egoístas com salários mais baixos

O que é que os egoístas têm? Menos filhos e salários mais baixos

Por | Investigação & Inovação

O que acontece aos altruístas, aqueles que fazem mais sacrifícios em benefício dos outros? De acordo com um novo estudo, de origem sueca e norte-americana, têm mais filhos e recebem salários mais elevados. 

“O resultado é claro, tanto para os dados norte-americanos, como para os europeus. As pessoas mais altruístas têm mais filhos e as moderadamente generosas recebem os salários mais altos”, confirma Kimmo Eriksson, investigador do Centro de Evolução Cultural da Universidade de Estocolmo, um dos autores do estudo.

E para que tem dúvidas, o altruísmo é aqui definido como o desejo de ajudar os outros apenas por uma questão de preocupação com o seu bem-estar. 

Não é a primeira vez que a generosidade é alvo de análise e vários outros estudos já confirmaram que as pessoas altruístas são mais felizes e têm melhores relações sociais. No entanto, este trabalho inova ao lançar um olhar sobre o tema sob um ponto de vista económico e evolutivo.

Resultados contrariam perceção geral

Nesta colaboração entre investigadores suecos e norte-americanos, foi avaliada a forma como o egoísmo se relaciona com o rendimento e a fertilidade. E foram também analisadas as expectativas das pessoas.

“Os resultados mostraram que as pessoas geralmente têm a expectativa correta de os egoístas têm menos filhos, mas acreditam, erroneamente, que ganham mais dinheiro. É bom ver que a generosidade muitas vezes compensa a longo prazo”, refere Pontus Strimling, outro dos autores do trabalho.

Para já, são estas as conclusões. Trabalhos futuros irão ajudar a “aprofundar as razões pelas quais pessoas generosas ganham mais, e verificar se a ligação entre altruísmo, salários mais altos e mais filhos também existe noutras partes do mundo”, acrescenta Brent Simpson, coautor do estudo.

mudanças no clima

Europeus pouco preocupados com as alterações ao clima

Por | Ambiente

A grande maioria dos europeus acredita que o clima está a mudar, mas não se preocupa muito com o tema, revela o mais recente inquérito europeu sobre o tema, que destaca os portugueses como os mais preocupados.

O inquérito (European Social Survey), realizado pela Universidade de Londres, mostra que, ainda que conscientes das consequências negativas das alterações climáticas, muitos são os europeus que sentem uma responsabilidade moderada no que diz respeito à redução da sua pegada ambiental, considerando que os esforços individuais não serão muito eficazes.

“Era da negação está a chegar ao fim”

A ideia é consensual entre os 44.387 inquiridos, de 23 países: o clima está a mudar. E isso deve-se sobretudo à atividade humana. Ainda assim, pouco mais de um quarto (28%) dos europeus diz estar muito ou extremamente preocupados com as alterações climáticas.

Portugal destaca-se. Por cá, a preocupação é mais elevada (51%), partilhada pelos vizinhos espanhóis (48%). Um problema que, no entanto, não tira o sono aos russos (14%), polacos (15%) e cidadãos da Estónia (15%).

“Os últimos dados mostram claramente um forte consenso no sentido de que as alterações climáticas estão a acontecer, sugerindo que a era da negação está a chegar ao fim”, explica Rory Fitzgerald, diretor do European Social Survey.

“Ainda são muitos os que não aceitam o consenso científico de que a causa do aquecimento global é quase inteiramente impulsionada pela atividade humana, o que sugere que os cientistas precisam de fazer muito mais para transmitir a sua mensagem.”

Acesso à energia mais preocupante

Talvez sem surpresa, os inquiridos revelaram uma preocupação mais acentuada com a acessibilidade da energia. Ao todo, 40% dos europeus estão, neste caso, muito ou extremamente preocupados.

Mais uma vez, e aqui depois de Espanha, esta é uma preocupação particularmente generalizada em Portugal (68%).

Mas apesar de preocupados, os europeus não consideram que deve ser sua a responsabilidade de mudar a situação. Numa escala de 0 a 10 (onde 0 representa nenhuma responsabilidade e 10 significa uma grande responsabilidade), a pontuação média ficou apenas ligeiramente acima dos cinco pontos.

Os sentimentos de responsabilidade pessoal para mitigar as mudanças no clima foram superiores em França (com uma pontuação média de 6,9 ​​na escala) e inferiores na República Checa e na Rússia (ambos com uma pontuação média inferior a quatro).

“Os entrevistados dos países europeus incluídos no nosso inquérito estão inclinados a pensar que é pouco o que podem fazer, a um nível pessoal, para mitigar a alteração climática e não esperam que outros no mundo ou até os governos tomem medidas efetivas”, refere Rory Fitzgerald.

“Isto é claramente preocupante e sugere que os governos e os cientistas precisam de assumir a liderança para demonstrar que a ação efetiva é possível, assim como mostrar como o público pode desempenhar o seu papel de forma significativa”, acrescenta.

mais casos de febre do Nilo Ocidental

Aumento de casos de febre do Nilo Ocidental preocupa autoridades europeias

Por | Ambiente

Entre 17 e 23 de agosto deste ano, os Estados-Membros da União Europeia (UE) comunicaram 136 casos humanos de febre do Nilo Ocidental. Um problema que está a merecer uma chamada de atenção das autoridades.

De acordo com os dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, registaram-se, naquele período, 59 casos em Itália, 31 na Grécia, 25 na Roménia, 19 na Hungria e dois em França. Israel (49) e Sérvia (33), países vizinhos da UE, também comunicaram dezenas de casos.

Às infeções junta-se o número de mortes, 19 ao todo na referida semana, registadas na Grécia (7), Roménia (5), Sérvia (4) e Itália (3).

Clima pode ser responsável por mais casos de febre do Nilo Ocidental

Transmitido às pessoas sobretudo através da picada de mosquitos infetados, o vírus do Nilo Ocidental, pode ser mortal, ainda que quase 80% das pessoas infetadas não apresentam sintomas.

Este ano, de acordo com um artigo publicado na revista Eurosurveillance, foi observado este ano “um aumento aparentemente mais acentuado do número de casos relatados nesta temporada, em comparação com anos anteriores”.

De acordo com a mesma fonte, entre 2014 e 2017 foram notificados cinco a 25 casos nas semanas em que se verificaram casos, o que contrasta com os 168 casos comunicados no mesmo período, este ano.

E a culpa deste aumento, assim como do surgimento precoce de casos, pode ser do clima. A chuva forte de março e abril e as temperaturas elevadas que, um pouco por toda a Europa, marcaram o verão, podem bem ser os responsáveis, consideram os especialistas.

número recorde de casos de sarampo na Europa

Casos de sarampo com números recorde na Europa

Por | Política de Saúde

Mais de 41.000 crianças e adultos europeus foram infectados com sarampo nos primeiros seis meses do ano, revelam os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), que confirma ainda 37 mortes na sequência da doença no mesmo período. Resultado que ultrapassa em muito os valores referentes a todos os outros anos desta década.

Entre 2010 e 2017, o maior total anual de casos de sarampo foi de 23.927, referente ao ano passado, sendo o mais baixo de 5.273, contabilizado em 2016. 

“Depois de termos tido o menor número de casos da década em 2016, estamos a assistir a um aumento dramático das infecções e dos surtos”, explica Zsuzsanna Jakab, diretora regional da OMS para a Europa.

“Pedimos a todos os países que implementem imediatamente medidas amplas e adequadas ao contexto para impedir a propagação desta doença”, acrescenta. Até porque, reforça, “a boa saúde para todos começa com a imunização e, enquanto esta doença não for eliminada, não estamos a cumprir os compromissos do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável”.

Os países mais afetados pela doença

Sete países europeus (França, Geórgia, Grécia, Itália, Federação Russa, Sérvia e Ucrânia) contaram mais de 1.000 infecções em crianças e adultos este ano.

A Ucrânia foi a mais atingida, com um valor superior a 23 mil pessoas afetadas, o que representa mais da metade do total da região.

Quanto às mortes relacionadas com o sarampo, foram relatadas em todos estes países, com a Sérvia a registar o número mais alto (14).

OMS acredita ser possível vencer o sarampo

Embora muito contagioso, é possível combater o vírus do sarampo. Para evitar surtos, é necessário atingir, todos os anos, pelo menos 95% da cobertura vacinal com duas doses da vacina contra a doença, em todas as comunidades, assim como esforços para alcançar as crianças, adolescentes e adultos que perderam a vacinação de rotina no passado.

“Devemos celebrar as nossas conquistas, sem perder de vista aqueles que ainda estão vulneráveis ​​e cuja proteção requer a nossa atenção urgente e permanente”, refere Zsuzsanna Jakab.

“Nós podemos travar esta doença mortal. Mas não teremos sucesso a não ser que todos façam a sua parte: que vacinem os seus filhos, a eles próprios, aos seus doentes, às populações – e também lembrar que a vacinação salva vidas.”

Sarampo é ameaça grave para bebés, crianças pequenas e adultos jovens sem a vacina

Por | Saúde Infantil

Com o mais recente surto de sarampo ainda bem presente na mente dos portugueses, um estudo do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) veio confirmar que há (boas) razões para apostar na vacinação. É que a grande maioria dos casos da doença na Europa foram diagnosticados em pessoas sem a vacina, sendo muito elevado o risco de mortalidade para as crianças menores de dois anos.

O trabalho, apresentado no 28.º Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas por Emmanuel Robesyn, um dos seus autores, analisou os dados existentes e procurou determinar as eventuais diferenças entre os indivíduos mais jovens e as populações mais velhas infetadas com a doença.

Foram avaliados todos os 37.365 casos de sarampo notificados ao ECDC entre 1 de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2017, tendo sido verificado que 81% de todos os casos eram de pessoas sem a vacina, tendo a maioria das situações ocorrido em Itália, na Roménia, Alemanha, Holanda e Reino Unido.

Ainda de acordo com o estudo:

  • 33% dos doentes foram hospitalizados;
  • 11% tiveram pneumonia;
  • 81% envolveram maiores de dois anos;
  • dos restantes 19%, verificou-se que 9% tinham um ano e 10% tinham menos de um ano.

A taxa de doentes que morreram destacou o impacto que o sarampo teve nas populações mais jovens. A análise do ECDC mostra que um em cada 1.000 doentes morreu e, destes, a maioria foi nas populações mais jovens. De facto, as crianças de um ano tiveram seis vezes mais probabilidade de morrer vítimas da doença, em comparação com os de dois anos ou mais. No caso dos menores de um ano, o risco aumentou para as sete vezes.

Fim do sarampo

A Organização Mundial de Saúde estabeleceu metas para a eliminação do sarampo e da rubéola, sendo uma das principais ações para atingir esses objetivos a manutenção de elevadas taxas de imunização.

 

Viver em zonas mais desfavorecidas reduz esperança de vida dos idosos

Por | Política de Saúde

Eliminar as carências socioeconómicas, existentes em várias zonas da Europa, iria traduzir-se num melhoria da sobrevivência dos idosos e reduziria a sua mortalidade. De acordo com um estudo do Porto, o fim destas diferenças equivaleria a aumentar o número de sobreviventes europeus do sexo masculino em cerca de 92 mil. Já entre as mulheres, o número subiria para 282 mil.

Realizado pela Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), o trabalho traduz a crença dos investigadores de que uma redução das diferenças socioeconómicas entre regiões portuguesas e europeias é a melhor forma de aumentar a esperança de vida desta população.

Publicado na revista científica International Journal of Public Health, o estudo, que trabalhou os dados de cinco países europeus (Portugal, Espanha, França, Itália e Inglaterra), procurou perceber como “as condições socioeconómicas dos locais de residência, isto é, o conjunto das condições da habitação, escolaridade, desemprego, etc., influenciavam a longevidade das pessoas idosas, mais concretamente, a probabilidade de estas sobreviverem além dos 85 anos”, explicou ao Notícias da Universidade do Porto Ana Isabel Ribeiro, uma das autoras da investigação.

Uma avaliação que não se ficou por aqui. A esta tarefa os especialistas juntaram outra: perceber qual o impacto da eliminação das diferenças na sobrevivência dos idosos.

Sobrevivência dos Idosos mais difícil em Portugal

Portugal foi, dos cinco países avaliados, o que apresentou a menor probabilidade de sobrevivência dos idosos. “Apesar de termos menores desigualdades dentro do nosso país, temos, probabilidades de sobrevivência nesta idade inferiores a estes quatro países da Europa”, refere Ana Isabel Ribeiro.

Ver também: Cuidar dos Idosos à distância de um clique.

Reduzir em 10% os AVC na Europa até 2030 é o novo desafio

Por | Política de Saúde

Há um novo plano de ação europeu para a luta contra o AVC (ESO/SAFE 2018-2030), que tem como objetivo fazer frente aos desafios identificados num relatório recente, que confirma que são enormes as variações no nível de cuidados dos acidentes vasculares cerebrais disponíveis em toda a Europa e grandes os custos com a doença, diretos e indiretos – chegam aos 45 mil milhões de euros por ano, prevendo-se um aumento de 34% nos casos até 2035 devido ao envelhecimento da população.

Reunidos na Alemanha, os líderes da comunidade europeia do AVC juntaram-se aos académicos, sobreviventes e aos seus cuidadores, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e representantes de organizações da doença, com o objetivo de criar uma estrutura ambiciosa para orientar a política de saúde, sobretudo no que diz respeito à investigação, gestão local do AVC e atendimento com enfoque no doente.

As metas foram desenhadas. E, até 2030, os objetivos são ambiciosos:

  • uma redução em 10% no número absoluto de acidentes vasculares cerebrais na Europa;
  • tratamento de 90% ou mais de todos os doentes numa unidade de AVC;
  • a criação de planos nacionais para a doença abrangendo todos os cuidados, desde a prevenção primária, reabilitação e vida após o AVC.

“Investir no acidente vascular cerebral é um reinvestimento na saúde da população e na sociedade”, refere a propósito Bo Norrving, diretor do ‘Stroke Action Plan for Europe’. “Chegou o momento em que podemos mudar substancialmente o curso do AVC graças aos avanços que deverão estar disponíveis em toda a Europa.”