centro para estudar artrite reumatoide

Portugal vai ter centro dedicado à investigação clínica da artrite reumatoide

Por País

É, por enquanto, apenas uma maqueta, mas o projeto que a Associação Nacional de Doentes com Artrite Reumatoide (A.N.D.A.R.) quer ver concluído em 2022 vai ser muito mais do que isso: para além de muitas valências, a nova sede vai ter ainda o primeiro centro dedicado à investigação e aos doentes com artrite reumatoide em Portugal

De acordo com Arsisete Saraiva, presidente da A.N.D.A.R., que fala no âmbito do Dia Nacional do Doente com Artrite Reumatoide, que se assinala esta sexta-feira (5 de abril), o projeto servirá muitos propósitos, que vão do acolhimento e apoio a doentes diagnosticados sem acesso a tratamento adequado e divulgação da doença e do seu tratamento.

Para Arsisete Saraiva, “este é o realizar de um sonho. É um centro criado e pensado de raiz para doentes com artrite reumatoide”.

O novo edifício, uma obra que continua em busca de investidores que ajudem a tornar-se realidade, terá sete pisos acima do solo e dois em cave, apresentando-se com uma imagem singular, espelho de segurança, conforto, sofisticação e tecnologia.

Terá gabinetes médicos, salas de tratamentos e exames, sala de trabalho de enfermagem, ginásio, fisioterapia e hidroterapia (piscina), um núcleo de internamento, com uma unidade de cuidados continuados integrados, um centro de dia e ainda um auditório com capacidade para 300 lugares, e sala de exposição técnica, para além do já referido Centro de Investigação.

As vantagens da investigação clínica

Maria Carmo-Fonseca, presidente do Instituto de Medicina Molecular, considera este “um excelente exemplo”, ao mesmo tempo que justifica a importância da investigação clínica.

“Investigação é uma palavra geral, mas há vários tipos. Há a investigação mais laboratorial e depois há a investigação feita com os próprios doentes, a clínica, que tem muito a ver com a especificidade de cada doente”, refere.

Até porque, acrescenta, “o mesmo medicamento administrado a pessoas diferentes pode provocar efeitos, também diferentes, alguns adversos, cabendo aos médicos aprender o que é que está a funcionar de forma diferente nas várias pessoas e, com isto, não só corrigir o tratamento, mas aprender para o futuro”.

Oradora nas jornadas da A.N.D.A.R., que contam com o Alto Patrocínio do Presidente da República, a especialista vai falar exatamente sobre ‘A Importância dos Centros de Investigação Clínica’, cujas vantagens são muitas para os doentes.

“Penso que é uma forma de se sentirem mais à vontade e terem uma maior confiança em participar no processo de investigação”, explica.

“Fora do ambiente hospitalar, dos grandes hospitais, um ambiente mais restrito e mais acolhedor vai facilitar as idas dos doentes com mais frequência, permitindo que sejam seguidos de forma mais regular, o que facilita a investigação, ao mesmo tempo permite que o doente se sinta mais confortável. Acho que é uma enorme mais-valia esta iniciativa da A.N.D.A.R., que é a própria a fazer inovação.”

Doença com graves consequências

Recorde-se que, em Portugal, são cerca de 50.000 a 70 000 os doentes diagnosticados com artrite reumatoide, uma doença inflamatória crónica que pode limitar os gestos diários.

Trata-se de uma doença reumática inflamatória crónica, que ocorre em todas as idades com mais prevalência no sexo feminino e apresenta, como manifestação predominante, o envolvimento repetido e habitualmente crónico das estruturas articulares e periarticulares.

Quando não tratada precoce e corretamente, acarreta, em geral, graves consequências para os doentes, traduzidas em incapacidade funcional e para o trabalho.