casos de tuberculose

Especialistas querem eliminar a tuberculose até 2045

Por Investigação & Inovação

A tuberculose pode ser tratada, prevenida e curada, mas mata 1,6 milhão de pessoas todos os anos, mais pessoas do que qualquer outra doença infecciosa. A boa notícia é que é possível ter um mundo livre de tuberculose até 2045, isto se a vontade política e os recursos financeiros forem direcionados para áreas prioritárias.

Em vésperas do Dia Mundial da Tuberculose, que se assinala no próximo dia 24, um relatório da Comissão The Lancet dá conta da necessidade de aumentar os esforços e implementar medidas para acabar de vez com a doença. 

“Este relatório é otimista sobre o fim da tuberculose, uma doença que é evitável, tratável e curável. No entanto, não há espaço para complacência no nosso trabalho e devemos agir rápida e estrategicamente para salvar da doença a próxima geração”, refere o comissário-chefe Eric Goosby, enviado especial das Nações Unidas sobre a Tuberculose.

Tratar 40 milhões de pessoas

A tuberculose continua a ser a principal causa de morte infecciosa do nosso tempo, responsável por 1,6 milhões de mortes em todo o mundo em 2017, com formas da doença resistentes a medicamentos que ameaçam os esforços de controlo em muitos países.

No mesmo ano, cerca de um quarto da população mundial vivia com infeção por tuberculose.

Em Portugal, de acordo com os dados mais recentes, a incidência é de 17,5 casos por cada cem mil habitantes, valor superior ao verificado na União Europeia, onde se fica pelos 10,7 por cada cem mil pessoas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, pela primeira vez, a tuberculose como uma crise de saúde pública em 1993 e, em 2018, a primeira Reunião de Alto Nível da ONU sobre o tema tornou-a uma prioridade global.

O que incluiu metas ambiciosas para tratar 40 milhões de pessoas e evitar 30 milhões de novos casos entre 2018 e 2022.

É nesse sentido que a Comissão Lancet faz recomendações de políticas e investimentos para os países com números mais altos de tuberculose, um trabalho realizado por 37 comissários de 13 países, que inclui análises económicas e modelagem de intervenções para enfrentar os desafios do tratamento.

Definição de prioridades

A primeira prioridade para a maioria dos países é garantir a disponibilidade de testes e tratamentos de diagnóstico de elevada qualidade a todas as pessoas com a doença.

Muitos, sobretudo os com menos recursos, não têm acesso ou conseguem pagar pelos serviços e os sistemas de saúde são frequentemente lentos quando se trata de identificar e investigar casos, o que significa que os doentes não fazem o tratamento completo ou recuperam.