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Pode a saúde oral estar a afetar a fertilidade?

impacto da saúde oral na fertilidade

Um novo estudo, publicado no Journal of Dental Research, mostra que a inflamação persistente na cavidade oral pode prejudicar a função ovárica, reduzir a qualidade dos óvulos e, em última análise, diminuir as taxas de fertilidade. Descobertas que apontam para uma possível associação entre a saúde oral e a infertilidade inexplicada, abrindo novas perspetivas para futuros tratamentos.

Em laboratório, num modelo animal, os investigadores descobriram que a inflamação não se restringe à cavidade oral, mas desencadeia uma resposta imunitária sistémica que atinge os ovários, com consequências significativas: a inflamação oral crónica nos animais foi associada a níveis elevados de citocinas inflamatórias nos ovários, juntamente com alterações nas populações de células imunes. Isto foi acompanhado por danos oxidativos no tecido ovárico, comprometimento do desenvolvimento folicular e redução da qualidade dos ovócitos.

Estas alterações biológicas traduziram-se em resultados reprodutivos mensuráveis, com taxas de nados-vivos marcadamente reduzidas observadas em condições inflamatórias.

O estudo também identificou efeitos celulares mais profundos. Os ovócitos apresentaram danos no ADN e alterações epigenéticas semelhantes às observadas no envelhecimento reprodutivo, apontando para um possível mecanismo pelo qual a inflamação acelera o declínio da fertilidade.

“A inflamação é frequentemente considerada uma resposta localizada, mas as nossas descobertas mostram que pode ter consequências sistémicas que se estendem até ao sistema reprodutivo”, refere Michael Klutstein, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém. “Este estudo sugere que a inflamação oral crónica pode ser um fator subestimado na infertilidade feminina, contribuindo potencialmente para casos que atualmente não têm uma explicação clara.”

As descobertas reforçam as crescentes evidências de que a saúde oral está intimamente associada à saúde geral. As condições inflamatórias orais crónicas, como a periodontite, são comuns e já foram associadas a uma série de doenças sistémicas.

Os investigadores observam que mais investigação em ambientes clínicos será essencial para determinar como estas descobertas se traduzem no atendimento ao doente. A confirmar-se, o estudo poderá abrir novos caminhos para o diagnóstico e tratamento, incluindo o uso de abordagens anti-inflamatórias ou antioxidantes para melhorar os resultados de fertilidade.

Crédito imagem: Pexels

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