doença de Alzheimer

Cientistas dizem ter criado um exame para diagnóstico inicial de Alzheimer

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Um exame ao sangue capaz de diagnosticar a doença de Alzheimer nas fases iniciais da mesma, em doentes sem sintomas, é o que promete um grupo de investigadores de várias instituições na Coreia do Sul.

A doença de Alzheimer é uma doença que envolve uma variedade de sintomas, sobretudo perda de memória. Os muitos trabalhos feitos sobre o tema revelaram que existe uma acumulação de um peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro dos doentes.

Peptídio esse que, também segundo investigações anteriores, é capaz de se mover do cérebro para a corrente sanguínea, o que sugere que um exame de sangue pode ser desenvolvido como forma de identificar este problema.

Uma ideia que, no entanto, não teve resultados, uma vez que não foi possível determinar se os níveis de Aβ no sangue realmente revelam que a doença está presente. Neste novo esforço, os investigadores acreditam ter encontrado uma forma de alterar o Aβ encontrado em amostras de sangue, por forma a revelar a sua presença.

Os resultados são animadores. No estudo, agora tornado público, os cientistas garantem que a técnica por eles usada distingue, de maneira confiável, os doentes diagnosticados e aqueles que faziam parte de um grupo de controlo.

Mostraram também que a técnica poderia ser usada como forma de monitorizar a progressão da doença de Alzheimer.

Apesar da investigação estar ainda a decorrer, os especialistas estão a fazer planos para que a sua técnica possa, dentro em breve, ser disponibilizada aos médicos na sua prática clínica.

custo de enfartes ou AVC

Custo real dos enfartes e AVC é o dobro do relatado

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O custo financeiro total de enfartes ou AVC é duas vezes superior aos custos médicos quando nesta conta se inclui o tempo de trabalho perdido pelos doentes e cuidadores, revela um novo estudo, que conclui ainda que estas vítimas são 25% menos produtivas no primeiro ano de vida após o regresso ao trabalho.

Publicado na European Journal of Preventive Cardiology, uma revista da Sociedade Europeia de Cardiologia, os dados revelam que, no ano seguinte ao evento, os doentes cardíacos perdem 59 dias úteis e os cuidadores 11 dias de trabalho, a um custo médio de €13.953, variando entre €6.641 e €23.160, de acordo com o país.

Após o AVC, são perdidos 56 dias de trabalho pelos doentes e 12 pelos cuidadores, a uma média de €13.773, que varia entre os €10.469 e €20.215.

Kornelia Kotseva, investigadora do Imperial College London, Reino Unido, e autora do estudo, explica que os doentes aqui avaliados “regressaram ao trabalho, o que significa que os seus eventos foram relativamente leves. Alguns ainda precisaram de mudar de emprego ou carreira, ou trabalhar menos, com os cuidadores a perderem cerca de 5% do seu tempo de trabalho. Não incluídos no estudo foram aqueles com eventos mais graves, que deixaram completamente de trabalhar e presumivelmente precisam de mais ajuda da família e amigos”.

Perda de produtividade fora das contas

O estudo envolveu 394 doentes de sete países europeus, 196 dos quais com síndrome coronária aguda (86% enfartes, 14% dor torácica instável) e 198 com acidente vascular cerebral, que regressaram ao trabalho três a 12 meses após o evento.

Os doentes, com idade média de 53 anos, preencheram um questionário durante uma visita a um cardiologista, neurologista ou outro especialista, tendo as horas perdidas sido avaliadas de acordo com os custos de trabalho do país em 2018. 

De acordo com as estimativas publicadas na Europa, os custos médicos diretos da síndrome coronária aguda estão entre €1.547 e € 8.642 e os do AVC entre €5.575 e €31.274. “Esta é a métrica normalmente usada para estimar os custos das condições médicas, enquanto os custos indiretos de perda de produtividade não são tidos em conta pelos médicos, pagadores ou decisores políticos”, Kotseva.

“Todos juntos, o ónus real para a sociedade é mais do que o dobro do valor relatado anteriormente.”

Prevenção, o melhor remédio

As razões para perda de produtividade foram consistentes entre os países: 61% foi devido à hospitalização inicial e licença médica após a alta; 23–29% à ausência do trabalho após a licença médica inicial (para consultas médicas e licença médica mais curta); 9 a 16% referiam-se à incapacidade de trabalhar em pleno, por não se sentirem bem.

“A perda de produtividade associada a eventos cardiovasculares é substancial e vai além do doente”, refere a investigadora.

“Prevenir a síndrome coronária aguda e AVC é a chave para melhorar a saúde e longevidade e evitar a miríade de custos que acompanham estes eventos. A verdadeira tragédia é que tantos enfartes e AVC poderiam ser evitados por não fumar, ser fisicamente ativo, comer saudavelmente e controlar a pressão arterial e o colesterol. A evidência não poderia ser mais forte.”

baga de arónia para o pequeno-almoço

Há uma baga capaz de aumentar o poder do seu pequeno-almoço

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É adepto de uma boa papa logo pela manhã? Então saiba que, para tornar este um pequeno-almoço à altura das preocupações com a saúde e bem-estar, há um ingrediente que lhe deve acrescentar: um super alimento chamado baga de arónia.

Doenças como diabetes tipo 2, cancro e doença cardíaca coronária são mais prevalentes do que nunca devido aos estilos de vida agitados e pouco saudáveis. O que faz aumentar a procura por superalimentos saudáveis ​​e que previnem doenças entre os consumidores preocupados com a saúde. Preocupação que tem contribuído para o nascimento de novas tendências dietéticas.

Fontes vegetais naturais ricas em antioxidantes podem ajudar a proteger o corpo contra doenças, assim como aumentar a eficiência física e mental. Por isso, os cientistas estão agora a desenvolver alimentos funcionais, como lanches, cereais matinais e papas com benefícios para a saúde que vão para além da nutrição normal.

Originárias da América do Norte, as bagas de arónia são uma das mais potentes em termos do seu conteúdo antioxidante. Para além da sua elevada concentração de antioxidantes, estão cheios de vitaminas e flavonóides, acreditando-se que tenham propriedades antienvelhecimento, fatores que só aumentam a sua popularidade.

No entanto, a capacidade antioxidante do fruto pode ser significativamente diminuída pelo calor ou pela oxidação durante o seu processamento. Agora, cientistas polacos descobriram que a baga de arónia é resistente ao calor durante o processo de produção das papas de milho.

Apresentada num artigo publicado na revista Open Chemistry, a investigação, feita pela autora Anna Oniszczuk e a sua equipa da Universidade de Medicina de Lublin, estudou a produção de papas de milho com quantidades variadas destas bagas.

E confirmou que o teor de antioxidantes e flavonóides das amostras de papa não se degradou durante o processo de produção, apesar das elevadas temperaturas usadas.

cuidado com o chá quente

Bebe chá muito quente? É melhor repensar esse hábito

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Como é que costuma beber o chá? Se é dos que o prefere a escaldar, saiba que as consequências podem ser bem mais graves que uma língua queimada. Não é a primeira vez que se fala sobre este assunto e é provável que não seja a última, mas fica novamente o alerta: preferir as bebidas muito quentes pode causar cancro.

Vários trabalhos anteriores tinham dado conta de uma associação entre o consumo de bebidas quente e o risco de cancro de esófago. Associação agora confirmada. 

Até ao momento, não havia nenhum estudo que tivesse examinado esta associação, usando para isso a temperatura das bebidas consumidas, neste caso chá. Uma medição aqui feita de forma objetiva.

Risco 90% superior

Publicado na revista científica International Journal of Cancerstudy, o trabalho inclui dados sobre 50.045 pessoas, com idade entre os 40 e os 75 anos, seguidas, em média, ao longo de 10 anos, tempo durante o qual foram identificados 317 novos casos de cancro do esófago.

E as contas feitas permitiram concluir que não é uma boa ideia beber chá – e quem diz chá, diz café ou qualquer outra bebida – a temperaturas capazes de queimar.

Comparado aqueles que ingeriram menos de 700 ml de chá por dia, a uma temperatura inferior a 60° C, os que o faziam, ou seja, que ingeriam mais de 700 ml diários  a 60° C ou mais apresentavam um risco 90% superior de cancro do esófago.

“Muita gente gosta de beber chá, café ou outras bebidas quentes. No entanto, de acordo com o nosso relatório, beber chá muito quente pode aumentar o risco de cancro do esófago”, confirma Farhad Islami, da American Cancer Society.

É, por isso, “aconselhável esperar até que as bebidas arrefeçam antes de as beber”.

doação de sangue

Reservas de sangue O negativo já só dão para quatro dias

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As reservas de sangue do tipo zero negativo (conhecido por O negativo), dador universal, estão em baixa. O alerta vem do Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST) que, à Rádio Renascença, revelou que, neste tipo de sangue, o País só tem reservas para quatro dias.

Para ser dador de sangue, as pessoas têm de ter idade superior a 18 anos, isto se tiverem até aos 60 anos se for a primeira dádiva, ter peso igual ou superior a 50 quilos e ter hábitos de vida saudáveis.

De acordo com a diretora do Centro de Lisboa do IPST, ainda que, em todo o País, as reservas possam ser consideradas equilibradas para os outros tipos de sangue, no caso do zero negativo esta não vai além dos quatro dias.

Número de dadores tem vindo a diminuir

A responsável pelo centro de Lisboa faz o apelo a todos os cidadãos, para que continuem a doar, para que o País se possa manter “autossuficiente”, como é atualmente.

“Nós acabamos por transfundir diariamente 800 unidades. Colhemos aproximadamente por dia 900 unidades, mas para garantir tranquilidade às instituições e entidades de saúde uma reserva adequada de sangue estaria entre os cinco e os sete dias”, refere, citada pela rádio.

E aproveita para alertar ainda para o facto de, por cá, o número de dadores ter vindo a diminuir. “Temos verificado em Portugal uma diminuição do número de dadores e de dádivas, igual também no contexto europeu e também a nível internacional.”

tecnologia para doença de Parkinson

Equipa nacional cria tecnologia inovadora para tratar doentes com Parkinson

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O aumento da rigidez muscular é um dos principais sintomas da doença de Parkinson, frequentemente tratada com um implante de estimulação cerebral profunda. É para facilitar este trabalho que um grupo de investigadores portugueses criou um dispositivo wireless vestível, que avalia a rigidez do pulso para dar apoio aos procedimentos neurocirúrgicos.

Já usado em pessoas com Parkinson, esta novidade pode vir a ser útil também em epilepsia ou noutras doenças do foro neurológico.

A estimulação cerebral profunda é feita com um implante, colocado durante uma cirurgia. São os médicos que, tendo em conta a rigidez do pulso, fazem a avaliação e decidem sobre qual a melhor posição para esse implante. 

Uma avaliação subjetiva, influenciada pela experiência e perceção dos especialistas, ainda que já existam alguns sistemas que ajudam a fornecer esses dados, mas que são, no entanto, complicados de configurar e impraticáveis para uso durante procedimentos cirúrgicos.

É aqui que entra esta novidade, uma tecnologia fácil de configurar e de utilizar pelos médicos durante uma cirurgia.

Novidade pode ajudar a avaliar impacto de novos medicamentos

Resultado da investigação do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), com o apoio do Hospital Universitário de São João, na área da Engenharia Biomédica, esta tecnologia tem já um pedido internacional de patente e acaba de dar origem a uma nova spin-off na área da saúde, a InSignals Neurotech.

Será esta a empresa que vai comercializar a novidade tecnológica, que pode vir a ajudar instituições farmacêuticas a monitorizar ou a avaliar o impacto de medicamentos novos ou aprovados na redução da rigidez durante os ensaios clínicos.

O interesse por parte de potenciais parceiros industriais tem sido grande, tanto que a empresa está a tentar celebrar alguns acordos de colaboração para aumentar o número de ensaios clínicos para testar as suas tecnologias em Portugal, Reino Unido e Alemanha.

Para João Paulo Cunha, docente na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e coordenador do Centro de Investigação em Engenharia Biomédica (C-BER) do INESC TEC, a empresa “vai funcionar como um forte veículo de inovação para consolidar as tecnologias relacionadas com o cérebro que os investigadores do INESC TEC têm vindo a desenvolver desde há vários anos com a Universidade do Porto”.

Cuidado com a pressa a comer

Costuma comer muito depressa? Saiba porque o deve deixar de fazer

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É dos que costumam transformar as refeições numa corrida? Que engole o que tem no prato, com pressa de chegar ao fim? Então saiba que, de acordo com uma investigação espanhola, quanto mais depressa comer, maior o risco de apresentar níveis mais altos de triglicéridos.

Investigadores da Unidade de Nutrição Humana da Universidade Rovira i Virgili, juntamente com colegas do Instituto de Investigação em Saúde Pere Virgili e do Centro de Investigação Biomédica de rede Fisiopatologia da Obesidade e Nutrição debruçaram-se sobre a relação entre as refeições e o risco de hipertrigliceridemia.

E concluíram que a velocidade com que comemos conta. Ou seja, quando esta é elevada, maior o risco de se sofrer deste problema, considerado um fator de risco cardiovascular.

Risco aumenta 59% para quem come depressa

Para o efeito, foram recrutados 792 voluntários, que preencheram um questionário sobre os seus comportamentos alimentares, em que davam conta da sua perceção sobre a velocidade com que comiam durante as principais refeições: almoço e jantar.
 
A partir dos dados recolhidos, os indivíduos foram classificados em diferentes categorias de ingestão: lenta, média e rápida. Ao todo, 22,9% (181) foram considerados de ingestão lenta; 31,6% (251) de ingestão média e 45,5% (360) ingestão rápida.

E aqueles que comeram em menos de 18 minutos apresentaram um risco 59% superior de triglicéridos elevados no sangue.

Comer devagar, uma estratégia no combate às doenças cardiometabólicas

A ciência explica que comer mais rapidamente atrasa a sensação de saciedade, o que faz com que as pessoas continuem a comer apesar de já terem dado resposta às suas necessidades energéticas e nutricionais.

Mas há mais. A ingestão de grandes quantidades energéticas num período de tempo curto favorece pico de glicose no sangue e insulina, o que, por sua vez, pode induzir um estado que estimula a produção de gordura no fígado e, logo,  um aumento dos níveis de triglicéridos.
 
É por isso que, com base nestes resultados, os especialistas defendem que as estratégias de intervenção destinadas a reduzir a velocidade da alimentação podem ser úteis no combate às doenças cardiometabólicas.

talões com bisfenol A

Maioria dos talões de compra tem substância associada a cancro e infertilidade

Por | Atualidade

Talões há muitos e de diferentes tamanhos e formas, que nos costumam encher a carteira. Há aqueles que saem das caixas Multibanco, os que nos dão em troca do pagamento feito nos supermercados, os das lojas. E agora há também a certeza de que 90% deste tipo de recibos é feito de papel térmico, que contém bisfenol, uma substância química associada ao cancro.

Conhecido como um disruptor endócrino, capaz de alterar o equilíbrio hormonal e responsável por doenças hormonais, infertilidade, obesidade e cancro em órgãos dependentes de hormonas (como o da mama), o bisfenol A, também conhecido como BPA, está presente neste tipo de talões.

Algo que leva os investigadores da Universidade de Granada (UGR), da Université Paris Descartes, do Hospital Necker Enfants Malades de Paris (França) e da National School of Public Health do Rio de Janeiro (Brasil), a deixar o alerta: estes talões não devem entrar em contacto com alimentos, como carne ou peixe, e não devemos ‘brincar’ com eles, amarrotá-los para os deitar fora, usá-los para escrever recados ou guardá-los no carro, malas ou carteiras.

Substância reage com o calor

É grande a preocupação atual com a exposição despercebida da população em geral ao bisfenol A. A indústria tem procurado alternativas para substituir gradualmente o BPA na maioria das suas aplicações, como é o caso do papel térmico usado em bilhetes e recibos, tarefa ainda longe de concluir.

“Podemos reconhecer este tipo de papel porque instantaneamente fica preto se o colocarmos junto de uma fonte de calor”, explica Nicolás Olea, professor de medicina na UGR e um dos autores do estudo.

Num artigo, publicado na revista Environmental Research, os investigadores analisaram a presença de BPA e BPS (alternativa ao bisfenol A) nos recibos de papel térmico que usamos diariamente, teste feito com 112 talões do Brasil, Espanha e França.

“Eles são facilmente identificados pelo cliente, pois são os talões que, depois de algum tempo, perdem o que imprimiram”, acrescenta Nicolás Olea.

“Muitas vezes, a única coisa que encontra é um fino pó branco que sai ao tirá-lo da carteira ou do bolso. O BPA é precisamente aquele pó branco que fica nos dedos.”

BPS, uma alternativa sem futuro

A análise permitiu verificar que mais de 90% dos talões recolhidos no Brasil e em Espanha apresentavam BPA, algo que apenas aconteceu com metade dos recibos franceses, o que confirma as medidas tomadas pelo Governo local para reduzir o uso deste composto químico no papel térmico desde 2014, com o objetivo de proteger a população.

“O que há de mau na alternativa francesa é que parecem usar BPS. Infelizmente, o BPS também é um disruptor endócrino, e sua persistência ambiental é maior que a do BPA, por isso não é uma opção válida”, reforça o professor da UGR.

Ainda assim, os pesquisadores temem um aumento no seu uso no futuro próximo, já que sua regulamentação não é tão rígida quanto a do BPA.

Investigadores aconselham cautela à população

“É outra evidência de que algo está a falhar nos controlos de toxicidade dos compostos químicos no nosso meio ambiente. Parece que as políticas regulatórias são estabelecidas a posteriori, quando a exposição humana é evidente”, alerta Nicolás Olea.

Os investigadores recomendam que a população mantenha a cautela até que os governos atuem ou até que lojas, restaurantes e outras empresas reconheçam o problema.

“Estes talões não devem entrar em contacto com alimentos – por exemplo, carne ou peixe – enquanto são desempacotados na cozinha. Para além disso, não devemos amarrotá-los para os colocar no lixo, brincar com eles, escrever anotações ou guardá-los em carros, bolsos ou carteiras”, refere Olea.

“Em suma, devemos manipular este tipo de talões o mínimo possível.”

Recorde-se que em dezembro de 2016, a Comissão Europeia decidiu restringir a utilização de BPA em papel térmico na União Europeia, proibição que entrará em vigor em 2020, dando tempo aos fabricantes, importadores e utilizadores de papel térmico de encontrar uma alternativa.

evitar o esquecimento da medicação

Acabar com o esquecimento na hora de tomar a medicação

Por | Atualidade, Iniciativas

Já todos, ou quase, passamos por isso: ter uma hora ou dia para tomar uma determinada medicação e esquecermo-nos de o fazer. Um esquecimento que pode ser grave para quem vive com doenças crónicas, como hipertensão, diabetes tipo 2 ou outras. A solução pode estar no telefone.

É da Universidade de Cambridge que vem esta ideia, que pretende ajudar os doentes a tomar os medicamentos conforme foram prescritos, tudo com recurso à tecnologia de resposta de voz interativa (IVR), que permite fazer chamadas telefónicas automáticas.

Os especialistas passaram da teoria à prática, através de um teste, em forma de estudo piloto, publicado na revista BMJ Open, e realizado com 17 pessoas, todas com pressão arterial alta que, ao longo de um mês, receberam chamadas automáticas, adaptadas às suas necessidades, que forneciam conselhos e apoio sobre como tomar a medicação prescrita.

Os telefonemas também fizeram uma série de perguntas interativas e reagiram às respostas dos doentes.

Foram várias as mensagens, como: “Por favor, não se esqueça de levar consigo os seus comprimidos. Para obter melhor controlo da pressão alta, é preciso que os tome todos os dias”; “por favor, continue a tomar os seus comprimidos conforme prescrito, mesmo que esteja bem e se sinta saudável. A hipertensão é uma daquelas coisas que, a menos que realmente sinta, não sabe que é um problema”; “tomar a sua medicação como prescrito irá ajudá-lo a continuar gostando de coisas ou atividades que são importantes para si”.

Os doentes preencheram ainda questionários no início e ao longo da duração do estudo e completaram entrevistas para entender o impacto do serviço.

“Esta é a primeira vez que a tecnologia automatizada de chamadas telefónicas é usada desta forma no Reino Unido”, explica Katerina Kassavou, especialista do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Cambridge.

“Há evidências consideráveis ​​para mostrar que as intervenções altamente adaptadas têm maior probabilidade de ajudar à adesão dos doentes ao seu regime de prescrição, o que por sua vez leva a melhores resultados para os mesmos.”

Doentes reconhecem vantagens do serviço

Desenvolvida por Simon Edwards, especialista em comunicações da equipa de telecomunicações do University Information Service, em Cambridge, a aplicação criou “uma experiência personalizada que incluía o método de entrega preferido, o tempo das chamadas e os intervalos entre as chamadas repetidas”.

O que ajudou os doentes a superar as barreiras do uso de medicamentos, tendo ainda ajudado a perceber a importância de tomar a medicação.

Embora as mensagens fossem automatizadas, foi também valorizado o aspeto social do serviço, sobretudo entre as pessoas com apoio a este nível. E valorizada ainda a possibilidade de colocarem questões, que poderiam ser acompanhadas pelos médicos ou enfermeiros.

“Estes são os primeiros sinais de que esta intervenção digital é bem apreciada pelos doentes e pode desempenhar um papel importante na gestão da sua medicação”, refere Kassavou.

“Agora, precisamos de garantir que funciona numa população mais ampla e demonstrar que é uma intervenção económica.”

acesso à saúde

Relatório europeu alerta: é preciso mais prevenção e melhor acesso à saúde

Por | Atualidade

O aumento da esperança de vida abrandou consideravelmente em muitos países da União Europeia (UE), revela o relatório Health at a Glance: Europe 2018, da Comissão Europeia e da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económicos (OCDE). A este facto, os especialistas juntam o que dizem ser “grandes disparidades nos países, deixando para trás as pessoas com baixos níveis de escolaridade”. 

“Muitas vidas poderiam ser salvas se aumentássemos os nossos esforços para promover estilos de vida saudáveis e combater fatores de risco como o tabagismo ou a falta de atividade física”, alerta Vytenis Andriukaitis, comissário da Saúde e Segurança dos Alimentos.

“É inaceitável que, na UE, se percam todos os anos mais de 1,2 milhões de vidas prematuramente, quando tal poderia ser evitado através de uma melhor prevenção das doenças e de intervenções mais eficazes na área dos cuidados de saúde.”

Milhares de mortes evitáveis

De acordo com o relatório, tem-se verificado, nos últimos anos, uma taxa mais lenta de redução das mortes por doenças cardiovasculares e um aumento do número de mortes entre os idosos nos meses de inverno.

A isto junta-se o facto de subsistirem desigualdades na expetativa de vida: na UE, as pessoas com um baixo nível de escolaridade podem viver seis anos menos do que aquelas com um alto nível de educação.

“Precisamos de mais proteção e prevenção”, lê-se no documento, que chama a atenção para os mais de 1,2 milhões de vidas perdidas prematuramente todos os anos nos países da UE, que poderiam ser evitadas através de melhores políticas de prevenção de doenças e intervenções de saúde mais eficazes.

A questão da desinformação sobre as vacinas é abordada, com a defesa de mais esclarecimento e informação sobre o tema, assim como o reforço da luta contra os estilos de vida pouco saudáveis.

“Cerca de 790.000 cidadãos da UE morrem prematuramente todos os anos devido ao consumo de tabaco, ao consumo de álcool, às dietas pouco saudáveis e à falta de atividade física. Políticas para controlar o tabaco e o consumo nocivo de álcool ou para combater a obesidade precisam, portanto, ser ativamente perseguidas.”

Doença mental custa 4% do PIB europeu

A saúde mental é também alvo de atenção, com uma defesa da promoção da saúde mental e da prevenção destas doenças. De resto, os custos totais dos problemas de saúde mental, que incluem os custos para os sistemas de saúde e os programas de segurança social, mas também o emprego a redução da produtividade, ajudam a justificar esta atenção: estima-se que estes custos sejam superiores a 4% do PIB nos países da UE, o equivalente a mais de 600 mil milhões de euros por ano.

Promover a saúde mental e melhorar o acesso ao tratamento para pessoas com problemas de saúde mental deve, por isso, ser uma prioridade.

Assim como tornar os sistemas de saúde mais eficazes e centrados nas pessoas. “Não é apenas suficiente recolher dados sobre a mortalidade. Os cuidados de saúde precisam de colocar as pessoas no centro, o que exige que se pergunte maus sistematicamente aos doentes se são melhores, ou piores”, refere o relatório.

É preciso também “melhorar o acesso aos cuidados de saúde” e ter sistemas de saúde “mais resilientes” e adaptados a ambientes e necessidades em rápida mudança. Para isso, há que “reduzir gastos desnecessários”. Até porque a evidência de vários países sugere que até um quinto dos gastos com saúde são desperdiçados e poderiam ser realocados para um melhor uso.