
Pode parecer mentira, sobretudo para aqueles pais incapazes de pregar olho, mas as crianças não nascem com mau dormir. Os problemas de sono nas crianças são um hábito que adquirem e que os pais muitas vezes reforçam sem saber, alertam pediatras da Universidade de Yale, que esclarecem quais os principais erros cometidos na hora de dormir dos mais pequenos.
A tarefa de mudar hábitos pode não ser fácil, mas é possível, sobretudo quando se trata de crianças em idade pré-escolar e a frequentar o ensino básico, confirma Lynelle Schneeberg, psicóloga na Yale Medicine e autora de livros sobre o tema.
“É um desafio ajudar as crianças a aprender a adormecer de forma independente, porque elas podem conversar e andar, o que significa que podem pedir aos pais que voltem para o quarto por muitas razões criativas ou sair dos seus quartos”, refere a especialista.
“Felizmente, os seus cérebros são adaptáveis e podem aprender novas formas de adormecer que não envolvam os pais.”
Soluções para resolver os problemas do sono das crianças
É preciso, para poder dar resposta às solicitações noturnas dos mais pequenos, que os pais as compreendam, diz Craig Canapari, especialista em sono pediátrico da Yale Medicine.
E é preciso também que evitem cair em hábitos poucos saudáveis. A palavra-chave aqui é mesmo “rotina”, já que as regras e expectativas claras ajudam a reduzir a ansiedade.
Mas antes de fazer mudanças, é preciso perceber o que é que está a funcionar menos bem.
Erro #1: Ficar ou dormir no quarto do filho

“Dorme comigo”, “Fica aqui comigo”, “Não me deixes sozinho”, são pedidos que os pais bem conhecem e que se manifestam com mais intensidade na hora de dormir. E que são difíceis de resistir, sobretudo nos momentos de maior cansaço, aqueles em que, à beira do desespero, os pais já fazem tudo só para ver as crianças a descansar.
A melhor forma é mesmo ensinar os mais pequenos a acalmarem-se sozinhas e a adormecerem de forma independente, aconselham os especialistas.
Uma solução pode ser colocar, ao lado da cama das crianças, um cesto com atividades calmas e silenciosas que podem fazer sozinhos, beneficiando o sono das crianças. Podem incluir-se livros com gravuras, bonecos de peluche, papel e lápis de cera, assim como uma lanterna, para que não precisem de acender uma luz mais forte.
A ideia é que tenham objetos divertidos, mas não muito estimulantes, com que possam brincar na cama até que tenham sono suficiente para adormecer.
Erro #2: Falta de limites

As crianças são especialistas a inventar desculpas para saltar da cama. Ou é porque têm sede, ou porque têm calor, ou porque sentem comichão.
Aqui, o melhor mesmo é estabelecer os limites e recompensar quando ficam a dormir. Por exemplo, oferecer-lhes um ‘passe’ para sair da cama, mas apenas um, o que permite que saiam do quarto e façam um pedido. Mas se não usarem o ‘passe’, recebem uma pequena recompensa na manhã seguinte.
Erro #3: Um quarto mal preparado

Bons quartos são aqueles silenciosos, escuros e ‘desligados’, ou seja, sem dispositivos eletrónicos.
E há detalhes que devem ser sempre os mesmos: “A luz do corredor está acesa quando o seu filho vai dormir? Nesse caso, também deve estar no meio da noite”, refere Schneeberg..
A solução é sempre manter o ambiente e os principais detalhes do quarto das crianças consistentes na hora de dormir.
Quanto aos dispositivos eletrónicos, o conselho é o mesmo de sempre: manter as crianças afastadas de televisões, computadores, jogos de vídeo e smartphones 30 a 60 minutos antes de dormir, sendo que nenhum destes dispositivos deve ser permitido nos seus quartos enquanto dormem. O sono das crianças agradece.
Erro #4: Falta de rotina no sono das crianças

Preparar uma criança para a cama nem sempre é fácil. Há que escovar os dentes, vestir o pijama, ouvir uma história… A isto junta-se a resistência e os pedidos para ficar a pé.
O que tem, muitas vezes, a ver com falta de consistência. Para mudar, basta criar rotinas claras e consistentes, o que significa que a hora de dormir é sempre a mesma, antecedida de de uma sequência previsível de eventos.
É fácil? Por certo não e, como na maioria dos desafios dos pais, a situação geralmente piora antes de melhorar.
Vão haver birras, choros e dramas? Claro, mas os resultados costumam compensar.