Tatuagens para monitorizar saúde

Tatuagens eletrónicas com ‘mão’ portuguesa permitem monitorização da saúde

Por Investigação & Inovação

Uma equipa de investigadores nacionais e internacionais desenvolveu tatuagens especiais, que ao serem colocadas sobre a pele permitem uma monitorização contínua da saúde do utilizador e controlam fatores como a atividade muscular, respiração, temperatura corporal, batimentos cardíacos, atividade cerebral ou até emoções.

Investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e da Universidade de Carnegie Mellon, em Pittsburgh, encontraram um método para produzir tatuagens eletrónicas através de impressão a tinta (inkjet), o que simplifica a produção e diminui radicalmente o custo destes dispositivos, que podem ser usados para monitorizar a saúde do utilizador ou controlar o painel do automóvel.

As tatuagens estão a ser desenvolvidas no âmbito do projeto Strechtonics, uma das iniciativas do Programa Carnegie Mellon Portugal (CMU Portugal), financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e coordenado pelo professor Aníbal Traça de Almeida.

De fácil colocação e remoção

As tatuagens são ultrafinas e facilmente transferidas com água para a pele ou roupa, da mesma forma que se aplica uma tatuagem temporária. E, até à data, já provaram também ser eficazes na monitorização da atividade muscular.

“Colocámos uma tatuagem eletrónica no antebraço de uma pessoa com uma prótese da mão e provámos que é possível controlar a mão utilizando sinais de músculos recebidos pelas tatuagens. Ao colocar a tatuagem no músculo certo, a tatuagem permite perceber quando este é ativado e se a mão fecha ou abre”, explica Mahmoud Tavakoli, gestor científico do projeto e diretor do Laboratório de “Soft and Printed Microelectronic” do ISR.

Embora a impressão de circuitos com uma impressora 2D não seja novidade, até agora estes circuitos perdiam condutividade quando esticados. De acordo com o investigador, “é a primeira vez que existe um método para imprimir circuitos que se podem esticar com uma tradicional impressora inkjet, à temperatura ambiente”

Ainda segundo o investigador, o objetivo no futuro é que “seja possível inserir estas tatuagens dentro da pele e do corpo humano. Por exemplo, para pessoas com lesões na medula espinal que não conseguem andar, criar uma forma de conseguir aplicar estas tatuagens na medula de forma a estimulá-la e reativar os nervos para que funcionem outra vez”.

Com usos para além da saúde

Fora do âmbito da saúde, estes circuitos eletrónicos podem ser utilizados em qualquer superfície 3D como, por exemplo, o painel de controlo de automóveis, de forma permitir um controle ativado pelo toque das várias funcionalidades do carro, como controlar o volume do rádio ou a temperatura do automóvel.

A descoberta deste método teve como resultado várias aplicações inovadoras na área de circuitos impressos que foram patenteados em 2017.