entrar na menopausa

Modelo quer ajudar a prever idade de entrada na menopausa

Por Investigação & Inovação

Apesar de todos os avanços da medicina, há questões básicas que permanecem por responder. Por exemplo, não se consegue ainda dizer às pessoas quanto tempo vão viver e não se é capaz também de a informar as mulheres sobre o número de anos férteis que ainda têm pela frente. No entanto, um novo estudo oferece dados sobre fatores que podem ajudar a prever quando é que a mulher vai entrar na menopausa.

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fibras

Ingestão de fibras reduz o risco de depressão

Por Saúde Mental

O consumo de fibras alimentares é fundamental para uma dieta saudável, contribuindo para o controlo de peso e reduzindo o risco de algumas doenças, como a diabetes, problemas cardiovasculares e até alguns tipos de cancro. Agora, um novo estudo descobriu que a ingestão de alimentos ricos em fibra pode ajudar a reduzir o risco de depressão, especialmente em mulheres na pré-menopausa.

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cirurgias íntimas ainda são tabu

Está na hora de acabar com os tabus associados às cirurgias íntimas

Por Bem-estar

É ainda desconhecida para muitas e um tabu para outras. A labioplastia, uma entre várias cirurgias íntimas, “visa não apenas melhorar a estética da região, mas também a funcionalidade, tratando os grandes lábios, que com o passar do tempo, ou até mesmo após a gravidez, podem ficar flácidos, ou os pequenos lábios, que podem aumentar de tamanho e parecer muito grandes”, explica Luiz Toledo, cirurgião plástico,. No entanto, há ainda muitas mulheres que desconhecem este procedimento.

Quem a procura, fá-lo sobretudo por desconforto físico e psicológico, em idade sexualmente ativa. Um procedimento que pode ser feito apenas para tratar os grandes ou pequenos lábios, ou ambos na mesma intervenção.

“Quando os lábios são muito grandes é preciso reduzi-los cirurgicamente. Quando, por outro lado, os grandes lábios estão atrofiados é preciso aumentá-los com enxerto de gordura”, refere o especialista.

Mas existem outros problemas que podem ser resolvidos com procedimentos complementares à labioplastia. “Quando há flacidez vaginal, a cirurgia pode ser combinada com uma vaginoplastia para deixar a vagina mais apertada e aumentar o prazer sexual. Outro tratamento que pode ser feito ao mesmo tempo é o enxerto de gordura no chamado Ponto G, zona erógena que também facilita o prazer sexual.”

Desconhecimento ajuda a explicar tabu das cirurgias íntimas

O especialista considera, no entanto, que existe um tabu em relação a este tipo de intervenções e a explicação está não só no desconhecimento da sua existência, mas também no facto de a maioria das mulheres não olhar para esta zona do corpo da mesma forma que olha para outras.

“Muita gente nem olha para suas partes íntimas e não gosta de falar no assunto. Justamente por isso, não sabem que há tratamento para estes problemas.”

Importa, por isso, falar desta cirurgia, que não deixa cicatrizes quando é feito apenas um enxerto de gordura. Noutros casos, as cicatrizes ficam escondidas na parte interna da vagina. É um procedimento simples e que demora menos de uma hora. 

dor na endometriose

Nova descoberta abre caminho para alívio da dor na endometriose

Por Bem-estar

É um dos sintomas da endometriose e as mulheres que vivem com este problema conhecem-no bem. Agora, um grupo de investigadores descobriu uma causa importante para a dor pélvica, abrindo a porta a novas oportunidades para o seu alívio.

Os especialistas do laboratório Greaves, agora parte da Warwick Medical School, no Reino Unido, juntaram-se aos da Universidade de Edimburgo e descobriram como as células do nosso sistema imunitário desempenham um papel na estimulação do crescimento e da atividade das células nervosas na endometriose, o que motiva o aumento da sensibilidade à dor na região pélvica.

Cerca de 176 milhões de mulheres em todo o mundo sofrem com endometriose. Aqui, as células que revestem a parede interna do útero (endométrio) crescem fora dele, em forma de lesões, o que causa com frequência dor pélvica, estando ainda, em alguns casos, associado à infertilidade.

Atualmente, as opções de tratamento não vão muito além da remoção cirúrgica de lesões ou tratamento médico para suprimir a produção de hormonas dos ovários, sendo cada vez mais necessário aumentar o leque de opções terapêuticas.

Endometriose, um ‘distúrbio oculto’

Nesta investigação, a equipa concentrou-se no papel dos macrófagos, um tipo de glóbulos brancos encontrados no sistema imunitário, que contribui para a dor causada pela endometriose.

Os macrófagos adaptam as suas funções aos sinais locais, tornando-se, assim, modificados pela doença. São atraídos para as lesões da endometriose, sendo encontrados em grande número dentro dessas mesmas lesões.

Através de uma cultura com células desses macrófagos modificados, os cientistas observaram um aumento na produção do fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1), que encorajou os nervos a crescer, ativando-os. O que revela que a produção de IGF-1 pelos macrófagos desempenha um papel importante na dor da endometriose.

“A endometriose é, por vezes, considerada um ‘distúrbio oculto’ dada a relutância em discutir o que costuma ser visto como ‘problemas femininos'”, refere Erin Greaves, autora principal do estudo.

“As soluções hormonais não são ideais, pois podem causar efeitos secundários indesejados e impedir a gravidez. Estamos, por isso, a tentar encontrar soluções não hormonais.”

“Se pudermos aprender mais sobre o papel dos macrófagos na endometriose, podemos distingui-los dos macrófagos saudáveis ​​e direcionar o tratamento”, acrescenta.

“A endometriose pode afetar as mulheres ao longo da vida e é uma condição muito comum. Esta descoberta irá, de alguma forma, encontrar formas de aliviar os sintomas destas mulheres.”

sintomas da menopausa

Tratar os sintomas da menopausa sem hormonas

Por Bem-estar

Os sintomas da menopausa incomodam, maçam, aborrecem. Mas ainda que precisem de ter tratados, nem sempre esse tratamento tem de ser hormonal. A garantia é de Jewel Kling, especialista da divisão de Saúde Feminina da Mayo Clinic, nos EUA.

Afrontamentos, suores, insónias… “Ouvimos algumas vezes a pergunta: ‘Preciso realmente de tratar estes sintomas?’. E a resposta, por muitos motivos, é ‘Sim'”, refere a especialista. “Além das questões de qualidade de vida, há impactos na produtividade, como tempo perdido no trabalho e em casa.”

O essencial é levar os sintomas a sério e encontrar tratamentos que beneficiem e sejam aceitáveis para a mulher, até porque estes sintomas podem estar associados a problemas subjacentes.

“Quanto mais estudamos os afrontamentos, mais vemos que é possível que possam representar um risco subjacente de doença cardiovascular ou até mesmo cancro da mama. Por muitas razões, seria benéfico para nós abordarmos estes sintomas da menopausa”, afirma Jewel Kling.

Perda de peso, uma solução para a menopausa

A terapia hormonal tem sido usada para aliviar os sintomas da menopausa, apesar de normalmente não ser uma opção para mulheres diagnosticadas com cancro da mama, outros cancros mediados por hormonas ou problemas de coágulos sanguíneos. Ou simplesmente porque a mulher a deseja evitar.

Mas existem muitas outras opções que proporcionam alívio. A começar por mudanças no estilo de vida.

Existem evidências de que a perda de peso pode ajudar a reduzir os afrontamentos e suores noturnos. “Descobrimos que o aumento da gordura corporal durante a menopausa está associado aos sintomas e que reduções no peso e nos afrontamentos estão associadas”, refere a especialista.

Na sua prática clínica, descobriu mesmo que a redução de ondas de calor pode ser uma grande motivação para que as mulheres percam peso.

“Na meia-idade, o risco de doenças crónicas, incluindo doenças cardiovasculares e demência, começa a aumentar. Por isso, trabalhar nas questões relacionadas com o peso e outros hábitos saudáveis, como começar uma dieta, é um ganho completo.”

“As mulheres não precisam de aguentar”

Terapias cognitivo-comportamentais e hipnose clínica, dependem de orientação especializada para terem sucesso, mas já se revelaram eficazes a proporcionar alívio, através de técnicas de redução de stress baseada no mindfullness, acupuntura, ioga e meditação.

“Existem muitas formas de ajudar as mulheres a lidarem com o desconforto e com a diminuição da qualidade de vida associada à menopausa,” confirma Jewel Kling. “As mulheres não precisam simplesmente de aguentar. Podem ter ajuda.”

nova esperança para a endometriose

Antibióticos podem tratar a endometriose

Por Investigação & Inovação

A endometriose é um problema crónico para 10% de todas as mulheres com idades entre os 25 e os 40 anos. O que significa que 176 milhões em todo o mundo são obrigadas a viver com dor e desconforto, causado pelo crescimento das células do endométrio fora do mesmo, o que dá origem a lesões. O tratamento passa, hoje, pela terapia hormonal e cirurgia, mas poderá vir a ser alargado, garante um estudo, que aponta um novo caminho.

Investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos EUA, descobriram, em pequenos ratos de laboratório, que o tratamento com um antibiótico consegue reduzir o tamanho das lesões causadas pela endometriose.

Estão, por isso, a planear um grande ensaio clínico multicêntrico, para testar o medicamento (metronidazol) em mulheres com este problema.

Publicado na revista Human Reproduction, o trabalho confirma que o tratamento dos animais com antibiótico consegue reduzir as lesões encontradas no intestino. Os resultados sugerem ainda que as bactérias presentes no microbioma intestinal podem ajudar a prevenir a progressão da doença.

Um estudo considerado “emocionante”

“O nosso objetivo inicial era perceber como é que estas bactérias intestinais, ou a microbiota, poderiam estar relacionadas com a endometriose. Mas talvez se tenha encontrado um tratamento custo-efetivo”, explica Ramakrishna Kommagani, investigador principal e professor assistente de obstetrícia e ginecologia no Centro de Ciências da Saúde Reprodutiva da Universidade de Washington.

Os cientistas já sabiam que as mulheres jovens com maior suscetibilidade à doença inflamatória intestinal eram mais propensas a desenvolver endometriose.

Agora, confirmam que alguns dos micróbios intestinais associados a problemas no intestino também aparecem em destaque na endometriose. E quando os ratos foram trataram com o antibiótico de amplo espetro, as lesões tornaram-se menores e a inflamação foi também reduzida.

Curiosamente, outros antibióticos testados no estudo não surtiram o mesmo efeito. E, para além disso, a equipa de Kommagani descobriu que os níveis de um tipo protetor de bactérias intestinais eram muito baixos nos ratos com endometriose, o que os faz acreditar que, para além dos antibióticos, pode ser possível usar probióticos para aumentar os níveis de bactérias protetoras.

“Este estudo é emocionante, pois abre novas fronteiras na identificação de candidatos bacterianos que podem promover a endometriose em mulheres em idade reprodutiva, e permite-nos realizar estudos futuros destinados a desenvolver formas mais simples de diagnosticar a doença”, refere a coautora Indira Mysorekar.

“Quão saudável é o seu intestino afeta o fardo da doença”, acrescenta Kommagani. “O que se come pode afetar as bactérias no intestino e isso pode promover a endometriose. Por isso, é importante ter hábitos saudáveis ​​e ter a certeza de se tem boas bactérias, para evitar a doença e a dor a ela associada.”

“Esta é uma epidemia silenciosa, em que muitas mulheres pensam que estão apenas a ter cólicas durante os seus ciclos menstruais.”

“É só quando a dor chega a um ponto em que não se consegue lidar com isso que muitas percebem que algo está a  acontece”, reforça o especialista.

mulher na menopausa

Doenças associadas à menopausa são um novo desafio

Por Bem-estar

“A mulher já vive hoje 30 anos em menopausa e, na área da ginecologia, as patologias a ela associadas vão ser cada vez mais importantes.” Daniel Pereira da Silva, especialista em ginecologia e presidente da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia, não tem dúvidas que o desafio demográfico vai implicar alterações na especialidade. No Women’s Health Symposium, falou na “oportunidade”, colocada pela menopausa, para continuar a seguir, de forma rotineira, as mulheres, rotina que, nessa altura, “até diminui”.

No encerramento da 2ª edição do Women’s Health Symposium, que reuniu mais de 250 especialistas de várias áreas médicas envolvidas na saúde feminina, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, estiveram em debate estes e outros desafios que o futuro reserva àqueles que continuam a ser “os médicos que acompanham as mulheres.

“Com o declínio das terapias hormonais vejo cada vez mais atrofias na mulher e no casal, vejo a questão da perda involuntária de urina e vejo também alterações importantes na área da obstetrícia”, explicou.

“Outra área que já é, e vai continuar a ser, cada vez mais importante é a da reprodução. Não dou mais de 10 anos para que seja um direito das mulheres a estimulação aos 25 anos e a recolha de ovócitos, guardados para serem usados mais tarde, quando a mulher entender.”

O impacto da Inteligência Artificial na medicina

A mudança dos comportamentos sexuais vai exigir, considera o especialista, cada vez mais à ginecologia, assim como os avanços que, mais do que o futuro, representam já, em muitos casos, o presente. “A Medicina será das profissões mais afetadas pela Inteligência Artificial”, defendeu.

“O que está à porta em termos, por exemplo, de vigilância permanente da gravidez, com dispositivos que se colocam no abdómen e pulso e o que isto significa, em termos de oportunidade e desafios para as grávidas e para os ginecologistas/obstetras é fantástico!”

Ainda sobre a questão da gravidez falou-se, no simpósio, da importância do primeiro trimestre de gestação como sendo o momento mais importante para a prevenção e deteção das condições que afetam a gravidez, sendo este momento uma janela de oportunidade para intervenções precoces e potencialmente mais benéficas para a mãe e feto.

Aqui, as grandes inovações passam pela possibilidade de detetar as principais alterações cromossómicas no feto (como a trissomia 21), com uma sensibilidade de praticamente 100%, ao analisar o ADN do feto que circula no sangue na mãe, poupando a realização de procedimentos de diagnósticos como a amniocentese.

Medicina cada vez mais “mecanizada”

Ao nível da cirurgia, Daniel Pereira da Silva destaca as mudanças sofridas num passado recente, como “a laparoscopia e a cirurgia robótica, que nos apresentaram uma nova anatomia, com pequenos vasos e nervos que antes não respeitávamos porque simplesmente não os conseguíamos ver. É um mundo novo”.

A questão da pressão a que são submetidos os especialistas foi também realçada na conversa que encerrou o simpósio. De acordo com o especialista, esta pressão vem da parte do sistema, que exige cada vez mais dos médicos, em menos tempo, mas também dos doentes, “que pressionam pela própria informação que têm cada vez mais”. E considera que, de uma “medicina humanista”, vai passar-se para uma “cada vez mais mecanizada, tanto no diagnóstico, como na decisão terapêutica”.

O Women’s Health Symposium, uma iniciativa da Roche, contou com a presença de especialistas nacionais e internacionais e teve enfoque especial no rastreio ao cancro do colo do útero e na pirâmide de cuidados na gravidez, incluindo o rastreio da trissomia 21 e o rastreio da pré-eclâmpsia.