
O cardiologista Carlos Cotrim dá a sua opinião sobre a ecocardiografia de esforço na criança, um exame que considera que deve ser cada vez mais usado.

O Hospital da Cruz Vermelha desenvolveu, nos últimos quatro anos, no seu Laboratório de Ecocardiografia, uma atividade crescente na área da ecocardiografia de sobrecarga com particular relevo para a ecocardiografia de esforço em tapete rolante.
A utilização de ecocardiografia de sobrecarga no adulto é atualmente recomendada como exame de primeira linha no estudo do doente cardíaco pela Sociedade Europeia de Cardiologia.
O uso da ecocardiografia de esforço na criança está menos disseminado e não faz ainda parte do algoritmo diagnóstico da avaliação da criança com sintomas de dor torácica ou lipotimias relacionadas com o esforço e de causa potencialmente cardíaca.
No entanto, a nossa experiência demonstra que, nos últimos anos, a ecocardiografia de esforço deverá, no futuro, passar a ser um exame de primeira linha neste contexto clínico. Esta tese será desenvolvida e apresentada na primeira reunião do Heart Center, que se irá realizar no dia 30 de março.
Em algumas destas situações clínicas, os achados observados no ecocardiograma em repouso não traduzem a resposta que ocorre no coração, em resposta ao esforço que é o causador dos sintomas.
Salientamos de entre as múltiplas aplicações(1) o seu uso na deteção de gradientes intraventriculares durante o esforço associados ou não a SAM da válvula mitral, como causa de sintomas relacionados com o esforço.