obesidade e tabagismo da mãe na gravidez prejudicam as filhas

Saúde da mãe associada a risco de ovário poliquístico nas filhas

Por Investigação & Inovação

É um problema familiar a uma em cada dez mulheres e uma das causas mais comuns de infertilidade feminina. Agora, um estudo vem dizer que as filhas de mulheres obesas e fumadores na gravidez têm um risco acrescido de vir a sofrer de síndrome do ovário poliquístico.

Publicado online na revista BJOG: An Journal of Obstetrics and Gynecology, o trabalho consegue quantificar este risco. Revela que as meninas com mães obesas, ou seja, com um índice de massa corporal (IMC) de 30 ou superior, apresentaram o dobro do risco relativo de terem síndrome do ovário poliquístico (SOP), quando comparando com aquelas nascidas de mães com peso normal.

Contas feitas, das cinco em 1.000 que se espera venham a desenvolver SOP, o valor aumenta para sete em 1.000 quando a mãe é obesa durante a gravidez e para oito em 1.000 quando a progenitora se encontrava acima do peso (um IMC de 25-30).

No caso do tabaco, o trabalho, desenvolvido por especialistas da Universidade de Uppsala, na Suécia, o risco absoluto aumentou para oito em 1.000 meninas quando a mãe é fumadora (fuma 10 cigarros ou mais por dia), isto quando se compara com aquelas que não têm o vício dos cigarros.

Foram avaliadas, ao todo, mais de 680.000 meninas nascidas na Suécia entre 1982 e 1995, examinando-se a associação entre a exposição pré-natal e o risco associado de desenvolver SOP. Em 2010, 3.738 (0,54%) das meninas foram diagnosticadas com esta a doença.

Riscos na gravidez

Definida como uma doença que influencia o funcionamento dos ovários da mulher, o síndrome do ovário poliquístico pode causar períodos irregulares e um excesso de hormonas masculinas, que podem levar ao excesso de pelos faciais ou corporais. Os sintomas também podem incluir problemas de fertilidade, ganho de peso, perda de cabelo e pele oleosa, tendo um impacto significativo na qualidade de vida.

Embora a causa exata da doença não seja ainda conhecida, mas são cada vez mais as evidências que sugerem que  pode ser desencadeado por fatores ambientais no útero.

“Os resultados deste estudo juntam-se à evidência existente que o excesso de peso ou obesidade durante a gravidez é um fator de risco para o desenvolvimento e ginecologista do Departamento de Saúde da Mulher e da Criança da Universidade de Uppsala, na Suécia.

“Os resultados mostram também uma associação entre tabagismo na gravidez e desenvolvimento de SOP. Embora o nosso estudo mostre apenas uma associação e, portanto, não pode ser feita nenhuma conclusão definitiva sobre causa e efeito, aconselhamos as mulheres a deixar de fumar e garantir um peso saudável para reduzir o risco associado.”

Conselhos dirigidos às mulheres

Para Melanie Davies, obstetra, ginecologista e porta-voz do Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, considera que este estudo “destaca a importância das mulheres deixarem de fumar e manterem um peso saudável, garantindo uma dieta bem equilibrada e fazendo exercício regular antes e durante a gravidez, para darem aos seus filhos um início de vida muito melhor”.

“Não há cura para a SOP, mas parar de fumar, garantir uma alimentação saudável e ser ativo pode melhorar ou prevenir muitos sintomas associados à doença, ajudando a equilibrar o nível de hormonas.”

John Thorp, editor adjunto do BJOG, acrescenta ser necessário “aumentar a consciencialização sobre os efeitos adversos do tabagismo e da obesidade na gravidez. As mulheres tendem a ser mais recetivas a fazer mudanças saudáveis ​​antes da conceção e durante a gravidez, e os profissionais de saúde têm uma oportunidade incomparável de apoiar as mulheres a fazer tais ajustes, para garantir os melhores resultados possíveis para eles e para os seus bebés”.