Vídeos ajudam crianças a reduzir a ingestão de sal

Por Saúde Infantil

“A ingestão de alimentos salgados nos primeiros anos aumenta a preferência pelo sabor de alimentos ricos em sal, que pode levar a uma maior ingestão ao longo da vida vida.” Ou seja, a preferência pelo sal começa cedo. E a luta contra estes hábitos também devia começar, garante um estudo, que assegura que é possível ensinar as crianças na ‘guerra’ contra o sal.

O consumo excessivo de sal durante a infância põe em risco a saúde cardiovascular, mas a poucos estudos têm sido feitos para avaliar a eficácia dos programas que educam para a mudança de comportamento, no sentido de uma redução de sal por parte das crianças.

Um novo trabalho, publicado no Journal of Nutrition Education and Behavior, revela que estes programas funcionam, melhorando o conhecimento relacionado com o sal e os seus riscos, assim como o comportamento das crianças entre os sete e os 10 anos.

Carley Grimes, do Instituto de Atividade Física e Nutrição da Universidade Deakin, na Austrália, não tem dúvidas que é importante reformular os alimentos e reduzir o teor de sal. Mas não menos importantes são “as estratégias comportamentais, como ensinar a leitura dos rótulos dos alimentos para escolher alimentos com baixo teor, que podem ser ensinadas às crianças”.

Resultados confirmam redução 

Foi isso que este estudo fez, com mais de 100 crianças, de diferentes níveis socioeconómicos, de seis escolas primárias de Victoria, na Austrália. Antes do início do estudo, os participantes foram inquiridos sobre os seus conhecimentos, atitudes e comportamentos relacionados com o sal.

Ao longo de cinco semanas, participaram em várias sessões educativas interativas, baseadas na Internet, que decorriam também em casa. Lições que, ao longo de 20 minutos, apresentaram três mensagens principais: parar de usar o saleiro, mudar para alimentos com baixo teor de sal através da leitura dos rótulos e trocar alimentos salgados processados ​​por alternativas mais saudáveis.

As histórias, com temas de detetives, incluíam BD animadas, atividades interativas e conteúdo de vídeo, assim como um diário, impresso, onde partilhavam as suas ‘descobertas’.

Findas as sessões, houve melhoria significativa nos resultados gerais de conhecimento e comportamento das crianças. Aliás, assistiu-se a uma redução de 19% no número de crianças que relataram a existência de um saleiro à mesa.

E, quando este não estava presente, o uso de sal pelas crianças foi reduzido em 25%, comparado com os 70% que deram conta de o ter adicionado quando um saleiro estava na mesa. Foi também verificada uma melhoria na crença das crianças de que poderiam mudar o seu comportamento e ingerir menos sódio.