videojogo para investigadores

Videojogo ajuda na investigação da doença de Alzheimer

Por Investigação & Inovação

E se o diagnóstico da doença de Alzheimer pudesse ser feito através de um jogo de vídeo? Esta é a premissa de um novo estudo, que investiga a doença.

Como é que encontramos o caminho de casa? Porque é que há quem nunca se perde? Porque é que o sentido de orientação não é igual para todos? Está associado a características genéticas ou é determinado por fatores culturais? Para responder a estas perguntas, foi criado um videojogo jogado, até agora, por quatro milhões de pessoas.

Criado por Antoine Coutrot, investigador do Centre National de la Recherche Cientifique, em França, e por colegas da University College London e da University of East Anglia, as estratégias implantadas para ter sucesso nas diferentes missões do videojogo representam o equivalente a 10.000 anos de dados recolhidos em laboratórios através dos métodos tradicionais.

Mas de que forma é que jogar este videojogo traduz o que acontece na vida real? Para confirmar a sua hipótese inicial, os investigadores compararam o desempenho de orientação em voluntários masculinos e femininos de todas as idades, tanto no mundo real quanto no virtual, em Paris e Londres.

E os seus resultados, publicados na revista PLoS ONE, validam esta teoria: o desempenho de navegação virtual está fortemente a par com aquele que se verifica no mundo real.

Potencial para diagnóstico antes dos sintomas

No passo seguinte do trabalho, os especialistas compararam os resultados dos jogadores do Sea Hero Quest que não aparentavam risco de demência, com os que, embora não sofrendo deste problema, apresentavam uma maior probabilidade de desenvolver a doença de Alzheimer, pode serem portadores de alelos de um gene associado à doença.

E concluíram que, quando comparando com jogadores da mesma idade, sexo e país de origem, as alterações nos hábitos de navegação foram evidenciadas mesmo antes dos sintomas clínicos da doença de Alzheimer terem surgido.

Estes resultados mostram, pela primeira vez, como um teste cognitivo digital em grande escala pode ter o potencial de detetar, de forma precoce, a doença de Alzheimer e ajudar a criar testes personalizados para o dagnóstico da doença em indivíduos que não apresentam sintomas clínicos.