profissões que mais 'castigam' a coluna

As profissões que mais ‘castigam’ a coluna

Por Bem-estar

Dores nas costas há muitas e ainda que os motivos possam ser diferentes, o trabalho costuma ser uma das causas mais prováveis, confirma Luís Teixeira, médico ortopedista. O mesmo que enumera as profissões que mais marcas deixam na coluna e dá conselhos para minimizar os problemas.

A lista é da North American Spine Society e inclui profissões que, à partida, até parecem inofensivas para a coluna. Mas não se deixe enganar. E siga estes conselhos, até porque a mudança de trabalho pode nem sempre ser uma opção.

Motoristas

“As profissões que obrigam o trabalhador a passar várias horas atrás de um volante são talvez as mais problemáticas para a coluna”, adianta o ortopedista.

“Motoristas de camiões e até condutores de empresas car-sharing passam demasiado tempo sentados em posições inadequadas e, muitas vezes, têm também de carregar com excesso de peso de bagagens e mercadorias.”

Para reverter a situação, antes de começar a viajar:

  • “Ajuste o banco a um ângulo de 100 graus para evitar que as costas estejam mal posicionadas.”
  • “Sente-se perto o suficiente do volante para garantir que os seus cotovelos e joelhos estão ligeiramente fletidos.”
  • “Utilize também uma almofada para dar um apoio extra à zona lombar.”

Dentistas ou Cirurgiões

“Para além de passarem demasiado tempo na mesma posição, os dentistas e cirurgiões têm de mudar várias vezes a posição do seu pescoço, virando e torcendo a região cervical, provocando imensa pressão na coluna, além de terem uma postura que exige um posicionamentos prolongados”, explica.

“É por isso que muitos destes clínicos sofrem, desde muito cedo, de problemas nas costas e no pescoço.” 

Reverter a situação é possível:

  • “Utilize sistemas de iluminação e ampliação, que permitem um campo de visão mais próximo do médico, possibilitando que o relaxamento do seu pescoço, evitando dente modo a sobrecarga nestas articulações.”
  • “No caso dos dentistas, se tiverem cadeiras com apoio para os braços, devem utilizá-las de forma a garantir maior suporte aos membros superiores, evitando esforços exagerados.”

Trabalhadores da Construção Civil

Pesos, maquinaria pesada e vibrações que percorrem todo o corpo são alguns dos desafios que estes profissionais enfrentam ao longo do dia. “Os movimentos que estes operários diariamente fazem (pesos, tensões exageradas, falta de descanso) provocam demasiada pressão muscular, levando a distensões, entorses e danos mais permanentes, a longo prazo”, explica Luís Teixeira. 

Para minorar as consequências, há que ter cuidados:

  • “Se tiver de levantar um material com mais de 20 ou 25 quilogramas, peça ajuda a um colega ou use um carrinho.”
  • “Tenha muita atenção à forma como pega nos objetos e tente distribuir o seu peso uniformemente.”
  • “Utilize também equipamentos com pegas para que possa transportar os objetos com maior segurança.”

Trabalhadores de Escritório

Também no escritório há perigos, mais discretos mas nem por isso menos inócuos. “O simples facto de passar o dia sentado a olhar para o computador pode provocar imensos problemas na coluna por se encontrar sempre na mesma posição”, garante o clínico. 

  • “Opte por fazer intervalos, de hora a hora, levantar-se, realizar alongamentos ou por fazer pausas para atender o telefone enquanto caminha.”
  • “Não se sente demasiado relaxado.”
  • “Mantenha as ancas alinhadas na cadeira e os calcanhares devidamente apoiados no chão.”
  • “Coloque uma almofada na zona lombar, procure que a sua cadeira tenha apoio de braços e que o seu computador esteja ao nível dos olhos para que o pescoço não esteja inclinado.”

Mãe a tempo inteiro

Ficar em casa não é um descanso. Pelo contrário, com as dores nas costas a serem um problema frequente. “Andar sempre com uma criança ao colo e com uma mala pesada e carregada de biberons, brinquedos, fraldas e tudo o que o bebé precisa pode forçar muito a coluna”, explica o ortopedista.

Para aliviar a pressão nos ombros, pescoço e costas:

  • “Use uma mochila com alças largas e resistentes para transportar tudo o que precisa para o bebé, distribuindo o peso de forma mais uniforme.”
  • “Invista também num sling ou numa mochila tipo marsúpio para transportar a criança de forma mais ergonómica e confortável para ambos.”

Mecânicos

“Trabalhar com carros exige que os mecânicos mudem várias vezes para posições incomodas (principalmente as costas), de forma a conseguirem observar atentamente todas as zonas de um veículo”, garante o ortopedista. “Este tipo de movimentos provoca não só dores mas também lesões nas costas.”

Aqui, recomenda-se que:

  • Estejam sempre o mais próximo possível da viatura e da peça em questão, “para evitar ter de esforçar demasiado os músculos, tendões, articulações e ossos em redor de toda a coluna vertebral”.

Empregados de Armazém

Caixas, caixotes e pesos vários são uma realidade constante na vida de um empregado de armazém, o que exige demasiada pressão na zona da coluna, tal como explica o ortopedista. “Estes funcionários, ao carregarem pesos tão elevados, estão suscetíveis a sofrer várias lesões repentinas ao nível coluna.”

Para prevenir acidentes, deve sempre tomar todas as precauções necessárias antes de segurar numa caixa ou caixote e pensar sempre qual a melhor forma para proteger as suas costas. 

Enfermeiros

“A enfermagem é uma das profissões mais desgastantes tanto a nível físico como psicológico”, avança o ortopedista.

“Os enfermeiros passam grande parte dos turnos de pé e a andar, enfrentando elevados níveis de stress, para além de muitas vezes terem de levantar, transportar e assistir os seus doentes durante alguns procedimentos, o que provoca muita pressão no pescoço e coluna, deixando estas zonas mais vulneráveis.”

De maneira a evitar lesões:

  • Durante as pausas, os enfermeiros devem massajar a zona da coluna. “Enrole os ombros, mexa o pescoço e estique os braços para ajudar a aliviar a pressão nestas zonas.”
  • “Se estiver a ter um dia particularmente stressante, procure um sítio calmo onde possa alongar durante alguns minutos para aliviar e reduzir a tensão no corpo.”
  • A prática desportiva, é um complemento muito importante nestes casos.

Risco de cancro de pele varia para as profissões ao ar livre

Por Cancro

Com o verão a chegar, redobram-se os avisos sobre a exposição à radiação ultravioleta, um dos principais fatores de risco para o cancro de pele. Um novo estudo da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia descobriu que diferentes profissões ao ar livre apresentam diferentes riscos para este problema.

Da investigação, que contou com 563 participantes (47% das quais mulheres), fizeram parte 348 pessoas que trabalham ao ar livre (39% desempenhavam tarefas na agricultura, 35% eram jardineiros e 26% tinham a profissão de guias de montanha) e 215 que desempenham as suas funções no interior.

E o risco é diferente, não só entre quem trabalha ao ar livre e em escritórios. Mesmo para quem passa os dias na rua, a função desempenhada faz-se acompanhar por um risco diferente.

Ao todo, foram diagnosticados com cancro de pele (não melanoma) 33,3% dos guias de montanha, 27,4% dos agricultores, 19,5% dos jardineiros e 5,6% das pessoas que trabalhavam no interior.

Ajustar a proteção ao risco de cancro de pele

As diferenças não se ficam por aqui. Quando se olha para as taxas de rastreio para o cancro de pele, verifica-se que aqueles que costumam trabalhar entre quatro paredes preocupam-se mais (61,4% tinham feito rastreios) do que aqueles que passam a maior parte do seu dia ao sol.

De facto, para os guias montanha, a percentagem de rastreio era de 57,8%, descendo no caso dos agricultores (31,9%) e dos jardineiros (27,6%).

No que diz respeito à exposição diária à radiação ultravioleta durante o tempo de trabalho e ao comportamento associado ao uso do protetor solar no horário laboral, a investigação europeia deu também conta da existência de diferenças. De tal forma que os especialistas sugerem mesmo a necessidade de adaptar os esforços de prevenção às diferentes profissões, com base nas suas necessidades individuais, o que poderia ajudar a reduzir a carga global desta doença.

“A altitude e o número de horas de trabalho fora parecem fazer a diferença”, afirma Alexander Zink, primeiro autor a investigação e especialista da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha.

“Ajuste a sua proteção solar de acordo com isso!”