idas à farmácia ajudam idosos com insuficiência cardíaca

Até 50% dos idosos com insuficiência cardíaca não aderem à medicação

Por Investigação & Inovação

Entre 30 e 50% dos idosos com insuficiência cardíaca na Europa não aderem à medicação. As idas semanais à farmácia aumentam a probabilidade de tomarem os seus comprimidos e serem mais ativos na vida diária, revelam os resultados de um estudo recente.

Apresentado no Heart Failure 2019, um congresso científico Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), o estudo PHARM-CHF confirma que “aderir a um complexo regime de medicação é um enorme desafio para os idosos com insuficiência cardíaca”, refere Martin Schulz, um dos investigadores principais e professor do Departamento de Farmácia Clínica, da Freie Universitaet Berlin, na Alemanha.

“Estima-se que 30% a 50% dos doentes na Europa não aderem à medicação para a insuficiência cardíaca, o que resulta num aumento da frequência e gravidade dos sintomas, como falta de ar, agravamento da insuficiência cardíaca e consequentes hospitalizações e maior mortalidade.”

A falta de adesão inclui não aviar a receita, tomar uma dose menor do que é prescrito, fazer intervalos na medicação, sobretudo durante os finais de semana ou feriados, ou quando a pessoa se sente melhor, ou parar completamente um ou mais medicamentos.

Benefício da ida à farmácia na insuficiência cardíaca

O estudo PHARM-CHF quis perceber se ver regularmente um farmacêutico melhora ou não a adesão a medicamentos para a insuficiência cardíaca.

Para isso, socorreu-se de um total de 237 doentes com insuficiência cardíaca crónica, com 60 anos ou mais,  divididos, de forma aleatória, em dois grupos, seguidos ao longo de dois anos: um que recebia o tratamento normal e outro alvo de uma intervenção de farmácia. 

A intervenção começou com uma revisão da medicação. Os doentes levaram os seus medicamentos a um farmacêutico, que fez um plano de medicação, verificou se havia interações medicamentosas e medicações duplas, e contactou o médico sobre quaisquer riscos.

Os doentes visitavam a farmácia a cada oito a 10 dias para discutir a adesão e os sintomas, além de medirem a pressão arterial e a pulsação. Os medicamentos eram fornecidos numa caixa com compartimentos para a manhã, tarde e noite de cada dia. 

Contas feitas, a proporção de pessoas com insuficiência cardíaca que aderiram à medicação aumentou de 44% para 86% no grupo da farmácia e de 42% a 68% no grupo de cuidados habituais, uma diferença significativa de 18 pontos percentuais entre os grupos.

Os doentes no grupo de farmácia foram três vezes mais propensos a aderir, em comparação com o grupo alvo de cuidados habituais. 

Já a melhoria na qualidade de vida foi mais pronunciada no grupo de farmácia, ao fim de um ano, e significativamente melhor em comparação com o grupo de cuidados habituais após dois anos. Isto significa que os doentes do grupo de farmácias eram menos limitados nas suas atividades diárias e menos preocupados com a sua doença.

“O ponto principal é que as visitas às farmácias precisam de ser usado como uma oportunidade para fornecer cuidados estruturados”, reforça o especialista.