Portugal sem estratégia de medicina de precisão, que assegure rapidez e eficácia dos diagnósticos

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É um conceito cada vez mais na ordem do dia, até porque nunca como agora foi tão claro que o estado de saúde de cada indivíduo depende de múltiplas variáveis. Porque o mesmo tratamento não serve para todos, a medicina de precisão, que o aborda, assim como à prevenção tendo em conta essas especificidades, tornou-se o futuro da medicina, um futuro cada vez mais presente. É assim na Europa e fora desta, mas não é ainda assim em Portugal, onde não existe uma estratégia nacional para a sua implementação. 

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gestores dos hospitais debatem o modelo atual

Gestores dos hospitais europeus juntam-se em Portugal para debater modelo atual

Por País

Numa época de desafios na área da saúde, um dos seus protagonistas, os hospitais, pela voz dos seus administradores, vão discutir as dificuldades e conquistas do setor, no 27th European Association of Hospital Managers (EAHM) Congress, que este ano se realiza em Portugal.

Entre os dias 26 e 28 próximos, os mais prestigiados especialistas internacionais vão debater a redefinição do papel dos hospitais, cujo modelo de organização tem mais de 50 anos.

Um modelo que, segundo Alexandre Lourenço, Presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), “tem vindo a descurar as alterações que têm sido sentidas a nível de inovação tecnológica, digital, e dos perfis demográficos da população, sendo que, em muitos aspetos, ainda se continua a seguir a atividade pela tradição ou pelo costume, em detrimento do conhecimento”.

O especialista considera que “o modelo organizacional é cada vez mais visto como não confiável, inseguro e propenso ao erro e não é esse o rumo que queremos seguir. Os gestores de serviços de saúde necessitam de ser dotados de maiores conhecimentos e competências, passando necessariamente pela profissionalização e avaliação transparente”.

Um tema de importância acrescida para Portugal, “porque quando tentamos evoluir e acompanhar as tendências internacionais somos travados pela restrição financeira e falta de autonomia imposta aos hospitais públicos”.

Debate para além do setor

Para debater todas as matérias fulcrais que permitam “desenvolver um novo método de gestão de serviços de saúde focado nas pessoas, nas suas expectativas e necessidades, e em todos stakeholders”, o evento apresenta um programa que inclui cinco sessões principais, variados cursos e workshops e conta com mais de uma centena de intervenientes.

Comissão Europeia, Organização Mundial de Saúde e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico são apenas algumas das instituições que vão estar representadas no congresso, uma vez que, explica Alexandre Lourenço, “os desafios que enfrentamos como setor não podem ser somente respondidos por nós. Temos de envolver outros parceiros da rede social e da saúde para, em articulação, promovermos e implementamos estratégias inovadoras, e ao mesmo tempo realistas, de saúde populacional”.

Hospitais à procura da inovação

Os organizadores do congresso prepararam ainda, em parceria com a Agência Nacional de Inovação, e com o apoio da Enterprise Europe Network e da Comissão Europeia, dois momentos que promovem a cooperação entre empresas inovadoras e os hospitais: “a iniciativa Hospital Innovation Brokerage Event, onde teremos startups a apresentar as suas ideias de negócios e a iniciativa eHealthRoadshow 2018, com pequenas e médias empresas de toda a Europa a ser aconselhadas por um painel de reputados peritos europeus”.

Este ano, o Congresso fará, pela primeira vez, o envolvimento dos países de língua portuguesa através do workshop “Gestão em saúde nos países de língua portuguesa”.

Este momento será pioneiro na criação de laços de cooperação, na gestão em saúde, nos Países de Língua Portuguesa, tal como a implementação de um fórum de discussão participativo e de uma plataforma comum que promova a partilha de experiências e de boas práticas, na gestão em saúde, no seio da qual possam ser geradas sinergias futuras.