tecnologia para doença de Parkinson

Equipa nacional cria tecnologia inovadora para tratar doentes com Parkinson

Por | Atualidade

O aumento da rigidez muscular é um dos principais sintomas da doença de Parkinson, frequentemente tratada com um implante de estimulação cerebral profunda. É para facilitar este trabalho que um grupo de investigadores portugueses criou um dispositivo wireless vestível, que avalia a rigidez do pulso para dar apoio aos procedimentos neurocirúrgicos.

Já usado em pessoas com Parkinson, esta novidade pode vir a ser útil também em epilepsia ou noutras doenças do foro neurológico.

A estimulação cerebral profunda é feita com um implante, colocado durante uma cirurgia. São os médicos que, tendo em conta a rigidez do pulso, fazem a avaliação e decidem sobre qual a melhor posição para esse implante. 

Uma avaliação subjetiva, influenciada pela experiência e perceção dos especialistas, ainda que já existam alguns sistemas que ajudam a fornecer esses dados, mas que são, no entanto, complicados de configurar e impraticáveis para uso durante procedimentos cirúrgicos.

É aqui que entra esta novidade, uma tecnologia fácil de configurar e de utilizar pelos médicos durante uma cirurgia.

Novidade pode ajudar a avaliar impacto de novos medicamentos

Resultado da investigação do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), com o apoio do Hospital Universitário de São João, na área da Engenharia Biomédica, esta tecnologia tem já um pedido internacional de patente e acaba de dar origem a uma nova spin-off na área da saúde, a InSignals Neurotech.

Será esta a empresa que vai comercializar a novidade tecnológica, que pode vir a ajudar instituições farmacêuticas a monitorizar ou a avaliar o impacto de medicamentos novos ou aprovados na redução da rigidez durante os ensaios clínicos.

O interesse por parte de potenciais parceiros industriais tem sido grande, tanto que a empresa está a tentar celebrar alguns acordos de colaboração para aumentar o número de ensaios clínicos para testar as suas tecnologias em Portugal, Reino Unido e Alemanha.

Para João Paulo Cunha, docente na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e coordenador do Centro de Investigação em Engenharia Biomédica (C-BER) do INESC TEC, a empresa “vai funcionar como um forte veículo de inovação para consolidar as tecnologias relacionadas com o cérebro que os investigadores do INESC TEC têm vindo a desenvolver desde há vários anos com a Universidade do Porto”.

Cuidado com a pressa a comer

Costuma comer muito depressa? Saiba porque o deve deixar de fazer

Por | Atualidade

É dos que costumam transformar as refeições numa corrida? Que engole o que tem no prato, com pressa de chegar ao fim? Então saiba que, de acordo com uma investigação espanhola, quanto mais depressa comer, maior o risco de apresentar níveis mais altos de triglicéridos.

Investigadores da Unidade de Nutrição Humana da Universidade Rovira i Virgili, juntamente com colegas do Instituto de Investigação em Saúde Pere Virgili e do Centro de Investigação Biomédica de rede Fisiopatologia da Obesidade e Nutrição debruçaram-se sobre a relação entre as refeições e o risco de hipertrigliceridemia.

E concluíram que a velocidade com que comemos conta. Ou seja, quando esta é elevada, maior o risco de se sofrer deste problema, considerado um fator de risco cardiovascular.

Risco aumenta 59% para quem come depressa

Para o efeito, foram recrutados 792 voluntários, que preencheram um questionário sobre os seus comportamentos alimentares, em que davam conta da sua perceção sobre a velocidade com que comiam durante as principais refeições: almoço e jantar.
 
A partir dos dados recolhidos, os indivíduos foram classificados em diferentes categorias de ingestão: lenta, média e rápida. Ao todo, 22,9% (181) foram considerados de ingestão lenta; 31,6% (251) de ingestão média e 45,5% (360) ingestão rápida.

E aqueles que comeram em menos de 18 minutos apresentaram um risco 59% superior de triglicéridos elevados no sangue.

Comer devagar, uma estratégia no combate às doenças cardiometabólicas

A ciência explica que comer mais rapidamente atrasa a sensação de saciedade, o que faz com que as pessoas continuem a comer apesar de já terem dado resposta às suas necessidades energéticas e nutricionais.

Mas há mais. A ingestão de grandes quantidades energéticas num período de tempo curto favorece pico de glicose no sangue e insulina, o que, por sua vez, pode induzir um estado que estimula a produção de gordura no fígado e, logo,  um aumento dos níveis de triglicéridos.
 
É por isso que, com base nestes resultados, os especialistas defendem que as estratégias de intervenção destinadas a reduzir a velocidade da alimentação podem ser úteis no combate às doenças cardiometabólicas.

talões com bisfenol A

Maioria dos talões de compra tem substância associada a cancro e infertilidade

Por | Atualidade

Talões há muitos e de diferentes tamanhos e formas, que nos costumam encher a carteira. Há aqueles que saem das caixas Multibanco, os que nos dão em troca do pagamento feito nos supermercados, os das lojas. E agora há também a certeza de que 90% deste tipo de recibos é feito de papel térmico, que contém bisfenol, uma substância química associada ao cancro.

Conhecido como um disruptor endócrino, capaz de alterar o equilíbrio hormonal e responsável por doenças hormonais, infertilidade, obesidade e cancro em órgãos dependentes de hormonas (como o da mama), o bisfenol A, também conhecido como BPA, está presente neste tipo de talões.

Algo que leva os investigadores da Universidade de Granada (UGR), da Université Paris Descartes, do Hospital Necker Enfants Malades de Paris (França) e da National School of Public Health do Rio de Janeiro (Brasil), a deixar o alerta: estes talões não devem entrar em contacto com alimentos, como carne ou peixe, e não devemos ‘brincar’ com eles, amarrotá-los para os deitar fora, usá-los para escrever recados ou guardá-los no carro, malas ou carteiras.

Substância reage com o calor

É grande a preocupação atual com a exposição despercebida da população em geral ao bisfenol A. A indústria tem procurado alternativas para substituir gradualmente o BPA na maioria das suas aplicações, como é o caso do papel térmico usado em bilhetes e recibos, tarefa ainda longe de concluir.

“Podemos reconhecer este tipo de papel porque instantaneamente fica preto se o colocarmos junto de uma fonte de calor”, explica Nicolás Olea, professor de medicina na UGR e um dos autores do estudo.

Num artigo, publicado na revista Environmental Research, os investigadores analisaram a presença de BPA e BPS (alternativa ao bisfenol A) nos recibos de papel térmico que usamos diariamente, teste feito com 112 talões do Brasil, Espanha e França.

“Eles são facilmente identificados pelo cliente, pois são os talões que, depois de algum tempo, perdem o que imprimiram”, acrescenta Nicolás Olea.

“Muitas vezes, a única coisa que encontra é um fino pó branco que sai ao tirá-lo da carteira ou do bolso. O BPA é precisamente aquele pó branco que fica nos dedos.”

BPS, uma alternativa sem futuro

A análise permitiu verificar que mais de 90% dos talões recolhidos no Brasil e em Espanha apresentavam BPA, algo que apenas aconteceu com metade dos recibos franceses, o que confirma as medidas tomadas pelo Governo local para reduzir o uso deste composto químico no papel térmico desde 2014, com o objetivo de proteger a população.

“O que há de mau na alternativa francesa é que parecem usar BPS. Infelizmente, o BPS também é um disruptor endócrino, e sua persistência ambiental é maior que a do BPA, por isso não é uma opção válida”, reforça o professor da UGR.

Ainda assim, os pesquisadores temem um aumento no seu uso no futuro próximo, já que sua regulamentação não é tão rígida quanto a do BPA.

Investigadores aconselham cautela à população

“É outra evidência de que algo está a falhar nos controlos de toxicidade dos compostos químicos no nosso meio ambiente. Parece que as políticas regulatórias são estabelecidas a posteriori, quando a exposição humana é evidente”, alerta Nicolás Olea.

Os investigadores recomendam que a população mantenha a cautela até que os governos atuem ou até que lojas, restaurantes e outras empresas reconheçam o problema.

“Estes talões não devem entrar em contacto com alimentos – por exemplo, carne ou peixe – enquanto são desempacotados na cozinha. Para além disso, não devemos amarrotá-los para os colocar no lixo, brincar com eles, escrever anotações ou guardá-los em carros, bolsos ou carteiras”, refere Olea.

“Em suma, devemos manipular este tipo de talões o mínimo possível.”

Recorde-se que em dezembro de 2016, a Comissão Europeia decidiu restringir a utilização de BPA em papel térmico na União Europeia, proibição que entrará em vigor em 2020, dando tempo aos fabricantes, importadores e utilizadores de papel térmico de encontrar uma alternativa.

evitar o esquecimento da medicação

Acabar com o esquecimento na hora de tomar a medicação

Por | Atualidade, Iniciativas

Já todos, ou quase, passamos por isso: ter uma hora ou dia para tomar uma determinada medicação e esquecermo-nos de o fazer. Um esquecimento que pode ser grave para quem vive com doenças crónicas, como hipertensão, diabetes tipo 2 ou outras. A solução pode estar no telefone.

É da Universidade de Cambridge que vem esta ideia, que pretende ajudar os doentes a tomar os medicamentos conforme foram prescritos, tudo com recurso à tecnologia de resposta de voz interativa (IVR), que permite fazer chamadas telefónicas automáticas.

Os especialistas passaram da teoria à prática, através de um teste, em forma de estudo piloto, publicado na revista BMJ Open, e realizado com 17 pessoas, todas com pressão arterial alta que, ao longo de um mês, receberam chamadas automáticas, adaptadas às suas necessidades, que forneciam conselhos e apoio sobre como tomar a medicação prescrita.

Os telefonemas também fizeram uma série de perguntas interativas e reagiram às respostas dos doentes.

Foram várias as mensagens, como: “Por favor, não se esqueça de levar consigo os seus comprimidos. Para obter melhor controlo da pressão alta, é preciso que os tome todos os dias”; “por favor, continue a tomar os seus comprimidos conforme prescrito, mesmo que esteja bem e se sinta saudável. A hipertensão é uma daquelas coisas que, a menos que realmente sinta, não sabe que é um problema”; “tomar a sua medicação como prescrito irá ajudá-lo a continuar gostando de coisas ou atividades que são importantes para si”.

Os doentes preencheram ainda questionários no início e ao longo da duração do estudo e completaram entrevistas para entender o impacto do serviço.

“Esta é a primeira vez que a tecnologia automatizada de chamadas telefónicas é usada desta forma no Reino Unido”, explica Katerina Kassavou, especialista do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Cambridge.

“Há evidências consideráveis ​​para mostrar que as intervenções altamente adaptadas têm maior probabilidade de ajudar à adesão dos doentes ao seu regime de prescrição, o que por sua vez leva a melhores resultados para os mesmos.”

Doentes reconhecem vantagens do serviço

Desenvolvida por Simon Edwards, especialista em comunicações da equipa de telecomunicações do University Information Service, em Cambridge, a aplicação criou “uma experiência personalizada que incluía o método de entrega preferido, o tempo das chamadas e os intervalos entre as chamadas repetidas”.

O que ajudou os doentes a superar as barreiras do uso de medicamentos, tendo ainda ajudado a perceber a importância de tomar a medicação.

Embora as mensagens fossem automatizadas, foi também valorizado o aspeto social do serviço, sobretudo entre as pessoas com apoio a este nível. E valorizada ainda a possibilidade de colocarem questões, que poderiam ser acompanhadas pelos médicos ou enfermeiros.

“Estes são os primeiros sinais de que esta intervenção digital é bem apreciada pelos doentes e pode desempenhar um papel importante na gestão da sua medicação”, refere Kassavou.

“Agora, precisamos de garantir que funciona numa população mais ampla e demonstrar que é uma intervenção económica.”

acesso à saúde

Relatório europeu alerta: é preciso mais prevenção e melhor acesso à saúde

Por | Atualidade

O aumento da esperança de vida abrandou consideravelmente em muitos países da União Europeia (UE), revela o relatório Health at a Glance: Europe 2018, da Comissão Europeia e da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económicos (OCDE). A este facto, os especialistas juntam o que dizem ser “grandes disparidades nos países, deixando para trás as pessoas com baixos níveis de escolaridade”. 

“Muitas vidas poderiam ser salvas se aumentássemos os nossos esforços para promover estilos de vida saudáveis e combater fatores de risco como o tabagismo ou a falta de atividade física”, alerta Vytenis Andriukaitis, comissário da Saúde e Segurança dos Alimentos.

“É inaceitável que, na UE, se percam todos os anos mais de 1,2 milhões de vidas prematuramente, quando tal poderia ser evitado através de uma melhor prevenção das doenças e de intervenções mais eficazes na área dos cuidados de saúde.”

Milhares de mortes evitáveis

De acordo com o relatório, tem-se verificado, nos últimos anos, uma taxa mais lenta de redução das mortes por doenças cardiovasculares e um aumento do número de mortes entre os idosos nos meses de inverno.

A isto junta-se o facto de subsistirem desigualdades na expetativa de vida: na UE, as pessoas com um baixo nível de escolaridade podem viver seis anos menos do que aquelas com um alto nível de educação.

“Precisamos de mais proteção e prevenção”, lê-se no documento, que chama a atenção para os mais de 1,2 milhões de vidas perdidas prematuramente todos os anos nos países da UE, que poderiam ser evitadas através de melhores políticas de prevenção de doenças e intervenções de saúde mais eficazes.

A questão da desinformação sobre as vacinas é abordada, com a defesa de mais esclarecimento e informação sobre o tema, assim como o reforço da luta contra os estilos de vida pouco saudáveis.

“Cerca de 790.000 cidadãos da UE morrem prematuramente todos os anos devido ao consumo de tabaco, ao consumo de álcool, às dietas pouco saudáveis e à falta de atividade física. Políticas para controlar o tabaco e o consumo nocivo de álcool ou para combater a obesidade precisam, portanto, ser ativamente perseguidas.”

Doença mental custa 4% do PIB europeu

A saúde mental é também alvo de atenção, com uma defesa da promoção da saúde mental e da prevenção destas doenças. De resto, os custos totais dos problemas de saúde mental, que incluem os custos para os sistemas de saúde e os programas de segurança social, mas também o emprego a redução da produtividade, ajudam a justificar esta atenção: estima-se que estes custos sejam superiores a 4% do PIB nos países da UE, o equivalente a mais de 600 mil milhões de euros por ano.

Promover a saúde mental e melhorar o acesso ao tratamento para pessoas com problemas de saúde mental deve, por isso, ser uma prioridade.

Assim como tornar os sistemas de saúde mais eficazes e centrados nas pessoas. “Não é apenas suficiente recolher dados sobre a mortalidade. Os cuidados de saúde precisam de colocar as pessoas no centro, o que exige que se pergunte maus sistematicamente aos doentes se são melhores, ou piores”, refere o relatório.

É preciso também “melhorar o acesso aos cuidados de saúde” e ter sistemas de saúde “mais resilientes” e adaptados a ambientes e necessidades em rápida mudança. Para isso, há que “reduzir gastos desnecessários”. Até porque a evidência de vários países sugere que até um quinto dos gastos com saúde são desperdiçados e poderiam ser realocados para um melhor uso. 

Ativistas pedem respeito pelos direitos dos trabalhadores com cancro da mama

Por | Atualidade

É uma doença que castiga não só fisicamente, mas que deixa outras marcas, como a financeira. Quem sofre com cancro da mama é obrigado a enfrentar um ónus financeiro que não se fica pelo custo dos tratamentos. A perda de produtividade na sequência de incapacidade ou discriminação é outro dos preços a pagar, que esta quarta-feira esteve em destaque no Parlamento Europeu.

Unidas, ativistas da ABC Global Alliance (Aliança Global do Cancro da Mama Avançado) pediram aos parlamentares da União Europeia para que facilitem o regresso destes doentes ao trabalho e que os apoiem, de forma adequada, com acordos que permitam o trabalho flexível.

“A maioria das pessoas com cancro da mama está nos anos economicamente mais produtivos das suas vidas: os seus 40, 50 e 60 anos”, referiu a presidente da ABC Global Alliance, Fátima Cardoso, do Centro Clínico Champalimaud, em Lisboa.  

“Não ser capaz de trabalhar é mau para eles, não apenas financeiramente, mas também emocional e psicologicamente, e também é mau para a sociedade. Há muitos estudos que mostram que os custos indiretos do cancro, devido à falta de produtividade, são realmente maiores que os custos diretos. Se estas pessoas puderem continuar a trabalhar e serem produtivas, será muito melhor para a sociedade como um todo.”

Empregadores precisam de mais formação

O cancro da mama é o tumor mais frequentemente diagnosticado em todo o mundo, afetando sobretudo mulheres, mas também alguns homens.

Mais de dois milhões de novos casos serão diagnosticados em 2018 e quase 630.000 pessoas morrerão na sequência dele, quase todas com doença avançada ou metastática. A estas juntam-se cerca de 6,8 milhões sobreviventes, muitos dos quais capazes e desejosos de trabalhar, revelam os dados mais recentes.

“Tornar difícil ou impossível que estas pessoas continuem a trabalhar está a ter como resultado uma perda colossal na produtividade económica para a sociedade”, disse Fátima Cardoso.

Barbara Wilson, líder da empresa social ‘Trabalhar com Cancro’, do Reino Unido, que ajuda as pessoas afetadas pela doença a regressar ao trabalho, referiu que “mesmo para as pessoas que estão a viver com os efeitos secundários do seu tratamento, é perfeitamente possível que continuem a trabalhar se houver estratégias adequadas para o seu apoio”.

Para isso, acrescentou, “os empregadores precisam de perceber o cancro, de comunicar efetivamente com os funcionários afetados e precisam de implementar políticas de trabalho flexíveis durante e após o tratamento, incluindo apoio individualizado para quem dele precisar”.

Para esta especialista, “os empregadores assumem, muitas vezes, que a pessoa não deve trabalhar e o encorajam-na a sair. Ou pensam que algumas semanas após o tratamento a pessoa estará ‘de volta ao normal’. Nenhuma dessas suposições é útil; até pessoas com doenças terminais podem trabalhar, quase até o momento em que morrem, dependendo do cancro e do tipo de trabalho que fazem”.

Mais políticas que tornam o trabalho mais flexível

Os especialistas pedem, por isso, aos empregadores políticas para o trabalho flexível e aos governos de toda a Europa e, de facto, de todo o mundo, que implementem legislação para tornar ilegal aos empregadores discriminar pessoas com cancro.

os benefícios de ter medo

Porque é que aquilo que nos assusta nos pode fazer bem

Por | Atualidade

Com a noite de Halloween quase à porta, é caso para pensar: o que é que nos leva a vibrar com uma noite que apenas serve para… causar medo? 

A questão foi colocada por Margee Kerr, professora de sociologia na Universidade de Pittsburgh e autora de vários trabalhos sobre o tema. No mais recente, foi tentar perceber porque é que as pessoas procuram momentos que lhes deixam os cabelos em pé, seja através de festas como a do Dia das Bruxas ou de filmes de terror.

Para isso, recrutou um grupo de voluntários que tinham comprado bilhetes para uma atração de Pittsburhg, uma casa assombrada que promete arrancar muitos gritos aos que tiverem a ousadia de a visitar. Os 262 participantes responderam a inquéritos sobre o seu estado de ânimo antes e depois da visita e uma centena deles usaram sensores na cabeça, que mediu a sua atividade cerebral.

De acordo com a especialista, os convidados relataram um “humor significativamente mais elevado” após a visita, que coincidiu com a redução dos níveis de ansiedade e cansaço.

Isto porque a resposta a esta situações de medo inunda o organismo com substâncias químicas que nos fazem sentir bem, como a dopamina, o que pode ajudar a explicar a razão que levas as pessoas a sair de casas assombradas a gritar, mas também a rir.

De facto, depois da sua passagem pela casa assombrada, cerca de metade das pessoas relataram estar de melhor humor, com 33% a não referirem qualquer mudança significativa. Só 17% referiram terem ficado de pior humor.

Ficar num estado ‘zen’

Mas afinal, quais são os benefícios? Os sentimentos de ansiedade e stress diminuíram e parece lógico que assim seja, mas foi também descoberto que houve uma redução da atividade cerebral, o que sugere que “ficar com medo interrompe o pensamento”.

O que pode, por sua vez, significar que as pessoas estavam a processar informações de forma mais eficiente, ou simplesmente sugerir que se encontravam num estado ‘zen’ moderado, quase semelhante à meditação.

estudo sobre psoríase

Estudo revela quais os principais impactos da psoríase

Por | Atualidade

São, em Portugal, cerca de 250 mil as pessoas que vivem com psoríase, uma doença crónica de pele, com impacto não só físico, mas também emocional. Nas vésperas do dia que chama a atenção para este problema, o Dia Mundial da Psoríase, e que se assinala no dia 29 de outubro, o tema vai ser alvo de uma conversa a várias vozes, com um mesmo objetivo: a sensibilização.

À PSO Portugal – Associação Portuguesa de Psoríase junta-se a Spirituc e a Guess What, numa manhã de conversas com vários especialistas na área. Na próxima sexta-feira (26 de outubro), serão apresentados resultados de dois estudos: o primeiro avalia os principais impactos da doença na qualidade de vida de quem tem o diagnóstico, enquanto o segundo refere-se ao conhecimento que os portugueses têm da doença.

Um encontro que terá lugar no Anfiteatro da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa.

Doença afeta cerca de 250 mil pessoas

A psoríase, doença que afeta cerca de 250 mil pessoas em Portugal, é uma doença crónica da pele, não contagiosa, que pode surgir em qualquer idade.

Caracteriza-se geralmente, pelo aparecimento de lesões vermelhas, espessas e descamativas, habitualmente nos cotovelos, joelhos, região lombar e couro cabeludo. Nos casos mais graves, estas lesões podem cobrir extensas áreas do corpo.

Sendo uma doença pouco conhecida, é necessário informar e desmistificar quem lida com ela direta e indiretamente.

Para acabar com os mitos e aconselhar sobre a doença, a conferência b.health Talks vai contar com a presença de vários especialistas que irão discutir alguns dos temas prementes ligados à área, entre os quais o ‘Papel e Importância da Teleconsulta’, o ‘Papel do Médico de Família’ ou a ‘Psoríase na Prática Clínica’.

congresso de transplantes

Tráfico e comércio de órgãos em destaque em Coimbra

Por | Atualidade

As rotas clandestinas da transplantação, o tráfico e o comércio de órgãos é um dos temas em destaque no XVII Congresso Luso Brasileiro de Transplantação, organizado pela Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT), que reúne especialistas portugueses e brasileiros de todas as áreas de órgãos transplantados, num encontro que arranca esta quinta-feira em Coimbra.

Ao longo de três dias, serão apresentadas as principais inovações e trabalhos de investigação nas várias áreas de órgãos transplantados, contando-se ainda com a presença de especialistas espanhóis, cujo país tem a maior taxa de doação por milhão de habitantes no mundo.

Alexandre Linhares Furtado é um nome que dispensa apresentações. O médico, pioneiro na área da transplantação em Portugal, tendo realizado realizado o primeiro transplante renal e o primeiro transplante hepático sequencial, vai marcar também presença, com uma palestra sobre “Medicina e Arte”.

Maior evento sobre transplantação no País

Susana Sampaio, presidente da SPT, adianta que “este é o maior evento sobre transplantação no nosso país, com organização portuguesa”.

E acontece “fruto de um acordo de cooperação com a congénere brasileira, a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, e que pressupõe a organização alternada deste congresso, que tem como objetivo a troca de experiências e conhecimentos. Importa referir que o Brasil tem uma das unidades que mais transplanta no mundo”.

Este evento irá coincidir com a XIV Congresso Português de Transplantação, reunião anual da SPT, na qual serão divulgados os vencedores da Bolsa de apoio à Investigação e Bolsa de apoio à Publicação.

os problemas causados pelo eczema

Eczema tem maior impacto na qualidade de vida do que diabetes

Por | Atualidade, Investigação & Inovação

Comichão intensa, pele extremamente seca, vermelhidão… os sintomas são bem conhecidos por quem sofre com eczema, também conhecido como dermatite atópica. Sintomas que, garante um estudo, estão associados a uma pior qualidade de vida do que aquela proporcionada por doenças como diabetes ou até hipertensão.

Publicado na revista Annals of Allergy, Asthma and Immunology, o estudo entrevistou 602 adultos com a doença. E relata que os sintomas que causam maior inpacto são comichão (54%), secura excessiva ou descamação (19%) e pele vermelha ou inflamada (7%). 

“Uma elevada percentagem de todos os inquiridos ​​considerava a saúde saúde geral apenas razoável (25%) ou pobre (15%) e relatava estar pouco (16%) ou muito (11%) insatisfeito com a vida, comparando com os que não têm eczema”, explica Jonathan I. Silverberg, principal autor do estudo.

Um grande peso

Os investigadores verificaram que o eczema está associado a qualidade de vida pior do que várias outras doenças crónicas comuns, incluindo doenças cardíacas, diabetes e hipertensão. De facto, foi mesmo associado a uma qualidade de vida drasticamente inferior a todas as outras doenças crónicas examinadas.

“Nós não ficamos surpreendidos ao descobrir que os sintomas do eczema podem levar a distúrbios de saúde mental e prejudicar a qualidade de vida”, refere alergologista Luz Fonacier, co-autor do estudo.

“Mesmo aqueles com eczema leve relataram que este limitou o seu estilo de vida, teve impacto em atividades ou impediu interações sociais. Os efeitos nocivos foram ainda piores para aqueles com moderado e grave. Quase metade dos adultos com eczema grave relatou um peso grande nas suas vidas.”

Tratamentos permitem o alívio

As boas notícias para quem sofre deste problema é a existência de novos tratamentos, capazes de reduzir a gravidade dos sintomas, como a comichão e pele excessivamente seca.

O eczema é uma doença crónica e os sintomas podem ir e vir, mas um alergologista pode ajudar a encontrar alívio.