identificar a dor

Estudo apela a reforço e mudança no ensino da dor aos futuros médicos

Por Investigação & Inovação

A dor é considerada o 5.º sinal vital, mas nem assim muitos dos futuros médicos lhe dão a atenção devida. É o que prova um estudo, publicado na Acta Médica Portuguesa, que confirma a necessidade de mudanças nos currículos, “para que os futuros médicos desenvolvam competências e combatam o sofrimento ‘evitável’ dos seus doentes”.

O objetivo do trabalho era conhecer a opinião dos estudantes finalistas de Medicina e dos internos do ano comum sobre o ensino da dor crónica nas oito escolas médicas portuguesas. Para isso, recolheram-se inquéritos feitos a 251 alunos, 142 dos quais finalistas e 109 internos.

E foi a avaliação dos mesmos que permitiu verificar que embora a maioria considere a dor como o 5.º sinal vital, quase uma em cinco pessoas pensam que esta só deve ser avaliada se o doente se queixar.

Para a maioria dos inquiridos, a falta de avaliação da dor nas consultas ou internamentos resultava da ausência de queixas, com mais de um terço a indicar como motivo “a falta de conhecimento médico”.

O estudo conclui que “o ensino da dor crónica é disperso, pouco estruturado e opcional. Para 98,4% da amostra é relevante haver mais educação sobre a dor crónica”, que deverá ocorrer no 5.º ano do curso médico, com mais de 15 horas, sendo ainda “aconselhados estágios em consultas de dor crónica”.

Destaca a necessidade, por parte das escolas de medicina, de fornecerem mais educação sobre a dor crónica no currículo de graduação e um maior investimento nesta área, capaz de criar o “conhecimento indispensável para uma realidade transformadora. A visão dos futuros médicos vai, por isso, mudar; eles vão sentir-se empoderados e irão contribuir para combater o sofrimento evitável dos seus doentes”.

E apesar do tamanho e da qualidade da amostra deste trabalho não permitir uma generalização dos resultados, é um indicador importante do estado da atenção dada à dor pelos profissionais de saúde.

conhecimento sobre suporte básico de vida

Conhecimento sobre suporte básico de vida deixa a desejar entre os portugueses

Por País

É uma manobra fundamental nas situações em que existe uma paragem cardíaca, com grande impacto no futuro de quem dela sofre. Mas saberão os portugueses quais os fundamentos para o suporte básico de vida? Esta é a pergunta a que um novo estudo quis dar resposta.

Publicado na Acta Médica Portuguesa, o trabalho procura também avaliar a associação ao treino/educação prévia e a autoperceção do conhecimento sobre este tema, assim como a opinião sobre as necessidades de treino quando em causa está o suporte básico de vida.

Manobras que são tanto mais importantes se tivermos em conta que uma das principais causas de morte na Europa é a paragem cardíaca súbita, que afeta 55 a 113 pessoas por cada 100 mil habitantes, isto todos os anos.

Falta evidente de conhecimento

De acordo com o European Resuscitation Council, a reanimação cardiopulmonar feita por não profissionais aumenta duas a quatro vezes a taxa de sobrevivência, reforçando, por isso, a importância do suporte básico de vida.

Socorrendo-se de uma amostra de 655 pessoas, os participantes foram convidados a responder a um questionário com 21 questões, que permitem concluir que há uma falta de treino e conhecimento na população em geral sobre o suporte básico de vida.

No geral, a maioria dos entrevistados demonstrou uma evidente falta de conhecimento, com apenas uma pequena percentagem (15,3%) a conseguir mais do que 70% no que diz respeito ao conhecimento global.

Mais da metade dos participantes (55,4%) sabe posicionar as mãos para fazer as compressões torácicas, mas apenas 20,9% conhecem a frequência e 13,4% a profundidade correta.

Para as questões técnicas, um número relevante de participantes (variando de 15% a quase 50%, dependendo da questão) escolheu o “não sabe”.

Os participantes reconhecem que o seu conhecimento em suporte básico de vida é residual ou baixo e estão motivados a participar em cursos de treino e/ou revalidação.

Resultados que levam os especialistas envolvidos no trabalho a considerarem ser necessário reforçar o treino prático e regular de suporte básico de vida, idealmente no local de trabalho e no início da vida.