reabilitação cardíaca

Mulheres fazem menos reabilitação cardíaca e desistem mais do que os homens

Por Investigação & Inovação

Depois de um evento cardíaco, como um enfarte, os doentes são aconselhados a fazer reabilitação cardíaca, programas que melhoram o condicionamento físico, a qualidade de vida, a saúde mental e a sobrevivência, reduzindo o risco de outros eventos. No entanto, cerca de 10 a 20% menos mulheres do que homens realizam esta reabilitação, com as mulheres a apresentarem maior probabilidade de desistir (35% das mulheres desistem versus 29% dos homens). Perceber como mudar a situação foi o que quis um novo estudo.

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reabilitação cardíaca

Depressão, ansiedade ou stress afetam uma em cada cinco pessoas que fazem reabilitação cardíaca

Por Saúde Mental

Quem sofreu um problema cardíaco conhece as dificuldades e os desafios que se colocam no caminho para a recuperação. Um caminho que nem todos conseguem percorrer. De acordo com um novo estudo, aqueles que têm de lidar com depressão, ansiedade ou stress têm maior probabilidade de abandonar a reabilitação cardíaca.

O trabalho assinala o Dia Mundial da Saúde Mental, que se comemora esta quinta-feira e garante que “os doentes cardíacos que vivem com depressão têm mais probabilidade de se sentirem desanimados e sem esperança, o que reduz sua capacidade de gerir os seus sintomas”.

Angela Rao, especialista da University of Technology Sydney, na Austrália e autora do estudo, confirma que os problemas mentais “podem minimizar sucessos e exagerar falhas, reduzindo assim a motivação dos doentes para se exercitarem e concluírem um programa de reabilitação cardíaca”.

“A ansiedade pode levar ao medo de outro evento cardíaco e impedir que as pessoas sejam ativas.”

“Depressão e ansiedade podem também prejudicar a capacidade de reter novas informações necessárias para fazer mudanças de comportamento relacionadas com a saúde”, acrescenta.

Risco de deixar reabilitação cardíaca é maior

Após um enfarte ou procedimento para ‘limpar’ artérias bloqueadas, os doentes devem receber apoio para deixar de fumar, fazer exercício, melhorar a dieta, reduzir o stress e controlar a pressão arterial e o colesterol, o que é conseguido através da reabilitação cardíaca.

Este estudo retrospetivo examinou a prevalência e o impacto da depressão, ansiedade e stress em doentes que realizavam reabilitação cardíaca em dois hospitais de Sydney, entre 2006 e 2017, num total de 4.784 pessoas.

Destas, cerca de 18% apresentavam depressão, 28% lidavam com ansiedade e 13% com stress moderado a extremamente grave.

Os doentes com sintomas moderados de depressão, ansiedade ou stress tiveram um risco significativamente mais alto de deixar a reabilitação cardíaca, em comparação com aqueles com sintomas leves ou sem sintomas.

“A depressão pode diminuir as intenções positivas de fazer exercício, mesmo quando se recebe apoio de profissionais de saúde e se está ciente dos benefícios”, afirma Rao.

Um círculo vicioso de problemas mentais

Depressão, ansiedade e stress parecem ‘alimentar-se’ uns aos outros, revela ainda o estudo. Ou seja, os doentes com ansiedade ou stress tinham uma probabilidade mais de quatro vezes superior de ficarem deprimidos do que os que não tinham. A ansiedade foi três vezes mais comum em doentes com depressão e mais de cinco vezes mais frequente naqueles com stress.

“Estas relações eram independentes da idade, sexo, características clínicas, uso de medicamentos e qualidade de vida”, refere a especialista.

reabilitação cardíaca feita em casa

Recuperação feita em casa após enfarte com resultados excelentes

Por Bem-estar

A reabilitação cardíaca é, para muitos, o passo que se segue após um enfarte agudo do miocárdio. Ou deveria ser. Mas o facto de ser realizar em ambiente hospitalar, exigindo do doente disponibilidade e transporte, acaba por afastar a maioria de programas que podem fazer a diferença na sua saúde. E se fosse feita em casa? A questão foi colocada por um grupo de especialistas, que concordam que os resultados podem ser excelentes.

Em Portugal, a percentagem de doentes que participaram, nos últimos anos, em programas de reabilitação cardíaca de fase III foi de cerca de 4%. Para estes números contribui a disponibilidade dos doentes, mas também a falta de resposta adequada do Sistema Nacional de Saúde, a falta de investimento em recursos humanos e materiais e a escassez de centros e a sua localização concentrada nas grandes cidades.

Mudar este cenário é o que se pretende e fazê-lo em casa pode ser a solução. 

“Contrariamente ao conceito generalizado de que a reabilitação cardíaca tem de ser feita sob vigilância direta há, nos casos de baixo risco cardiovascular, a possibilidade de efetuar reabilitação supervisionada à distância”, afirma Mesquita Bastos, professor na Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA) e cardiologista no Centro Hospitalar do Baixo Vouga, em Aveiro.

Especialista que, juntamente com outros colegas, realizou uma investigação sobre o tema, que confirma as vantagens da reabilitação cardíaca em casa.

Reabilitação cardíaca: ganham os doentes e ganham os serviços de saúde

O estudo que envolveu a ESSUA, realizado no âmbito do Doutoramento em Ciências e Tecnologia da Saúde de Andreia Noites, onde participaram também o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e a Escola Superior de Saúde do Porto, envolveu um grupo de pessoas em recuperação de um enfarte do miocárdio, que fez um programa de exercícios, três vezes por semana, em casa, durante oito semanas.

Depois das informações e aconselhamentos presenciais, foram monitorizadas à distância a atividade física e os sinais vitais dos doentes, com recurso a dispositivos eletrónicos.

Resultado: sem os entraves dos quilómetros até aos hospitais centrais ou centros clínicos e a restrição dos horários das sessões, os doentes não só aderiram ao programa de exercício físico e educação para hábitos de vida saudáveis proposto, como obtiveram excelentes resultados na melhoria da saúde cardiovascular.

Esta prática, segundo Mesquita Bastos, torna possível “abranger uma maior população, incluindo a que se encontra impedida de o fazer pela distância até aos locais dos programas (hospitais, clínicas) e, desta forma, criar uma rede de reabilitação com todo o suporte tecnológico que hoje existe”.

Ganham os doentes e ganha o Sistema Nacional de Saúde, que terá menos gastos.