver se passa”.
O problema é que o adiamento tem consequências reais. Como explica o médico, ” Situações que poderiam ser tratadas de forma simples acabam por se prolongar durante meses”, o que se traduz num “sofrimento desnecessário, com grande impacto na qualidade de vida”. Sintomas e sinais de doença hemorroidária como comichão, sangramento, dor, prolapso ou o desconforto constante de quem passa horas sentado vão-se acumulando, condicionando a realização de atividades diárias como a prática de desporto, o repouso, convívios sociais e até a vida profissional.
Mesmo quando o doente já deu o passo de marcar consulta, a inibição não desaparece de imediato. “Muitas vezes, a pessoa já está ali, já deu o primeiro passo, mas mesmo quando está na consulta comigo, que sou especialista nesta área, tem alguma inibição em começar a descrever o que sente.” Ezequiel Silva defende, por isso, que cabe também aos profissionais de saúde criar condições para que este tabu se quebre. “Faz parte da nossa função como profissionais de saúde tentar normalizar, criar um ambiente mais confortável, simplificar e não contribuir ainda mais para esta ansiedade do doente.”
A par da vergonha, há outro obstáculo que adia muitas decisões: o medo do tratamento. As histórias de cirurgias dolorosas, contadas por parte de familiares ou amigos, instalam um receio que hoje, em muitos casos, já não tem razão de ser. “É preciso desconstruir estas duas dimensões: o estigma associado a falar sobre o tema e o medo de procurar tratamento”, que o especialista considera uma prioridade.
É nesse sentido que vai participar como orador, a convite da Servier, no SelfCare Market & Summit, no dia 14 de março de 2026, pelas 15h00, na Cordoaria Nacional, em Lisboa, onde irá falar de ‘Hemorroidas sem Tabus’, uma oportunidade para colocar às claras, e sem constrangimentos, tudo o que muita gente quer saber sobre o tema. “Acima de tudo, vamos tentar desconstruir esta inibição sistémica, promovendo uma maior naturalidade e tranquilidade ao falar sobre estes temas, sem medo”. Junte-se a nós e venha assistir a esta talk.
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