Os drones podem ser utilizados para fazer chegar desfibrilhadores automáticos externos ao local onde uma pessoa está a sofrer uma paragem cardiorrespiratória extra-hospitalar, de acordo com um estudo apresentado no Congresso Europeu de Medicina de Emergência.
Os desfibrilhadores automáticos externos estão geralmente localizados a grandes distâncias uns dos outros, o que torna o acesso aos mesmos desigual, sobretudo em zonas rurais ou em ambientes urbanos muito congestionados. No entanto, a investigação mostra que a entrega destes dispositivos através de drones, combinada com a disponibilização de mais desfibrilhadores fixos, reduz significativamente o tempo entre o registo de uma paragem cardiorrespiratória extra-hospitalar e o início da desfibrilhação.
“A paragem cardiorrespiratória extra-hospitalar é um grande problema de saúde pública. A sobrevivência depende muito da reanimação cardiopulmonar precoce e da desfibrilhação atempada”, explica Hillary Minka, médica de urgência no Hospital Lariboisière, em Paris. “Cada minuto de atraso antes da desfibrilhação reduz as hipóteses de sobrevivência.”
Foi, por isso, que os investigadores decidiram perceber “se os drones poderiam proporcionar um acesso mais rápido aos desfibrilhadores automáticos externos do que o transporte terrestre de desfibrilhadores automáticos externos fixos existentes e, assim, melhorar o acesso à desfibrilhação em toda a região”.
Minka e os colegas utilizaram dados sobre paragens cardiorrespiratórias extra-hospitalares em sete áreas administrativas da Île-de-France, para realizar um estudo de simulação computacional que analisou três estratégias: reforço da atual rede de desfibrilhadores automáticos externos fixos; utilização de drones para entrega dos dispositivos; uma combinação dos dois.
Verificaram que o acesso a distribuição de desfibrilhadores automáticos externos era muito heterogénea, com escassez nas zonas rurais e nos arredores de Paris. O uso de drones reduziu significativamente o tempo de espera para acesso a um desfibrilhador, que dependia tanto do número de drones implantados como do seu posicionamento geográfico.
Na estratégia híbrida que combina desfibrilhadores automáticos externos fixos e drones, os tempos de acesso foram reduzidos em média 3,76 minutos em todas as unidades. Os desfibrilhadores foram administrados a mais de 95% dos casos de paragem cardiorrespiratória extra-hospitalar no prazo de cinco minutos, em comparação com apenas 30-40% dos casos quando se dependia do transporte de locais com dispositivos fixos existentes através da rede rodoviária.
“O nosso estudo mostrou que a administração de desfibrilhadores automáticos externos por drones pode reduzir o tempo para a desfibrilhação em vários minutos, com benefícios particularmente significativos em áreas periféricas e de alta complexidade. Os nossos resultados sugerem também que esta estratégia híbrida poderá proporcionar uma cobertura territorial muito ampla, limitando a necessidade de instalar centenas de desfibrilhadores automáticos externos adicionais”, refere a investigadora.
Os investigadores defendem que os drones poderão ser operados por pessoas especialmente treinadas ou por sistemas automatizados sob a supervisão dos serviços de emergência. Quando o drone chega ao local de uma paragem cardiorrespiratória extra-hospitalar, um transeunte já presente pegaria no desfibrilhador e começaria a utilizá-lo no doente, guiado pelos serviços de emergência.
“Os drones nunca substituirão os transeuntes, os esforços de reanimação ou as equipas médicas de emergência”, afirma Minka. “No entanto, podem representar um elo adicional na cadeia de sobrevivência e ajudar a disponibilizar a desfibrilhação mais rapidamente. Este estudo mostra também que a melhoria do acesso aos desfibrilhadores automáticos externos depende não só do número de dispositivos disponíveis, mas também da forma como estão distribuídos e organizados geograficamente. Em algumas áreas, os drones podem, portanto, representar uma estratégia complementar à implantação em larga escala de dispositivos fixos adicionais.”
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