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Mais de uma em cada 10 pessoas com cancro do pulmão não sabe qual o seu tipo de tumor

cancro do pulmão

Mais de uma em cada 10 pessoas com cancro do pulmão não sabe que tipo de tumor tem, revelam os dados de um estudo de 17 países, realizado pela Global Lung Cancer Coalition (GLCC), apresentado na European Lung Cancer Conference.

Quase um em cada cinco doentes avaliados ​​não se sentiu envolvido nas decisões sobre o seu tratamento e cuidados, e uma proporção semelhante sentiu que nunca ou apenas algumas vezes foi tratado com dignidade e respeito por aqueles que dele cuidavam.

“Fiquei chocada que algumas pessoas não soubessem que tipo de cancro do pulmão tinham porque, se não tiverem essa informação, como podem entender as suas opções de tratamento para tomar decisões sobre os seus cuidados?”, questiona Vanessa Beattie, do GLCC.

“Ter um diagnóstico de cancro do pulmão é devastador e é essencial que os doentes recebam informações de boa qualidade desde o início, para que possam tomar decisões informadas sobre o seu tratamento. No diagnóstico,  devem ter informações, por escrito ou de outra forma, sobre o estágio do seu cancro e um potencial plano de tratamento que podem discutir com a sua equipa médica e com a sua família.”

Dos 907 doentes com cancro do pulmão que participaram na investigação realizada em janeiro de 2020, 574 (63%) eram europeus. Destes, 11% não sabiam que tipo de cancro do pulmão tinham (13% globalmente), 19% não se sentiram envolvidos nas decisões sobre o seu tratamento e cuidados (18% globalmente) e 11% sentiram que ‘nunca’ ou apenas ‘às vezes’ foram tratados com dignidade e respeito pela sua equipa de tratamento (9% globalmente).

Beattie sugere que, embora os serviços de oncologia possam variar na Europa e no mundo, os médicos precisam de continuar a desafiar-se para promover melhorias no tratamento do cancro do pulmão e de se envolver com os doentes para atender às suas necessidades individuais.

“Existe ainda um estigma associado ao cancro do pulmão por causa das suas ligações ao tabagismo, mas todos os doentes devem ser tratados com dignidade e respeito em todos os momentos e ter uma experiência positiva de atendimento onde quer que sejam tratados, incluindo oportunidades para falar sobre as suas preocupações”, reforça a especialista.

As diferenças de linguagem e a crescente complexidade dos tratamentos para o cancro do pulmão podem dificultar a comunicação dos doentes com a sua equipa médica, o que pode prejudicar não apenas o atendimento, mas também o progresso recente na capacitação do doente.

Como comentário a estas descobertas, Sanjay Popat, especialista da Royal Marsden NHS Foundation Trust, no  Reino Unido, considera que deveriam ser um alerta para todos os profissionais de saúde envolvidos no cuidado aos doentes com cancro do pulmão e outros cancros para a necessidade de processos que garantam uma comunicação eficaz.

“As estatísticas da pesquisa do GLCC pintam um quadro desolador, e o facto de 11% dos pacientes a não conhecerem o seu tipo de cancro do pulmão é uma estatística muito contundente. Queremos que os pacientes tenham autonomia para tomar decisões sobre como e onde querem ser tratados e isso só pode acontecer se tivermos uma boa comunicação em todas as fases, com objetivos e metas comuns”, afirma.

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