Novas Guidelines da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) recomendam que todos os doentes com doença cardíaca sejam testados para doença renal.
A doença renal crónica é definida como a presença de anomalias na estrutura ou função renal, presentes há pelo menos três meses, com implicações para a saúde, estimando-se que existam cerca de 100 milhões de pessoas na Europa com DRC, todas com um risco acrescido de várias doenças cardiovasculares como resultado do seu problema renal.
“A incapacidade e a perda de esperança de vida devido a cada doença são profundas, mas a doença renal crónica pode acelerar a doença cardiovascular e vice-versa, resultando em eventos cardiovasculares e na necessidade de diálise muito mais cedo na vida”, afirma o presidente da taskforce criada para a realização destas guidelines, Kevin Damman, do Centro Médico Universitário de Groningen, Holanda.
“A boa notícia é que houve grandes avanços nos últimos anos, o que significa que existem agora vários tratamentos simples que podem reduzir substancialmente o risco de complicações cardiovasculares e renais.”
“Muitos doentes com doença renal crónica são tratados pela comunidade de cardiologia e as novas Guidelines da ESC visam aumentar o uso de testes de função renal e albumina na urina em doentes com doença cardiovascular. Com uma triagem melhorada, podem ser identificados mais doentes em risco e os tratamentos mais adequados podem ser prescritos”, acrescenta o presidente do Grupo de Trabalho, William Herrington, da Universidade de Oxford, Reino Unido.
Rastrear os doentes para a doença renal
O Grupo de Trabalho considera que o primeiro passo é rastrear todos os doentes com doença cardiovascular no momento do diagnóstico de doença renal crónica através de análises ao sangue e à urina (taxa de filtração glomerular estimada a partir da creatinina sanguínea mais a relação albumina/creatinina na urina).
Abordar o risco significa garantir a utilização precoce de terapêuticas comprovadamente eficazes e custo-efetivas que modifiquem o risco e que já demonstraram ser capazes de atrasar a progressão da doença renal crónica e reduzir o risco de eventos cardiovasculares.
As orientações destacam áreas-chave onde são necessárias modificações na gestão das doenças cardiovasculares no contexto da doença renal crónica, incluindo recomendações para medicamentos permitidos em doentes que podem não ser capazes de eliminar os tratamentos padrão dos seus corpos devido à diminuição da função renal.
Por fim, o planeamento adequado dos serviços de saúde garante que os serviços estão estruturados para reconhecer os doentes de alto risco e proporcionar o acesso atempado a cuidados por parte de cardiologistas e nefrologistas. “A comunicação ativa e eficiente entre especialidades é frequentemente necessária devido às complexidades associadas à doença renal crónica”, observa Herrington. “O envolvimento dos doentes e dos familiares/cuidadores no processo de cuidados multidisciplinares também ajuda a garantir que as prioridades dos doentes são atendidas, a melhorar a sua experiência e a promover cuidados centrados no doente.”
Os responsáveis concluem que as doenças cardiovasculares e a doença renal crónica representam grandes fardos para os doentes, os sistemas de saúde e a sociedade. As principais mensagens destas orientações devem ser observadas por todas as partes interessadas e decisores políticos relevantes na área da saúde, e a investigação deve ser planeada para preencher diversas lacunas nas evidências. Aumentar a consciencialização ajudará a concretizar a esperança de que as orientações levem a uma importante melhoria individual e social para aqueles que têm, ou estão em risco de desenvolver, doenças cardiovasculares e doença renal crónica.”
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