nova esperança para a endometriose

Antibióticos podem tratar a endometriose

Por Investigação & Inovação

A endometriose é um problema crónico para 10% de todas as mulheres com idades entre os 25 e os 40 anos. O que significa que 176 milhões em todo o mundo são obrigadas a viver com dor e desconforto, causado pelo crescimento das células do endométrio fora do mesmo, o que dá origem a lesões. O tratamento passa, hoje, pela terapia hormonal e cirurgia, mas poderá vir a ser alargado, garante um estudo, que aponta um novo caminho.

Investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos EUA, descobriram, em pequenos ratos de laboratório, que o tratamento com um antibiótico consegue reduzir o tamanho das lesões causadas pela endometriose.

Estão, por isso, a planear um grande ensaio clínico multicêntrico, para testar o medicamento (metronidazol) em mulheres com este problema.

Publicado na revista Human Reproduction, o trabalho confirma que o tratamento dos animais com antibiótico consegue reduzir as lesões encontradas no intestino. Os resultados sugerem ainda que as bactérias presentes no microbioma intestinal podem ajudar a prevenir a progressão da doença.

Um estudo considerado “emocionante”

“O nosso objetivo inicial era perceber como é que estas bactérias intestinais, ou a microbiota, poderiam estar relacionadas com a endometriose. Mas talvez se tenha encontrado um tratamento custo-efetivo”, explica Ramakrishna Kommagani, investigador principal e professor assistente de obstetrícia e ginecologia no Centro de Ciências da Saúde Reprodutiva da Universidade de Washington.

Os cientistas já sabiam que as mulheres jovens com maior suscetibilidade à doença inflamatória intestinal eram mais propensas a desenvolver endometriose.

Agora, confirmam que alguns dos micróbios intestinais associados a problemas no intestino também aparecem em destaque na endometriose. E quando os ratos foram trataram com o antibiótico de amplo espetro, as lesões tornaram-se menores e a inflamação foi também reduzida.

Curiosamente, outros antibióticos testados no estudo não surtiram o mesmo efeito. E, para além disso, a equipa de Kommagani descobriu que os níveis de um tipo protetor de bactérias intestinais eram muito baixos nos ratos com endometriose, o que os faz acreditar que, para além dos antibióticos, pode ser possível usar probióticos para aumentar os níveis de bactérias protetoras.

“Este estudo é emocionante, pois abre novas fronteiras na identificação de candidatos bacterianos que podem promover a endometriose em mulheres em idade reprodutiva, e permite-nos realizar estudos futuros destinados a desenvolver formas mais simples de diagnosticar a doença”, refere a coautora Indira Mysorekar.

“Quão saudável é o seu intestino afeta o fardo da doença”, acrescenta Kommagani. “O que se come pode afetar as bactérias no intestino e isso pode promover a endometriose. Por isso, é importante ter hábitos saudáveis ​​e ter a certeza de se tem boas bactérias, para evitar a doença e a dor a ela associada.”

“Esta é uma epidemia silenciosa, em que muitas mulheres pensam que estão apenas a ter cólicas durante os seus ciclos menstruais.”

“É só quando a dor chega a um ponto em que não se consegue lidar com isso que muitas percebem que algo está a  acontece”, reforça o especialista.