progeria, envelhecimento precoce

Mais perto de uma cura para doença do envelhecimento precoce

Por Investigação & Inovação

Em 1996, a ficção tentava imitar a realidade com um filme, realizado por Francis Ford Coppola, que contava a história de Jack, uma criança que envelhecia mais depressa na sequência de uma doença genética rara. A história de Sammy, diagnosticado com progeria, problema que causa envelhecimento precoce, também dava um filme. É para que este tenha um final feliz que um grupo de investigadores propõe, pela primeira vez, um tratamento com efeitos permanentes, que atua diretamente sobre o gene alterado.

Sammy tem hoje 23 anos, ainda que, quando nasceu, os médicos não esperassem que vivesse para além dos 13. Com seis meses de vida, uma “forte desaceleração no crescimento” motivou preocupação, sem que nada tivesse sido detetado. 

Em 1998, com dois anos, Sammy foi submetido a um exame genético, que deu nome ao problema que lhe mudava a vida: progeria, uma doença rara, que se caracteriza pelo aparecimento, na infância, de alterações associadas ao envelhecimento, que acabam por levar à morte prematura dos doentes.

Na altura, não havia cura ou investigação sobre o tema. Só em 2003 é que o gene que causa a doença foi descoberto e só agora é que investigadores, nesta caso da Universidade de Oviedo e do Instituto Salk, na Califórnia, deram um passo importante no sentido da cura.

A publicação de dois estudos independentes, na revista Nature Medicine, dá conta de uma terapia baseada em genes, para o tratamento da síndrome do envelhecimento acelerado Hutchinson-Gilford.

Aumentar a esperança de vida e travar o envelhecimento

Carlos López-Otín, professor da Universidade de Oviedo, explica em comunicado que esta é uma doença causada por uma mutação num gene chamado LMNA, que causa a acumulação de uma proteína tóxica no núcleo das células.

Apesar de existirem alguns tratamentos disponíveis, que permitem atrasar de forma limitada a progressão do envelhecimento, este será o primeiro com efeitos permanentes, atuando diretamente no gene mutado.

“O objetivo é modificar o gene LMNA para evitar a produção da proteína tóxica”, confirma Izpisúa-Belmonte, outros dos investigadores. Os resultados, esses passam pelo aumento da expectativa de vida e melhoria dos sintomas do envelhecimento acelerado. 

Até agora, esta novidade apenas foi testada em modelos animais. Mas a expectativa dos especialistas é grande e a esperança de que, em breve, venha a ser realidade junto dos doentes também.

Progeria – Tratamento prolonga a vida das crianças com doença rara de envelhecimento rápido

Por Atualidade

Progeria é uma doença muito rara e fatal, que causa envelhecimento precoce. De tal forma que as crianças com progeria, ou síndrome de Hutchinson-Gilford, costumam morrer de doença cardíaca tipicamente associada à velhice com idade média de 14 anos. Mas um novo estudo, publicado no Journal of American Medical Association (JAMA), vem dar esperança a estes doentes.

Tudo graças a um inibidor da farnesiltransferase (FTI), originalmente desenvolvido como uma potencial terapêutica para o cancro, que ajuda a prolongar a sobrevida destas crianças.

Os investigadores do Boston Children’s Hospital e da Brown University acompanharam mais de 250 crianças de vários continentes para demonstrar uma ligação entre este tratamento e uma sobrevida prolongada. E confirmaram que o tratamento isolado com este medicamento foi associado a uma taxa de mortalidade significativamente menor (3,7% vs. 33,3%), após uma mediana de 2,2 anos de seguimento.

Abrandar o envelhecimento

A progeria é provocada por uma mutação genética, que resulta no excesso de uma proteína denominada progerina. A acumulação de progerina no interior de uma célula é tipicamente observada no envelhecimento normal, mas a taxa de acumulação é altamente acelerada na progeria, causando danos celulares progressivos, o que tem como resultado doença cardíaca aterosclerótica. O que este FTI faz é inibir a farnesiltransferase, uma enzima que facilita a produção de progerina e impede que a proteína mutante se incorpore na parede celular, onde provoca muitos dos seus danos.

No ensaio clínico, 27 crianças com progeria receberam o medicamento oral (150 mg/m2), duas vezes ao dia, em regime de monoterapia. O braço de controlo deste estudo consistiu em crianças com a doença, com idade, sexo e continente de residência semelhantes aos dos doentes que não fizeram parte do ensaio clínico e, portanto, não receberam o FTI. O estudo foi financiado pela The Progeria Research Foundation (PRF), uma organização sem fins lucrativos

“O meu laboratório fez algumas das investigações originais sobre modelos celulares e de ratos que mostraram o potencial benefício desta classe de medicamentos para a Progeria”, afirma Francis S. Collins, diretor do National Institutes of Health.

“Foi encorajador ver esses resultados traduzidos num ensaio clínico. E, mais ainda, demonstrar a eficácia dos tratamentos nesta pequena população de crianças com esta doença fatal rara é um grande desafio. Assim, estou especialmente entusiasmado com estas descobertas mais recentes”, acrescenta Collins.

“Este estudo, publicado no JAMA, mostra pela primeira vez que podemos começar a travar o processo de envelhecimento rápido nas crianças com progeria”, confirma Leslie Gordon, co-fundadora e diretora médica da PRF, e principal autora do estudo. “Estes resultados dão novas promessas e geram otimismo para a comunidade da Progeria”, afirma.

O trabalho continua

Até ao momento, a PRF financiou quatro ensaios clínicos e centenas de estudos científicos destinados a descobrir novos tratamentos e a cura para crianças com progeria. Estudos anteriores patrocinados pela PRF associaram este inibidor da farnesiltransferase a melhorias nos desfechos clínicos associados à aterosclerose e ao acidente vascular cerebral, duas características da doença.

A progeria ocorre numa em cada 20 milhões de pessoas, com quase 110 crianças identificadas através do Registo International da Progeria da PRF, estimando-se a existência de mais de 250 não diagnosticadas em todo o mundo. A PRF procura encontrar e ajudar todas as crianças com progeria.

“Na PRF, estamos a trabalhar de forma incansável para financiar novos avanços científicos para crianças que vivem com a progeria. Este estudo mostra que os ensaios clínicos realizados hoje são a nossa melhor esperança de salvar estas crianças no futuro”, refere Meryl Fink, presidente e diretora executiva da PRF.

“Com base nos resultados promissores deste estudo, temos uma sensação de urgência mais forte do que nunca. O marco de hoje assinala um novo começo para estas crianças e as suas famílias. Todos os dias e todos os momentos contam. O objetivo da PRF é encontrar a cura para a Progeria e este estudo dá mais um passo na direção dessa meta.”

Sobre a Progeria Research Foundation

A Progeria Research Foundation (PRF) foi criada em 1999 para encontrar a causa, tratamentos e cura para a progeria – uma doença que causa envelhecimento prematuro nas crianças levando à morte por doença cardíaca ou AVC numa idade média de 14 anos. A pesquisa realizada em parceria com a PRF identificou o gene que causa a doença, o tratamento e vários possíveis candidatos ao tratamento para cada ensaio clínico em progresso ou planeado.