adoçantes e o controlo de peso

Ciência confirma que adoçantes de baixas calorias ajudam a controlar o peso

Por | Nutrição

Não há um, nem dois ou três, mas vários estudos científicos que confirmam que os adoçantes de baixas calorias podem ser ferramentas úteis no controlo do peso, isto quando usados em vez do açúcar e sempre como parte integrante de uma dieta menos calóricas e de um estilo de vida saudável.

É para isso que chama a atenção um editorial recentemente publicado na revista científica BMJ, da autoria de Vasanti Malik, investigador da Universidade de Harvard, que confirma que, nos adultos, as conclusões dos ensaios que comparam o consumo de adoçantes de baixas calorias à ingestão de açúcar dão conta da vantagem dos primeiros, sobretudo no que diz respeito a melhorias no índice de massa corporal e nas concentrações de glicose em jejum.

Resultados comprometidos

Ainda que, recentemente, a revisão de alguns trabalhos tivesse dado conta da falta de evidência em relação aos eventuais benefícios para a saúde dos adoçantes de baixas calorias, são várias as vozes que se levantam contra estas afirmações. 

A começar pela Associação Internacional de Adoçantes, que salienta as “grandes limitações” desta revisão, que optou por excluir “estudos importantes e bem elaborados, que examinaram os efeitos a longo prazo de produtos com adoçantes de baixas calorias (por exemplo, refrigerantes dietéticos) na gestão e controlo de peso”.

A mesma fonte salienta, por exemplo, o ensaio clínico realizado ao longo de um ano por Peters et al, que “mostrou claramente um efeito benéfico da ingestão de bebidas com adoçantes de baixas calorias, tanto na perda de peso como na gestão e na manutenção da perda de peso”.

Para estes especialistas, “ao excluir estes estudos, os resultados finais da revisão e da meta-análise podem ter sido comprometidos”.

Ferramentas importantes

Mas estes não são os únicos a falar sobre o tema. Numa altura em que a Europa reforça a luta contra o açúcar, com taxas e impostos que visam reduzir o consumo de produtos ricos em açúcar, o britânico Calorie Control Council, uma organização internacional, reforça que os adoçantes de baixas calorias continuam a ser uma ferramenta importante.

E, “apesar das declarações em contrário, uma evidência científica de grande qualidade mostra que o consumo de adoçantes de baixas calorias resulta numa redução do peso corporal, não origina ganho de peso e não provoca desejos por doces”.

espirulina para a hipertenção

Um “superalimento” que cria nova esperança na luta contra a hipertensão

Por | Nutrição

Já se encontra, em forma de pó, disponível para venda na maior parte das grandes superfícies em Portugal. Mas a espirulina – ou spirulina – é ainda pouco conhecida dos portugueses, apesar de se lhe serem atribuídos muitos benefícios para a saúde. Já a ciência, continua a debruçar-se sobre este “superalimento” e agora encontrou-lhe outra vantagem: ajudar a combater a hipertensão.

Ainda que a identificação correta dos seus efeitos se mantenha como tema de investigação científica, esta cianobactéria, também classificada como “alga azul”, tem uma longa história e sabe-se mesmo que já era usada pelos astecas.

É do trabalho num Laboratório de Fisiopatologia Vascular da I.R.C.C.S. Neuromed, em Itália, que resulta a mais recente novidade: a capacidade de neutralizar a hipertensão arterial, dilatando os vasos sanguíneos.

No extrato de espirulina foi descoberto um péptido, ou seja, uma molécula composta por aminoácidos, tais como proteínas, mas muito pequeno, que se sabe agora ser capaz de relaxar as artérias, proporcionando uma ação anti-hipertensiva.

Estas experiências, descritas num artigo na revista Hypertension, foram realizadas em laboratório, com modelos animais, mas os seus resultados são promissores.

Investigação identifica nova molécula

“A nossa investigação começou por submeter o extrato bruto de espirulina a uma digestão gastrointestinal simulada”, explica Albino Carrizzo, principal autor do trabalho.

“Por outras palavras, reproduzimos o que acontece no intestino humano depois de ingerir a substância.”

Uma experiência que permitiu a identificação, pela primeira vez, de uma molécula chamada SP6, que revelou ter uma ação vasodilatadora, um efeito potencialmente anti-hipertensivo.

Algo que levou os investigadores a experimentar o peptídeo em animais que sofrem de hipertensão, o que resultou numa diminuição efetiva da pressão arterial.

“É necessária mais investigação, mas o SP6 pode representar um adjuvante natural para as terapêuticas comuns”, conclui Carmine Vecchione, professor na Universidade de Salerno.

excesso de consumo de açúcar

Aos 10 anos, as crianças já consumiram o açúcar recomendado até aos 18

Por | Nutrição

Que as crianças, no geral, comem muitos doces não é propriamente uma novidade. Mas os números britânicos confirmam-no com dados assustadores: de acordo com as autoridades britânicas, quando chegam ao décimo aniversário, as crianças já ultrapassaram a ingestão máxima recomendada de açúcar até aos 18 anos.

Os números são da Public Health England (PHE), tendo por base o consumo total de açúcar a partir dos dois anos e dão o mote para uma nova campanha da Change4Life (programa de saúde pública inglês), que se destina a ajudar as famílias a reduzir o açúcar e combater as taxas crescentes de obesidade infantil.

Por terras de sua majestade, e apesar de todos os esforços feitos para contrariar o consumo de doces, os mais pequenos ainda ingerem cerca de oito cubos de açúcar em excesso por dia, o equivalente a cerca de 2.800 cubos a mais por ano.

Para ajudar os pais, a Change4Life incentiva-os a fazerem trocas simples, seja nos iogurtes, nas bebidas ou nos cereais de pequeno-almoço, oferecendo versões mais saudáveis ​​dos alimentos e bebidas de que os mais pequenos gostam.

Trocas simples, mas eficazes

Os conselhos até podem ser dirigidos aos britânicos, mas vale também para os portugueses. Da próxima vez que os pais forem às compras, que tal trocar um iogurte com alto teor de açúcar para um menos açucarado, receita que vale também para os cereais? Ou optar por um sumo sem adição de açúcar?

Transformar estas trocas num hábito diário poderia remover cerca de 2.500 cubos de açúcar por ano da dieta de uma criança. Claro que trocar o chocolate, pudins, doces, bolos e doces por opções mais saudáveis, como pão, geleias sem açúcar ou cremes com baixo teor de açúcar reduziria ainda mais a sua ingestão.

32% das meninas e 29% dos meninos com quilos a mais

Apesar de os dados mais recentes do estudo Childhood Obesity Surveillance Initiative(COSI), da Organização Mundial da Saúde-Europa, terem confirmado a diminuição das prevalências de excesso de peso e obesidade infantil em Portugal, ainda assim, até 2017, 32% das crianças (com sete anos) portuguesa do sexo feminino apresentavam excesso de peso (incluindo obesidade), o mesmo acontecendo em 29% das crianças do sexo masculino.

Dados que confirma que os países do sul da Europa continuam a ser aqueles em que se verificam as maiores prevalências de obesidade infantil.

espinafres são ricos em luteína

E a melhor forma de comer os espinafres é…

Por | Nutrição

Chama-se luteína, é uma substância presente em vários vegetais e porque são muitas as suas vantagens para a saúde, um grupo de investigadores da Universidade de Linköping, na Suécia, decidiu avaliar qual a melhor forma de consumir os espinafres, ricos neste composto, de modo a poder beneficiar ao máximo do mesmo.

E não, não é na sopa que mais beneficia do consumo de espinafres. Até porque, como muitos outros nutrientes, a luteína degrada-se com o calor.

“O que é único neste estudo é que usamos métodos de preparação que são frequentemente usados ​​para cozinhar alimentos em casa, e comparamos várias temperaturas e tempos de aquecimento. Também investigamos métodos de preparação em que o espinafre é comido frio, como em saladas e smoothies”, explica Lena Jonasson, professora do Departamento de Ciências Médicas e da Saúde e consultora em cardiologia.

Com o objetivo de simular métodos de preparação frequentemente usados ​​no dia-a-dia, os investigadores compraram espinafre num supermercado. E prepararam-no de várias formas. Depois, mediram o conteúdo de luteína em diferentes momentos.

Na sopa, na lasanha, em sumos

Espinafres cozidos numa sopa não são submetidos a temperaturas tão altas como os espinafres numa lasanha, por exemplo. É por isso que os cientistas compararam diferentes tempos de aquecimento.

Porquê? Ao que parece o tempo de aquecimento é importante. Quanto mais tempo forem cozinhados os espinares, menos luteína retêm.

O método de cozedura também é importante, uma vez que quando os espinafres são fritos em altas temperaturas, bastam dois minutos para haver degradação de uma grande quantidade de luteína.

Reaquecer a comida no microondas é uma prática muito comum na vida moderna. E, de acordo com os investigadores, este método compensa, em certa medida, a perda de luteína nos alimentos cozinhados, uma vez que é libertada mais luteína do espinafre à medida que a estrutura da planta é decomposta pelo microondas.

Mas o melhor mesmo, garantem, é consumir os espinafres em sumos ou “fazer um smoothie e adicionar gordura de produtos lácteos, leite ou iogurte. Quando o espinafre é picado em pedaços pequenos, mais luteína é libertada das folhas, e a gordura aumenta a sua solubilidade”.

contar calorias

Dados sobre calorias nos rótulos tornam a comida menos ‘apetitosa’

Por | Nutrição

Que os rótulos dos alimentos nos dão informações muito importantes sobre o que comemos já é mais do que sabido. Agora, um estudo confirma que a presença de dados sobre as calorias torna a comida menos apetitosa e, mais do que isso, muda a forma a como o cérebro responde à mesma.

A garantia é dada por um trabalho realizado por especialistas da Universidade de Dartmouth, publicado na revista científica PLOS ONE, que revela que, perante imagens de alimentos com a respetiva informação calórica, o cérebro mostrou uma ativação diminuída do sistema de recompensa e uma ativação aumentada do sistema de controlo.

O que significa que os alimentos que as pessoas poderiam estar inclinadas a comer se tornaram menos desejáveis quando incluíam informação calórica.

“As nossas descobertas sugerem que os rótulos com calorias podem alterar as respostas no sistema de recompensa do cérebro”, explica Andrea Courtney, primeira autora do estudo.

Desejo de comer vs calorias

Para o estudo, foram selecionados 42 estudantes, com idades entre os 18 e os 22 anos, divididos em dois grupos: os que faziam dieta e aqueles que não tinham preocupação com ganhos de peso.

A ambos foram mostradas 180 imagens de alimentos sem informações calóricas, seguidas de imagens com informação sobre as calorias, que incluíam alimentos como cheeseburger, batatas fritas e uma fatia de cheesecake de cereja, e foi-lhes pedido que avaliassem o seu desejo de comer, enquanto submetidos a uma ressonância magnética funcional.

O peso da dieta

Para todos os participantes, sem exceções, os alimentos com teor calórico foram vistos como menos apetitosos. No entanto, o efeito foi mais forte entre os que se encontravam a fazer dieta. 

O que sugere que “as intervenções nutricionais provavelmente terão mais sucesso se tiverem em conta a motivação do consumidor, incluindo se faz dieta”, refere Andrea Courtney.

“Para motivar as pessoas a fazerem escolhas alimentares mais saudáveis são necessárias mudanças políticas que incluam não apenas a informação nutricional, incluindo o conteúdo calórico, mas também uma componente de educação pública, que reforce os benefícios a longo prazo de uma dieta saudável”, reforça Kristina Rapuano, uma das responsáveis pelo trabalho.

resolução de ano novo

Resoluções para um ano novo saboroso e saudável

Por | Nutrição

Com o ano novo à vista, é tempo para fazer as listas: de coisas que se prometem mudar, de desejos que se querem concretizar, de metas e sonhos a conquistar. Seja quais forem as resoluções, que tal incluir uma dieta saudável e equilibrada, garantia de inúmeros benefícios em 2019 e mais além?

Os conselhos são da Organização Mundial de Saúde (OMS), que deixa dicas simples, associadas ao que comemos e bebemos.

políticas de supermercado

Remoção de doces das caixas dos supermercados ajuda a combater a obesidade

Por | Nutrição

São uma tentação. Mas, mais do que isso, são uma tentação que prejudica a saúde. Agora, um novo estudo da Universidade de Cambridge confirma que afastar, nos supermercados, as batatas fritas e os doces da zona das caixas registadoras reduz, de forma dramática, a compra de alimentos não saudáveis.

Publicado na revista PLOS Medicine, a investigação conseguiu quantificar esta redução: contas feitas, foram 76% menos as compras, e consequentemente, menos também o consumo de salgados, chocolates e batatas fritas em supermercados onde existia uma preocupação com os alimentos colocados nas caixas, comparando com aqueles que a tinham.

Não é novidade que as políticas usadas no comércio, que incluem a forma como são exibidos os produtos, o seu posicionamento, promoções e preços, podem influenciar as escolhas dos consumidores.

E não é novo também que as caixas dos supermercados são um espaço importante, uma vez todos os clientes precisam de passar por elas para pagar, ali passando algum tempo, que pode ser considerável, se pensarmos na existência de filas.

No entanto, a maioria dos alimentos que ali se encontram não são os mais saudáveis. 

“Muitos dos snacks escolhidos nas caixas podem não ser planeados, podem ser compras por impulso – e as opções tendem a ser bolos, chocolates ou batatas fritas”, confirma Jean Adams, especialista do Centre for Diet and Activity Research da Universidade de Cambridge.

Redução imediata de 17%

No Reino Unido, vários supermercados introduziram políticas que incluem uma escolha atenta dos itens colocados junto às suas caixas e foi o seu impacto nas escolhas de compra dos consumidores que se procurou aqui avaliar.

Para examinar o efeito que a introdução de políticas de compras nas grandes redes de supermercados teve sobre os hábitos de compra dos consumidores, Jean Adams liderou uma equipa de investigadores das universidades de Cambridge, Stirling e Newcastle, que analisaram dados do painel de consumidores da Kantar Worldpanel para alimentos, bebidas e produtos domésticos.

Em primeiro lugar, a equipa analisou a alteração à forma como eram feitas as compras de alimentos menos saudáveis ​​nas caixas, após a implementação das políticas de escolha de alimentos, levadas a cabo em seis das nove grandes cadeias de supermercados entre 2013 e 2017.

E verificou que a implementação destas políticas estava associada a uma redução imediata de 17% nas compras. 

Medida simples “encoraja alimentação mais saudável”

Foram também avaliados dados de 7.500 compradores, que registaram alimentos comprados e consumidos durante o período de 2016 a 2017 em supermercados com e sem políticas de verificação de alimentos nas caixas.

As compras para levar são muitas vezes impulsivas. Neste caso, o valor reduziu 76% nos supermercados onde existia um cuidado nas caixas, em comparação com aqueles que não o tinham

Embora não tenha sido possível afirmar com toda a certeza que as mudanças no comportamento de compra foram devidas às políticas implementadas, os investigadores ainda assim acreditam que uma coisa tem a ver com a outra.

“As nossas descobertas sugerem que, ao remover doces e salgados das caixas, os supermercados podem ter uma influência positiva nos tipos de compras que os compradores fazem”, refere Katrine Ejlerskov, autora principal do estudo.

“Esta seria uma intervenção relativamente simples, com potencial para encorajar uma alimentação mais saudável. Muitas destas compras podem ter sido compras por impulso, por isso, se o comprador não pegar numa barra de chocolate na caixa, pode ser uma barra de chocolate a menos que consome.”

Dicas para uma mesa de Natal que junta o prazer à saúde

Por | Nutrição

Toda a gente sabe que Natal é também, por tradição, comida. É uma mesa sempre cheia, à volta da qual se senta a família, tentada a excessos que a quadra até pode justificar, mas que a saúde nem sempre perdoa. Mas porque o Natal não são apenas dois dias, há algumas dicas, deixadas pelo site Nutrimento, que pode ajudar a que o convívio através da comida alie o prazer à saúde.  

família à mesa

Disfuncionais ou não, as famílias que partilham refeições comem melhor

Por | Nutrição

Uma família até pode ser disfuncional, desligada emocionalmente, mas quando os seus elementos se sentam juntos à mesa partilham uma característica importante: comem todos melhor.

O que é que uma coisa tem a ver com a outra? Foi isso que descobriu um novo estudo, realizado por investigadores da Universidade de Guelph, que confirma que “a reunião à volta da mesa de jantar é uma espécie de coisa mágica”.

As palavras são de Kathryn Walton, nutricionista e investigadora, que acrescenta: “é uma altura em que as famílias podem desacelerar dos seus dias ocupados e conversar, passar tempo juntas e resolver problemas. É também uma altura em que os pais podem modelar comportamentos alimentares saudáveis”.

A ‘magia’ que acontece à mesa faz com que os adolescentes e adultos jovens comam mais frutas e verduras e consumam menos fast-food e snacks, revela o mesmo trabalho.

O segredo está… na companhia

Publicado recentemente na revista JAMA Network Open, o estudo avaliou mais de 2.700 participantes, com idades entre os 14 e os 24 anos, que viviam com os seus pais e a quem foi perguntado com que frequência se sentavam para jantar com as suas famílias, quão bem funcionavam em família e qual o consumo de frutas e legumes, bebidas açucaradas, fast food e snacks.

Foi esta análise que permitiu verificar que os jantares de família estão associados a uma melhor ingestão alimentar no caso dos adolescentes e jovens adultos, façam estes parte de uma família ‘funcional’ ou nem por isso.

“Para usufruir dos muitos benefícios dos jantares em família, a refeição não precisa de ser um grande acontecimento”, afirma. “Mesmo que seja algo que a pessoa tira do congelador, ao qual junta apenas uma salada, essa será uma refeição nutricionalmente adequada”, refere a especialista.

O segredo não está na refeição, mas na companhia, até porque muitos dos adolescentes e jovens adultos que vivem com os pais estão ocupados com atividades extracurriculares noturnas, o que torna difícil encontrarem tempo para jantarem com os restantes elementos da família.

Outro dos segredos para o sucesso de uma refeição está na sua confeção, uma vez que, de acordo com a investigadora, quando os elementos da família ajudam a preparar a comida, são mais propensos a comê-la. 

Kathryn Walton, a responsável por este trabalho, não vai ficar por aqui, prometendo continuar a estudar formas de facilitar que as famílias ocupadas se juntem às refeições. 

peso das mães influencia IMC dos filhos

Quando se trata do peso das crianças, as mães importam, os pais não

Por | Nutrição

“Os pais têm um grande impacto na saúde e no estilo de vida dos seus filhos”, confirma, sem grandes surpresas, Marit Næss, especialista do Centro de Investigação HUNT. E é sem surpresas também que acrescenta que “os comportamentos que levam à obesidade são facilmente transferidos de pais para filhos”. Mas como é que as mudanças no estilo de vida de mães e pais afetam o índice de massa corporal (IMC) dos filhos? De forma bem diferente, garante o estudo que liderou.

E que conclui que a perda de peso da mãe, e apenas desta, afeta o IMC dos filhos. “Se o peso da mãe cair entre dois a seis quilos, isso pode estar ligado a um menor IMC nas crianças”, refere Kirsti Kvaløy, investigadora do HUNT, um estudo longitudinal de saúde da população realizado no centro da Noruega, que avaliou 4.424 crianças e pais e os seguiu ao longo de 11 anos.

Se um menor peso das mães significa também crianças menos pesadas, em relação aos pais a história é bem diferente. No caso do progenitor, os investigadores não foram capazes de encontrar uma ligação significativa entre perda de peso e o índice de IMC das crianças.

Mas há mais. “As mães cujos níveis de atividade diminuem à medida que os seus filhos crescem estão associadas a crianças com maior IMC na adolescência”, diz Næss. Ou seja, se a mãe não permanecer fisicamente ativa, as crianças ficarão mais pesadas, algo que também não foi possível confirmar no caso dos pais.

O papel da educação

De acordo com os especialistas, as mães continuam a ser as principais responsáveis ​​pelo planeamento das atividades domésticas e pelas escolhas alimentares, embora este estudo não tenha examinado essas questões.

O que significa que as pequenas mudanças que esta faz na sua dieta e nos seus hábitos acabam por envolver toda a família, noção reforçada pelo facto de os investigadores não terem encontrado uma relação correspondente quando os pais perdem muito peso.

Então e a educação? Os resultados são bastante claros quando esta é incluída na equação. “Em média, o IMC é menor nas famílias com ensino superior, em comparação com famílias com menos educação”, diz Kvaløy. No entanto, a redução do peso materno parece exercer maior influência no IMC das crianças de famílias com ensino superior.