cuidador

Seis em cada 10 cuidadores informais desconhecem o estatuto criado para os apoiar

Por País

Foi no final do ano de 2019 que os cuidadores informais em Portugal viram finalmente os seus direitos reconhecidos, através da criação de um estatuto que se destina a reforçar a sua proteção. No entanto, mais de um ano depois, cerca de 6 em cada dez (59,1%) cuidadores informais desconhecem a existência do Estatuto do Cuidador Informal. E, dos 40% dos inquiridos no estudo realizado pelo Movimento dos Cuidadores Informais que de facto o conhecem, a esmagadora maioria (77,2%) considera-o incompleto.

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doentes satisfeitos com IPO Lisboa

Doentes satisfeitos com o IPO Lisboa

Por País

Os doentes em tratamento no Instituto Português de Oncologia de Lisboa (IPO Lisboa) confiam nos profissionais de saúde, sentem-se seguros e reconhecem a qualidade do trabalho desenvolvido, apreciam o conforto dos serviços de internamento, sente-se respeitados e estão muito satisfeitos com a assistência e o acompanhamento que recebem. Quem o diz são os próprios, na sequência da resposta ao Inquérito de Satisfação dos Utentes realizado no final de 2018.

Foram, ao todo, contabilizadas 929 respostas de doentes do internamento e do ambulatório, 56% dos quais mulheres. Metade vive no distrito de Lisboa, 45% têm o ensino secundário e 22% têm nível de ensino superior. Quase três em cada 10 (28%) vão ao IPO Lisboa entre uma a seis vezes por ano, 12% duas a três vezes por mês e 8% uma vez por semana.      

Além do grau de satisfação, o questionário distribuído visa avaliar as necessidades e as expectativas dos utentes. E nesta matéria, as principais sugestões passam por um atendimento telefónico mais rápido e eficiente, realização das consultas médicas às horas marcadas e reforço do número de profissionais nalguns setores.

Curiosamente, nas propostas que fazem, alguns doentes referem mesmo que é urgente “desbloquear” as contratações de pessoal e remunerar melhor os recursos humanos do setor público da saúde, pois “nestas condições é humanamente impossível fazer mais”.      

Pedida melhoria na comunicação médico/doente no IPO Lisboa

De entre as áreas avaliadas, destacam-se também a relação com os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos, administrativos, assistentes operacionais) e a qualidade e a segurança dos atos clínicos e administrativos, todos com índice de satisfação que varia entre os 90 e os 98%.

Quanto à informação prestada pelos diferentes grupos profissionais, mais de 80% consideram-se satisfeitos, mas a melhoria da comunicação médico/doente é um dos pontos onde muitos utentes desejam ver melhorias.            

Os doentes pedem ainda salas de espera mais confortáveis e acolhedoras, menos tempo no transporte residência/hospital/residência, mais conforto e privacidade no Hospital de Dia e no Serviço de Atendimento não Programado, mais informação na área da nutrição/alimentação, aumento do número de lugares de estacionamento e melhoria dos arruamentos.      

No geral, a limpeza, o conforto e a privacidade das instalações também merecem uma avaliação muito positiva. Já a sinalética é considerada boa, tendo vários doentes sinalizado a necessidade de melhorar a informação sobre a localização de alguns serviços, no interior do IPO Lisboa.      

identificar a dor

Estudo apela a reforço e mudança no ensino da dor aos futuros médicos

Por Investigação & Inovação

A dor é considerada o 5.º sinal vital, mas nem assim muitos dos futuros médicos lhe dão a atenção devida. É o que prova um estudo, publicado na Acta Médica Portuguesa, que confirma a necessidade de mudanças nos currículos, “para que os futuros médicos desenvolvam competências e combatam o sofrimento ‘evitável’ dos seus doentes”.

O objetivo do trabalho era conhecer a opinião dos estudantes finalistas de Medicina e dos internos do ano comum sobre o ensino da dor crónica nas oito escolas médicas portuguesas. Para isso, recolheram-se inquéritos feitos a 251 alunos, 142 dos quais finalistas e 109 internos.

E foi a avaliação dos mesmos que permitiu verificar que embora a maioria considere a dor como o 5.º sinal vital, quase uma em cinco pessoas pensam que esta só deve ser avaliada se o doente se queixar.

Para a maioria dos inquiridos, a falta de avaliação da dor nas consultas ou internamentos resultava da ausência de queixas, com mais de um terço a indicar como motivo “a falta de conhecimento médico”.

O estudo conclui que “o ensino da dor crónica é disperso, pouco estruturado e opcional. Para 98,4% da amostra é relevante haver mais educação sobre a dor crónica”, que deverá ocorrer no 5.º ano do curso médico, com mais de 15 horas, sendo ainda “aconselhados estágios em consultas de dor crónica”.

Destaca a necessidade, por parte das escolas de medicina, de fornecerem mais educação sobre a dor crónica no currículo de graduação e um maior investimento nesta área, capaz de criar o “conhecimento indispensável para uma realidade transformadora. A visão dos futuros médicos vai, por isso, mudar; eles vão sentir-se empoderados e irão contribuir para combater o sofrimento evitável dos seus doentes”.

E apesar do tamanho e da qualidade da amostra deste trabalho não permitir uma generalização dos resultados, é um indicador importante do estado da atenção dada à dor pelos profissionais de saúde.

a saúde dos portugueses

Menos de metade dos portugueses considera que a sua saúde é boa

Por Bem-estar

Na hora de classificar o seu estado de saúde, a maioria dos europeus considera-o bom ou muito bom. Mas os portugueses estão entre os que menos o considera.

Os dados são do gabinete de estatísticas da União Europeia (Eurostat) e mostram que, ao todo, 70% dos residentes na União Europeia (UE) estavam satisfeitos, em 2017, com a sua saúde, percentagem que contrasta com o reverso da medalha: menos de um em dez (8%) avaliou o seu nível de saúde como mau ou muito mau, valor que sobe, entre os portugueses, para os 13,2%. 

Portugal destaca-se então na causa da tabela, com apenas 49% dos cidadãos nacionais a considerarem bom o seu estado de saúde. Ainda assim, é da Lituânia e Letónia (ambos com 44%) que chegam os piores resultados, seguindo-se a Estónia (53%), Polónia e Hungria (ambos com 59%).

A classificação inclui cinco níveis de autoperceção do estado de saúde: muito bom, bom, regular, mau e muito mau.
Entre os Estados-Membros da UE, a percentagem mais elevada da população com 16 anos ou mais que considerou a sua saúde como boa ou muito boa encontrava-se na Irlanda (83%), Chipre (78%), Itália e Suécia (ambos 77%).

Homens vs mulheres

São os homens que, na UE, mais percecionam a sua saúde como boa. Ao todo, 72% dos homens com 16 anos ou mais classificaram desta forma o seu estado de saúde, em comparação com 67% das mulheres.

Uma disparidade que pode ser vista em todas as faixas etárias, sendo maior a lacuna entre os que têm 65 anos ou mais: 45% dos homens dizem-se de boa saúde, contra 39% das mulheres.

Em Portugal, a tendência é a mesma, com 56,4% dos elementos do sexo masculino a considerarem que a sua saúde está bem, para 47,3% das mulheres.

A percentagem da população que avaliou a sua saúde como boa ou muito boa tende a diminuir com a idade. Mais de 88% da população masculina com idade entre 16 e 44 anos sentem-se bem, diminuindo para 69% nos homens com idade entre 45 e 64 anos e diminuiu ainda mais, para 45%, entre os homens com mais de 65 anos.

uso de telemóveis na saúde

Estamos mais cansados e menos produtivos por causa dos telemóveis

Por Bem-estar

Tem dificuldade em dormir? Sente-se menos produtivo? A culpa pode ser dos telemóveis, ou melhor, dos maus hábitos associados ao seu uso.

De acordo com um novo estudo, realizado por investigadores da Universidade de Tecnologia de Queensland, uma em cada cinco mulheres e um em cada oito homens estão a perder o sono devido ao tempo passado com estes aparelhos.

No ano passado, os especialistas colocaram um grupo de questões a 709 utilizadores australianos de telemóveis, com idades entre 18 e 83 anos, as mesmas já antes feitas em 2005.

Comparadas as respostas, verificou-se um aumento significativo do número de pessoas que culpavam os seus telefones pelas noites mal dormidas, que os tornavam menos produtivos, mais descuidados ao volante e com mais dores.

De acordo com Oscar Oviedo-Trespalacios, um dos investigadores principais do trabalho, “24% das mulheres e 15% dos homens podem ser classificados como utilizadores problemáticos de telemóveis”.

Percentagem que dispara quando se trata dos jovens entre os 18 e os 24 anos (40,9%), com 23,5% dos entrevistados de 25 a 29 anos a sofrer da chamada ‘tecno-interferência’.

Os participantes foram também questionados sobre os seus hábitos de condução, com os investigadores a encontrar uma correlação entre o uso problemático de telefones na estrada e fora desta.

Uma forma de fuga à realidade

Segundo os dados recolhidos, uma em cada cinco mulheres (19,5%) e um em oito homens (11,8%) perdem agora o sono devido ao tempo ‘agarrados’ ao telemóvel, contra 2,3% das mulheres e 3,2% dos homens em 2005.

A produtividade diminuiu para 12,6% dos homens em resultado do tempo gasto com estes aparelhos. Catorze por cento das mulheres sentiam o mesmo.

Um hábito que se justifica com a necessidade de estarem contactáveis. Contas feitas, 54,9% das mulheres acreditam que os seus amigos iriam achar difícil entrar em contacto com elas se não tivessem um telemóvel, pensamento partilhado por 41,6% dos homens.

O telemóvel é, de acordo com 8,4% das mulheres e 7,9% dos homens, responsável pelas suas dores. E é também uma forma de escape, uma vez que 25,9% das mulheres e 15,9% dos homens dizem que há momentos em que preferem usar o telemóvel do que lidar com questões mais prementes. 

Impacto dos telemóveis cada vez maior

Oviedo-Trespalacios considera que este estudo mostra um padrão interessante de “tecno-interferência”.

“Quando falamos do tema, estamos a referir-nos às intrusões e interrupções diárias que as pessoas sentem devido aos telemóveis e ao seu uso”, refere o especialista.

“A nossa investigação verificou que a tecno-interferência aumentou entre homens e mulheres, em todas as idades. E os relatos associados à perda de sono e produtividade mostraram que estes resultados negativos aumentaram significativamente nos últimos 13 anos.”

“O que sugere que os telemóveis estão potencialmente a afetar cada vez mais aspetos do funcionamento diurno devido à falta de sono e ao aumento do abandono de responsabilidades”, acrescenta.