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Medições de pressão arterial em casa podem prevenir ataques cardíacos

medir a pressão arterial em casa

Um importante estudo demonstrou que permitir aos doentes medir e registar os valores da sua pressão arterial em casa está associado a uma redução do risco de doenças cardiovasculares, como o ataque cardíaco e o acidente vascular cerebral.

Os doentes que conseguiram monitorizar a sua própria pressão arterial, com os dados partilhados diretamente com os médicos, apresentaram um risco significativamente menor de hospitalização e morte do que aqueles que receberam os cuidados padrão.

A utilização do chamado sistema de telemonitorização digital – que também envia lembretes quando é altura de fazer a medição – pode ajudar a melhorar a saúde dos doentes, salvar vidas e aliviar a pressão sobre o sistema de saúde pública, dizem os especialistas.

Monitorização regular

A hipertensão arterial é um grande problema de saúde global, causando cerca de 7,5 milhões de mortes por ano. As mudanças no estilo de vida e os medicamentos para baixar a pressão arterial podem ajudar a controlar a doença. A hipertensão raramente causa sintomas, pelo que os doentes necessitam de monitorização a longo prazo.

Estudos anteriores constataram que a telemonitorização leva a um melhor controlo da pressão arterial, mas as evidências sobre o impacto a longo prazo, incluindo desfechos graves como o AVC e a insuficiência cardíaca, são limitadas.

Cientistas da Universidade de Edimburgo e da Universidade Edinburgh Napier, no Reino Unido, estudaram quase 450.000 doentes com hipertensão na Escócia entre 2019 e 2022. Destes, 9.500 utilizaram um serviço de telemonitorização, enquanto os restantes receberam os cuidados padrão e foram acompanhados pelos seus médicos de família.

Melhor saúde

Os participantes do serviço de telemonitorização apresentaram uma redução da pressão arterial nos primeiros três meses, que se manteve ao longo de um ano. Também experimentaram uma redução significativa de eventos cardiovasculares, hospitalizações e óbitos, em comparação com os doentes que receberam os cuidados padrão.

A equipa de investigação alerta que, embora a análise tenha tido em conta as diferenças entre os utilizadores de telemonitorização e o grupo em geral, que os poderiam colocar em menor risco de eventos cardiovasculares – como a idade mais jovem, a necessidade de menos medicamentos para a pressão arterial e o nível socioeconómico mais baixo –, podem ter existido diferenças não contabilizadas que influenciaram os resultados.

São necessárias mais pesquisas para investigar o impacto de fatores de risco adicionais e para explorar se seria benéfico alargar a telemonitorização a um grupo demográfico mais vasto e a um grupo de pessoas com hipertensão de maior risco, sugerem os autores.

“Este estudo fornece a evidência mais robusta até à data de que a telemonitorização não só reduz a pressão arterial, mas também os AVC e os ataques cardíacos. É importante permitirmos que as pessoas das regiões socioeconomicamente mais desfavorecidas do país, que são as que correm maior risco destas condições, beneficiem desta ferramenta”, refere Brian McKinstry, professor do Instituto Usher, da Universidade de Edimburgo.

“O AVC, o ataque cardíaco e a insuficiência cardíaca são as principais causas de morte e incapacidade, e qualquer medida que reduza o risco é válida. A telemonitorização da pressão arterial faz isso, ajudando as pessoas a melhorar o controlo da pressão arterial, além de ser fácil e prática de utilizar”, acrescenta Janet Hanley, professora associada do Centro de Investigação em Saúde Cardiovascular da Universidade Edinburgh Napier

Crédito imagem: Unsplash

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