Foram sete anos de trabalho, a monitorizar o uso de drogas ilícitas em 37 países, um dos quais Portugal, através de amostras de águas residuais. Um estudo que mostra que o consumo de cocaína disparou na Europa em 2017 e que as cidades portuguesas estão entre as que apresentam menores taxas de consumo de droga.

Num artigo divulgado na revista científica Addiction, investigadores de 41 instituições internacionais divulgaram as suas descobertas, na sequência da análise de amostras de esgoto de 60 milhões de pessoas, feita entre 2011 e 2017, o maior estudo baseado em águas residuais realizado em todo o mundo.

Foi mapeado o uso global de quatro drogas ilícitas – anfetaminas, metanfetaminas, ecstasy e cocaína -, sendo os três primeiros anos do trabalho realizados em cidades europeias, às quais se juntaram, a partir de 2014, cidades da Austrália, Nova Zelândia, Colômbia, Martinica, Canadá, EUA, Coreia do Sul e Israel.

Consumo de droga na Europa

Os resultados mostraram uma tendência preocupante do uso de drogas em todo o mundo e revelam que, entre 2011 e 2017, os níveis de cocaína foram mais altos em Londres, Bristol, Amesterdão e Zurique.

Genebra e St. Gallen, na Suíça, e Antuérpia, na Bélgica, apresentaram níveis entre 600-900 mg por 1.000 pessoas, por dia. No geral, o uso de cocaína aumentou quase 13% em cinco anos.

A quantidade de anfetaminas foi mais alta na Bélgica, Holanda e nos países do norte da Europa, incluindo cidades suecas e Reiquiavique, na Islândia.

Já no que diz respeito às metanfetaminas, o consumo na América do Norte revelou-se enorme, excedendo os níveis da Europa Oriental, que na época já eram considerados altos, com níveis médios superiores a 150 mg/1.000 pessoas por dia.

A Holanda registou as maiores taxas de ecstasy nos sete anos de estudo, embora tenham também sido relatadas subidas no consumo de droga em cidades como Helsínquia, Oslo, Amesterdão, Bruxelas e Barcelona.

Já as cidades de países como Grécia, Portugal, Finlândia, Polónia e Suécia apresentaram as menores taxas de uso de drogas.

Os números americanos e australianos

Fora da Europa, Medellin (Colômbia), Adelaide (Austrália) e a cidade norte-americana de Seattle registaram níveis relativamente elevados de consumo de droga, embora os números de Medellin sejam devidos sobretudo à cocaína, enquanto Adelaide e Seattle apresentam níveis muito altos de metanfetaminas.