adolescentes com dor de cabeça

Três quartos dos adolescentes nacionais sofrem com dor de cabeça

Por Saúde Infantil

Os pais conhecem-na bem, ou não fosse esta uma queixa frequente entre os mais pequenos. Por vezes apenas uma desculpa, em muitas outras a dor de cabeça é mais do que isso, mas pouco se sabe sobre quantos afeta ou quais as implicações destas queixas. Questões a que um grupo de especialistas nacionais procurou dar resposta, através de um estudo que concluiu que quase três quartos dos adolescentes sofrem com este problema, que até os impede de ir às aulas.

O trabalho, realizado por investigadores do Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, analisou a prevalência da dor de cabeça, ao longo de três meses, entre um grupo de adolescentes de um município urbano.

Para isso, recolheram mais de 2.000 inquéritos, uma avaliação que revela que, ao todo, mais de 6% sofrem de dores de cabeça recorrentes, com 14 ou mais episódios nos três meses anteriores à avaliação. E quase metade (2,8%) com intensidade severa.

Raparigas sofrem mais do que os rapazes

Publicado na Acta Pediátrica Portuguesa, o estudo contabiliza uma prevalência de dor de cabeça de 74,5%, mais elevada entre as adolescentes do sexo feminino (84,6%) do que do masculino (63,9%).

De todos os estudantes avaliados, 24,8% deram conta de pelo menos um episódio de dor de cabeça nos três meses anteriores, com 49,7% a assinalarem cefaleias recorrentes, definidas como mais do que um episódio em igual período, uma vez mais com maior prevalência junto das raparigas (60,8%) do que dos rapazes (38,2%).

Dados que, apesar de referentes a jovens que frequentam entre o 7º e o 9º ano de escolaridade numa zona urbana do País, os especialistas acreditam serem extensíveis ao resto da adolescência nacional.

21% com faltas às aulas

No que diz respeito ao absentismo escolar, traduzido pelas faltas às aulas na sequência das dores de cabeça, o estudo revela que é elevado: 21% dos jovens confirmaram ausências num ou mais dias. Do total, 6,3% faltaram à escola mais do que um dia e 1,1% mais de cinco.

“A elevada taxa de absentismo escolar que advém desta condição é um indicador da alta carga socioeconómica associada à dor de cabeça.”

“A escassez de estudos que caracterizem esta patologia na população pediátrica portuguesa é evidente, e a aplicação de esforços preventivos, tanto diagnósticos como terapêuticos, é essencial para mitigar o impacto da dor de cabeça no quotidiano dos adolescentes portugueses”, lê-se no estudo.

Tosse nas crianças é mal compreendida e mal tratada, revela estudo nacional

Por Saúde Infantil

Tosse nas crianças

Quem tem filhos conhece-a bem. Por vezes sozinha; outras vezes acompanhada de outros sintomas, a tosse nas crianças é, confirmam os especialistas, “um dos sintomas mais comuns em idade pediátrica”. No entanto, revela um estudo nacional, é ainda mal compreendida pelos pais. E mal tratada.

Publicado na Acta Pediátrica Portuguesa, o estudo ‘Tosse: Uma Preocupação? Perspetiva dos Pais’ confirma que “o recurso a fármacos é frequente, apesar da sua eficácia e segurança não estarem comprovadas”.  

Realizado com base num inquérito que decorreu entre fevereiro e abril de 2016 junto de mais de duas centenas de cuidadores de crianças admitidas na urgência pediátrica de um hospital de nível II, a maioria pais (94%) do sexo feminino (82%), com idade média de 37 anos, foi possível perceber que é generalizada a ideia de que a tosse nas crianças é um mecanismo de defesa.

Ao todo, 63% dos pais pensam desta forma, embora tenham admitido ficar muito preocupados quando o seu filho tossiu (56%).

Para lidar com a situação, mais de metade dos cuidadores (56%) confirmou ter dado um medicamento para a tosse aos seus filhos no último Inverno, uma decisão que, em 62% dos casos, tinha como base a prescrição feita por um médico. O uso de fármacos foi maior, no entanto, junto dos pais com menor grau de instrução.

É preciso mais informação e mais formação sobre a tosse nas crianças

Quanto aos resultados, a maioria dos pais considerou a medicação eficaz (72%) e apenas um terço dos que responderam ao inquérito a viram como potencialmente perigosa.

Para os especialistas, estes resultados permitem concluir “que a tosse é um sintoma ainda mal compreendido pelos pais, levando a uma utilização frequente de fármacos”.

Mas há mais. Os autores do trabalho consideram ter-se verificado igualmente “uma elevada prescrição médica”, destacando “a importância da formação dos profissionais de saúde e dos pais para uma melhor abordagem da tosse na criança”.