FPI, doença respiratória

FPI, a doença com uma sobrevivência média que não vai além dos cinco anos

Por | Bem-estar

António Morais, médico pneumologista, não tem dúvidas: “vale a pena investir num diagnóstico precoce da Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI)”. Uma doença que continua a ser desafiante a este nível, não só para os doentes, que não costumam associar os principais sintomas a este problema de saúde, por serem semelhantes a tantos outros, mas também para os médicos.

A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é uma doença rara. Tão rara que, na Europa, se contam apenas cerca de 4.6 novos casos por cada 100.000 habitantes.

Com uma sobrevivência mediana de três a cinco anos, caracteriza-se por sintomas muitas vezes desvalorizados e atribuídos a outras causas, mesmo quando persistentes. “Um dos principais sintomas da FPI é a dispneia de esforço, ou seja, o cansaço”, explica António Morais.

“Esta é uma doença característica do idoso, muito mais frequente a partir dos 60 anos. Ora quando se sente cansaço, o idoso atribui este sinal a uma perda de performance que é natural ocorrer com a idade.”

Um problema global que é preciso resolver, confirma o médico. E isto porque “há terapêuticas capazes de atrasar a evolução da doença. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais lenta será a progressão da FPI e maior qualidade de vida vão ter os doentes”.

É preciso sensibilizar os médicos 

É quando o cansaço se torna mais frequente que gera receio de algo mais grave e motiva uma consulta médica. “A FPI é uma doença rara e, por isso, não é – e nem tem de ser – a primeira doença em que o médico pensa.”

Ainda assim, o médico confirma que se procura sensibilizar os profissionais, “sobretudo os dos cuidados de saúde primários, que são aqueles aos quais o doente recorre primeiro, para não pararem de procurar quando não encontram razão que justifique os sintomas. O médico pode e deve pensar na FPI se o doente é idoso, se tem dispneia de esforço lentamente progressiva e/ou crepitações inspiratórias nas regiões inferiores do tórax, com som semelhante ao do velcro”.

Apesar de não ter cura, a doença tem tratamento. E há esperança de que o arsenal terapêutico possa vir a crescer, uma vez que, segundo António Morais, “há um grande interesse da indústria farmacêutica por esta doença e vários ensaios clínicos a decorrer”.

ir ao cinema previne depressões

Visitas regulares ao cinema, teatro ou museus previnem depressão

Por | Saúde Mental

O que é que as visitas regulares ao cinema, teatro ou a museus têm a ver com a saúde? Há um novo estudo que garante que podem prevenir a depressão.

A teoria era dos investigadores da University College London. E o trabalho por estes levado a cabo descobriu uma ligação clara entre a frequência do “envolvimento cultural” e a probabilidade de uma pessoa com mais de 50 anos vir a ter depressão.

O que significa que não só as atividades culturais ajudam as pessoas a recuperarem-se de uma depressão, como podem realmente ajudar a preveni-la.

Risco pode ser quase 50% inferior

Publicado no British Journal of Psychiatry, o estudo confirma que as pessoas que assistem a filmes, peças teatrais ou exposições artísticas regularmente apresentam um risco 32% inferior de desenvolver depressão, percentagem que aumenta para os 48% quando a frequência se torna mensal.

Agora, Daisy Fancourt, principal autora do trabalho, alerta para a necessidade de uma maior consciencialização para estes benefícios, para que as pessoas possam ter um melhor controlo de sua própria saúde mental.

“De um modo geral, as pessoas conhecem os benefícios para a saúde física e mental de comer várias vezes ao dia e da prática de exercício, mas há muito pouca consciência de que as atividades culturais também têm benefícios semelhantes”, afirma.

“As pessoas envolvem-se com a cultura pelo puro prazer de o fazer, mas também precisamos de estar conscientes dos seus benefícios mais amplos”, acrescenta.

Benefícios indiferentes às diferenças sociais

O estudo analisou os dados de mais de 2.000 pessoas com idade superior a 50 anos, que participaram no Longitudinal Study of Ageing, o que serviu de fonte de informações sobre problemas de saúde, sociais, de bem-estar e económicos entre os idosos ingleses.

Os especialistas analisaram as respostas aos questionários e às entrevistas individuais feitas ao longo de dez anos, o que incluía informação sobre frequência das idas ao teatro, concertos ou ópera, cinema, galerias de arte, exposições ou museus. As respostas revelaram também quantos foram diagnosticados com depressão.

Mesmo quando os resultados foram ajustados às diferenças de idade, género, saúde, níveis de riqueza, educação e exercício, os benefícios das atividades culturais permaneceram claros.

Benefícios que também eram independentes do facto de as pessoas terem ou não contacto com amigos e familiares ou participado em atividades sociais, como clubes e sociedades.

Por isso, os investigadores acreditam que o poder dessas atividades culturais reside na combinação da interação social, criatividade, estímulo mental e atividade física que encorajam.

“Ficamos agradavelmente surpreendidos com os resultados. Notavelmente, encontramos a mesma relação entre o envolvimento cultural e a depressão nas pessoas com rendimentos mais baixos e com diferentes níveis de educação – a única coisa que difere é a frequência de participação”, explica Daisy Fancourt.

Gestos simples que protegem a saúde

De acordo com os especialistas, o “envolvimento cultural” é aquilo a que se chama de “mercadoria perecível”. Ou seja, para que haja benefícios a longo prazo para a saúde mental, é preciso um envolvimento de uma forma regular. O que é semelhante ao exercício físico: se fizermos uma corrida em janeiro, em outubro já não sentimos os seus benefícios, a não ser que se tenha continuado a correr.

“Se nos estamos a começar a sentir em baixos ou isolados, então o envolvimento cultural é algo simples que podemos fazer para ajudar proativamente a nossa própria saúde mental, antes que chegue ao ponto de precisarmos de ajuda médica profissional.”

Concentração de poluentes nos lares de idosos nacionais põe em risco saúde dos seniores

Por | Ambiente

São usados em revestimento de pisos, móveis, equipamentos eletrónicos, produtos de limpeza, produtos para cuidados pessoais e pesticidas. E, em Portugal, estes químicos estão presentes em elevadas concentrações nos lares de idosos nacionais.

A afirmação, em jeito de alerta, é feita por um estudo em que participou a Unidade de Investigação em Epidemiologia do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que chama a atenção para o impacto destes compostos químicos na saúde dos idosos, “uma população vulnerável e suscetível”, explica Ana Sofia Mendes, investigadora do ISPUP e uma das autoras do trabalho.

De acordo com os especialistas, os compostos químicos semi-voláteis libertam-se para o ar e podem fixar-se no pó, nas superfícies e no ar, persistindo por muitos anos. Como se bioacumulam nas pessoas, têm também impacto na saúde humana.

Necessário proteger as populações mais vulneráveis 

A investigação, publicada na revista Environmental Pollution, avaliou os níveis de compostos químicos orgânicos semi-voláteis em pó presente nos lares de idosos em Portugal e nos Estados Unidos, “o primeiro estudo que apresenta informações importantes sobre a exposição a estes compostos químicos em ambientes interiores”. 

Foram, ao todo, analisados os níveis destas substâncias em 11 lares de idosos em Portugal e três nos EUA, uma análise que permitiu verificar a presença de ésteres organofosforados (OPEs), hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs) e retardadores de chama bromados (BRFs), químicos semi-voláteis que podem ser perigosos.

Uma análise que mostra também a importância de “reforçar as avaliações de exposição pessoal entre os residentes destas instalações. Tal é fundamental para proteger esta população, que tem um sistema imunológico mais enfraquecido e uma maior prevalência de doenças crónicas e de problemas respiratórios, o que a torna mais vulnerável a complicações de saúde associadas à poluição do ar interior”, refere a especialista.

“As concentrações de poluentes poderão ter um impacto negativo sobre a saúde dos idosos, conduzindo a um aumento no uso de medicação, visitas ao médico, admissões em hospitais e mortes prematuras”, acrescenta.

skype para combater depressão

Skype, uma arma no combate à depressão nos idosos

Por | Investigação & Inovação

É fácil imaginar um idoso a viver sozinho, sobretudo num país como o nosso, onde se contam, de acordo com os dados do Pordata, 2,2 milhões de pessoas com 65 ou mais anos. E não é também difícil imaginar esse idoso viúvo, longe da família, sem conexões sociais que o isolam do mundo. Um isolamento que leva à depressão grave que, de acordo com as estimativas, afeta quase 5% dos adultos com 50 ou mais anos. E se, para o evitar, bastasse apenas recorrer à tecnologia?

Um novo estudo, realizado por investigadores da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon (OHSU), nos Estados Unidos, verificou que, de entre quatro tecnologias de comunicação online – email, chat de vídeo, redes sociais e mensagens instantâneas -, o uso do chat de vídeo para comunicar com amigos e familiares parece ser a que mais promete na luta contra a depressão entre os idosos.

Publicados na revista científica American Journal of Geriatric Psychiatry, os dados permitem concluir que “o chat de vídeo é o campeão indiscutível”, explica o autor principal do trabalho, Alan Teo, professor de psiquiatria na OHSU.

“Os adultos mais velhos que usavam o chat de vídeo, como o Skype, apresentavam um risco significativamente menor de depressão.”

Comunicação cara a cara, a melhor solução

Foram, ao todo, identificados 1.424 participantes, que responderam a um conjunto de perguntas sobre o uso de tecnologia e a um inquérito, dois anos depois, que mediu, entre outras coisas, os sintomas depressivos.

Aqueles que usaram e-mail, mensagens instantâneas ou redes sociais, como o Facebook, tiveram praticamente a mesma taxa de sintomas depressivos que os adultos mais velhos que não usaram nenhuma tecnologia de comunicação.

Pelo contrário, os investigadores descobriram que aqueles que usavam o Skype ou o FaceTime apresentavam quase metade da probabilidade estimada de sintomas depressivos, após ajustes para outros fatores que poderiam confundir os resultados, como depressão preexistente e nível de instrução.

“Até onde percebemos, este é o primeiro estudo a demonstrar uma potencial ligação entre o chat de vídeo e a prevenção de sintomas clinicamente significativos de depressão em adultos mais velhos”, defendem os autores do trabalho.

Algo que nem é muito surpreendente, reforçam os investigadores, uma vez que esta forma de comunicação envolve os utilizadores cara a cara, em vez de os ter passivamente a fazer scroll no feed do Facebook.

casal de idosos

Dois terços dos idosos nacionais não se consideram saudáveis

Por | Bem-estar

Dor, a perda de memória e a solidão são os principais fatores que levam cerca de dois terços dos idosos portugueses a avaliar o seu estado de saúde como não saudável, conclui um novo estudo.

Os dados resultam de uma amostra de pessoas com mais de 65 anos, residentes em Portugal, e integram o estudo realizado por Maria Piedade Brandão, docente da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro e investigadora do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, e Margarida Fonseca Cardoso, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

A investigação analisou e comparou as perceções das ameaças à saúde e ao bem-estar entre os idosos de Portugal e da Polónia, dois países europeus que estão abaixo da média em medidas como o rendimento e a riqueza.

Ao todo, 69,2% dos idosos portugueses classificaram o seu estado de saúde como razoável ou mau, valor superior ao verificado entre os idosos polacos (66,5%), tendo, por cá, as mulheres uma maior tendência para avaliarem a sua saúde como razoável ou má, enquanto as pessoas viúvas têm mais tendência para se considerarem não saudáveis.

Dinheiro associado a saúde

Nos dois países, o dinheiro influencia a forma como se olha para a saúde, sobretudo a falta destes. Entre a amostra portuguesa, cerca de um quarto dos idosos declararam chegar ao final de cada mês sem dinheiro para as suas despesas, percentagem superior à encontrada na Polónia (14,8%). 

O mesmo acontece com a dor. Entre as variáveis analisadas, esta está presente em mais de 80% dos idosos estudados que se dizem não saudáveis. O que, contas feitas, significa que os idosos portugueses com dor têm um risco nove vezes maior de reportar um estado de saúde razoável ou insatisfatório.

Também a falta de ar durante atividades do dia-a-dia e problemas mentais, como a solidão e a perda de memória, estão claramente associadas a perceções mais negativas sobre o estado de saúde e bem-estar.

A solidão é mesmo uma das mais importantes ameaças a ter em conta. Segundo este estudo, 71,9% dos idosos avaliados que não se consideram saudáveis dizem que se sentem sós e mais de metade dos que se consideram saudáveis referem este sentimento.

saúde oral pode causar malnutrição

Falta de dentes nos idosos pode conduzir à malnutrição

Por | Saúde Oral

A falta de dentes naturais é uma realidade frequente entre a população portuguesa, como mostram os dados do III Barómetro da Saúde Oral, que fala em 68% de pessoas desdentados. Destas, uma  maioria são idosos. A propósito do Dia Mundial da Terceira Idade, que se assinala no próximo dia 28, João Caramês, especialista em medicina dentária, alerta para as limitações de saúde oral da população sénior, que podem conduzir à malnutrição.

O diretor clínico do Instituto de Implantologia, centro do Best Quality Dental Centers em Portugal, revela que, “de acordo com dados europeus, a percentagem de pacientes com mais de 70 anos a requerer tratamentos dentários aumentou consideravelmente ao longo dos últimos 13 anos”.

E, tendo em conta as necessidades de reabilitação oral da população em geral, “estimou-se que aproximadamente 21% dos pacientes candidatos a reabilitação oral com implantes tenha uma idade igual ou superior a 70 anos”.

“Realidade histórica sombria da saúde oral em Portugal”

“A ausência de dentes naturais na população espelha uma realidade histórica sombria da saúde oral em Portugal”, afirma o especialista.

Uma realidade que resulta do facto de, “durante várias décadas, o acesso a cuidados primários e secundários ter sido muito reduzido, não apenas pela pouca informação e sensibilização dos pacientes para a importância da saúde oral, como também por um limitado número de profissionais capazes de um exercício clínico conservador e esclarecido”.

Hoje, o cenário alterou-se com uma classe de médicos dentistas maior em quantidade e qualidade. Contudo, os indicadores de saúde oral em Portugal estão ainda abaixo da média europeia. E a ausência de dentes naturais, traz consigo várias consequências, explica o médico.

“Todos os pacientes deveriam ter direito a partilhar um sorriso sem receio da sua condição dentária. Infelizmente, observo que a maioria dos pacientes mais idosos não o faz por deterioração da sua saúde oral.”

Para além de uma perda da autoestima, que “muitas vezes inconscientemente, altera a sua forma de estar e comunicar com quem os rodeia”, o médico salienta também que “a sua expressão facial sofre alterações significativas em função do aprofundamento de sulcos cutâneos, colapso dos tecidos labiais e ou perda de dimensão vertical de oclusão”.

As consequências na mastigação

A questão da mastigação não pode ser esquecida, uma vez que a ausência dentária se traduz “quase sempre uma perda significativa da função mastigatória e um ajuste na sua dieta, que em alguns casos conduz a malnutrição, problemas do sistema digestivo, ou a um pior controlo da glicemia na situação de pacientes diabéticos”.

As próteses removíveis, “embora possam minimizar algumas destas condições, tornam-se desadaptadas e desconfortáveis à medida que o maxilar e a mandíbula se vão atrofiando. A sua utilização ao longo de vários anos contribui para uma insatisfação crónica do paciente”.

Situação que se pode evitar “fomentando uma cultura preventiva junto do paciente. A realização de consultas de higiene oral e ou visita ao  médico sentista, com uma periodicidade variável consoante o perfil e os fatores de risco do paciente, devem permitir um diagnóstico precoce e tratamento de lesões de cárie dentária e ou da doença periodontal”.

No máximo, reforça o médico, “estas consultas deverão ocorrer de seis em seis meses”, mesmo que não existam queixas. 

Mortes por insuficiência cardíaca

Desfecho fatal para maioria dos doentes com insuficiência cardíaca

Por | País

É por muitos considerada a epidemia do século XXI, um problema de saúde que continua a desafiar médicos e doentes. E os dados sobre a insuficiência cardíaca são a prova disso mesmo. “Verificamos, em Portugal e no resto do mundo Ocidental, que apesar das evoluções terapêuticas, a mortalidade por insuficiência cardíaca (IC) no médio e longo prazo é muito elevada”, confirma Paulo Bettencourt, especialista em Medicina Interna.

“Para se ter uma ideia, ao fim de cinco anos, cerca de 70% dos doentes que estiveram internados por episódio de IC aguda tiveram um desfecho fatal. Estes números espelham bem a ‘malignidade’ desta condição”, acrescenta o presidente de um encontro que vai ter a IC como protagonista, a 1ª Reunião do Núcleo de Estudos de Insuficiência Cardíaca (NEIC) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), que se realiza a 29 de setembro, no Porto.

“Atualmente, cerca de 20% dos internamentos em medicina interna são por episódios de IC aguda”, refere, reforçando que “todos estes números são factos que nos levam a refletir na necessidade de termos abordagens que modifiquem adicionalmente o percurso sombrio destes doentes”.

Esse é, de resto, um dos motes da reunião do NEIC, onde se vão falar sobre “os avanços muito significativos nesta condição, quer em termos do seu conhecimento, quer de terapêuticas que melhoram a sua sobrevida”, assim como da organização dos cuidados de saúde, “um dos aspetos relevantes na abordagem destes doentes”.

São múltiplos os benefícios conhecidos pelos programas de IC. Este aspeto, assim como as experiências nacionais e de Espanha em programas de IC, serão partilhados e debatidos na reunião. “Pretendemos, com esta partilha, poder gerar e fazer crescer programas de IC no âmbito da medicina interna, adaptadas a cada realidade local.”  

Dificuldades no diagnóstico

O diagnóstico é outra das questões em destaque no encontro, uma vez que, refere Paulo Bettencourt, “em cerca de um terço das situações, o diagnóstico pode ser complexo. De facto, os sintomas e sinais de insuficiência cardíaca são partilhados por outras doenças, como a doença respiratória crónica, factos que podem dificultar a sua identificação”.

Esta torna-se, por isso, defende o especialista, “o primeiro passo que necessita de ser robusto, para que possamos desenvolver as estratégias de abordagem para identificar a causa e planear o tratamento”.

O facto de cerca de um terço dos doentes com IC também também sofrerem com doença respiratória crónica é outros dos constrangimentos que complica a situação, sendo “absolutamente necessário sensibilizar os médicos para um diagnóstico ’positivo’ de IC. Ou seja, para que possamos realizar o diagnóstico é necessário um conjunto de características clínicas e de demonstração de alterações de estrutura e/ou função cardíaca. A relevância destes aspetos é fulcral para que a estratégia terapêutica seja a mais adequada”.

Até porque, acrescenta, “desde os anos noventa que acumulamos evidência de que podemos aumentar a longevidade e melhorar a qualidade de vida dos doentes com IC. Sendo  a IC uma condição que se autoperpetua e se agrava ao longo da sua evolução, a intervenção em fases precoces e com menos tempo de evolução proporciona ganhos em saúde para os doentes, daí a sua extrema importância”.   

O desafio dos doentes idosos

Tendo em conta que são cada vez mais os doentes com vários problemas em simultâneo, este torna-se “um aspeto desafiante na IC”.

Aqui, os doentes são sobretudo pessoas com mais idade, explica o médico, “padecendo de diversas outras patologias, como DPOC, diabetes, insuficiência renal, anemia, sendo que a maioria tem mais de duas comorbilidades associadas. Estes aspetos levantam problemas específicos a cada doente na sua abordagem, quer no que concerne ao seu percurso, quer na estratégia terapêutica”.

perda auditiva entre os idosos

30% dos portugueses com mais de 50 anos têm perda auditiva

Por | Bem-estar

Em Portugal, cerca de 30% da população com mais de 50 anos sofre de perda auditiva, que ocupa mesmo o terceiro posto na lista de problemas de saúde crónicos mais prevalentes entre os idosos portugueses. Um problema que preocupa os especialistas, que alertam para a importância da reabilitação auditiva na reintegração na sociedade.

É normal: com o avançar da idade, o ouvido sofre alterações e deixamos de ouvir tão bem. Esta é, aliás, a causa principal para quase todos os casos de perda de audição, embora haja outros fatores associados, como os antecedentes familiares, a permanente exposição a ambientes ruidosos ou algumas doenças neurológicas, metabólicas e cardíacas.

“A perda auditiva é um défice adquirido, ou seja, consiste numa perda gradual das capacidades auditivas, devido a lesões ou doenças”, explica Dulce Martins Paiva, diretora-geral da GAES – Centros Auditivos.

“Nestas situações, a maioria das pessoas já aprendeu a comunicar oralmente, sendo que, ao desenvolver esta deficiência, vai procurar alternativas para comunicar. Como qualquer outra parte do nosso corpo, o ouvido precisa de ser estimulado e exercitado para se manter ativo. Se o estímulo desaparece, a perda auditiva aumenta, e a compreensão da fala também começa a deteriorar-se gradualmente. É por isso que é fundamental procurar uma solução.”

Impacto enorme na vida e rotina

De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde, até 2050 e no mundo, cerca de 900 milhões de pessoas devem sofrer de perda auditiva. E com um grande impacto na qualidade de vida e na rotina socialmente ativa.

“Esta condição altera a capacidade de relacionamento com os outros, afeta progressivamente a memória, a orientação e a linguagem, causando o isolamento”, refere a especialista.

O problema torna-se ainda mais preocupante, se tivermos em conta que a solidão e o isolamento social acabam por ser comuns entre estes indivíduos, podendo causar depressões e até mesmo resultar num quadro de demência.

Reabilitação devolve qualidade de vida

Falar de prevenção é preciso, mas a esta conversa tem de se juntar outra, sobre a reabilitação auditiva, que poderá devolver a estas pessoas a sua qualidade de vida.

“Atualmente, com o avanço da tecnologia no setor da saúde, existem inúmeras soluções para casos de perda auditiva”, refere Dulce Martins Paiva. 

mais bebés em LVT

Mais bebés e menor peso dos idosos na região de Lisboa e Vale do Tejo

Por | País

É verdade que a taxa bruta de natalidade está em queda em todo o País. Mas a região de Lisboa e Vale do Tejo tem contribuído para tentar mudar o cenário. Em 2016, nesta região, a taxa foi superior à média nacional: dos 83.005 bebés que nasceram em Portugal nesse ano, 35.080 (42%) vieram aumentar a população de Lisboa e Vale do Tejo.

Os dados integram o ‘Perfil Regional de Saúde 2017’, elaborado pelo Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, que revela que não só há mais bebés, como também aqui é menor a proporção de idoso.

Contas feitas, por cada 100 jovens existem 141 idosos, valor inferior aos dados gerais do País, que são de 154 idosos por cada 100 jovens. O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo é o mais envelhecido, com o máximo regional de 205 idosos por cada 100 jovens, enquanto o de Sintra se destaca por ser o mais jovem: 99,8 idosos por cada 100 jovens.

Mais bebés em Sintra, menos na zona Centro

Foi nos ACES de Lisboa Central e Lisboa Norte que se registou a maior taxa bruta de natalidade da região, com 11,9 bebés por 1.000 habitantes. Seguem-se os de Loures/Odivelas (11,3), Amadora (10,7) e Sintra (10).

Para além de ser aquele onde é maior a proporção de idosos, o ACES Médio Tejo é também aquele onde nasceram menos bebés: 6,8 por cada 1.000 habitantes.

Mães adolescentes vs mães com mais de 35

Ainda que o número de adolescentes recém-mamãs continue a ser superior à média nacional na região de Lisboa e Vale do Tejo onde, em 2016, por cada 100 partos 2,9 ocorreram em jovens com menos de 20 anos (no País são 2,6), tem sido progressivo o decréscimo deste indicador, já que em 2004/2006 a região registava 4,6% de nascimentos em adolescentes.

Em relação aos partos em mulheres com mais de 35 anos, a tendência de crescimento das últimas décadas mantém-se na região, com 31,6% no triénio de 2014/2016. Esta realidade acompanha a tendência nacional, que no mesmo período registou 30%.

Na lista dos ACES com mais mães jovens está o da Amadora, que por sua vez possui o menor número de parturientes com 35 ou mais anos. “Precisamente o inverso acontece com o ACES Lisboa Ocidental e Oeiras, que tem a maior proporção de mães mais velhas e a menor quantidade de adolescentes a dar à luz, o que indicia que os dois fenómenos podem estar interligados e relacionados com diversos fatores socioeconómicos”, revela o relatório.

Mulheres vivem mais do que os homens 

Na região analisada, a esperança de vida à nascença para ambos os sexos é igual à nacional, ou seja, 81,4 anos. E, tal como acontece também a nível nacional, também aqui as mulheres vivem mais do que os homens (seis anos, em média).

FPI, doença respiratória

Falta de equilíbrio, o maior responsável pelas quedas dos idosos

Por | Bem-estar

É o equilíbrio que nos impede de cair, mas ainda assim são poucos os que, revelam vários estudos, o associam à saúde. No entanto, é esta a função que previne a ocorrência de quedas, muitas das quais responsáveis por consequências irreversíveis para a saúde, sobretudo entre os mais velhos. 

De resto, de acordo com dados da Direção-Geral da Saúde, as pessoas com mais de 65 anos caem pelo menos uma vez por ano, sendo as quedas responsáveis por uma boa parte dos internamentos hospitalares, sendo consideradas o acidente doméstico mais frequente nos idosos.

E o resultado é, não raras vezes, a mobilidade reduzida ou a dependência de terceiros no que diz respeito à movimentação.

“São vários os casos que conheço em que as quedas, em idade sénior, acabam por limitar, ou travar por completo, os movimentos e deslocações diárias”, refere André Magalhães, especialista de mobilidade da Stannah.

“A principal forma de evitar este problema passa pela aposta na prevenção, através da realização de exercícios simples que fortalecem o equilíbrio, como aulas de dança, natação, pilates ou apenas vários movimentos de 30 segundos de equilíbrio em cada perna de forma alternada.”

O especialista recomenda, por isso, que “assim que forem sentidos ou diagnosticados os primeiros sinais de perda de equilíbrio em idade sénior” sejam adotadas soluções que dão apoio ao equilíbrio, como as scooters de mobilidade ou nos elevadores de escadas.

Estabilidade do corpo depende de vários sistemas

De acordo com o estudo How does the balance system work, realizado pela Academia norte-americana de Fisioterapia Neurológica, o nosso sentido de equilíbrio depende de vários sistemas que trabalham em conjunto para criar a estabilidade do corpo e visão.

Entre estes estão o sistema visual, uma vez que a visão ajuda-nos a perceber onde a cabeça e o corpo estão em relação ao espaço que nos rodeia, o muscular, com os tendões e articulações que ajudam o cérebro a saber como os pés e pernas são comparados com o corpo e os ombros e o sistema sensorial do nosso ouvido interno, responsável por informar o cérebro sobre os movimentos e posição da cabeça.