Os jovens socialmente vulneráveis procuram os cuidados de saúde públicos sobretudo por causa da alimentação, doenças e exercício físico, atribuindo menos importância a questões como o álcool e o tabaco e valorizando a privacidade e as competências dos médicos, revela um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), publicado na revista científica Archives of Public Health.
Liderado por Carlos Franclim Silva e Paulo Santos, professores da FMUP, espera-se que este trabalho contribua para o desenvolvimento de políticas públicas mais inclusivas e eficazes, reforçando “a importância de ouvir os jovens em situação de vulnerabilidade social e de ajustar os serviços às suas necessidades reais”.
Este estudo envolveu 571 adolescentes e jovens adultos, com idades entre os 14 e os 24 anos, residentes em instituições de acolhimento no norte de Portugal. O objetivo era estudar as preferências e expectativas destes jovens em relação aos cuidados de saúde primários em Portugal. Pretendia-se também “dar voz a um grupo frequentemente esquecido pelo sistema de saúde, apesar de apresentar riscos acrescidos para a saúde física e mental”.
De acordo com o trabalho, a maioria destes jovens procura centros de saúde públicos. Cerca de metade tem a expectativa de que os médicos de família façam a vigilância da sua saúde, abordando questões sobre doenças, alimentação e exercício físico.
“Os temas mais valorizados nas consultas foram alimentação (83%), questões relacionadas com doenças específicas (82%) e exercício físico (75%), o que reflete a preocupação crescente com o bem-estar físico e uma maior consciência sobre hábitos de vida saudáveis. Por outro lado, temas como tabaco, drogas e tempo livre foram menos referidos”, indica Paulo Santos, professor da FMUP.
Concluiu-se também que os jovens em situação de vulnerabilidade social apreciam sobretudo as competências dos médicos. “Os jovens valorizam médicos competentes, empáticos e capazes de comunicar de forma clara e respeitosa, especialmente em temas sensíveis como a sexualidade”, afirma Paulo Santos, que é também investigador do RISE-Health.
Fatores como a privacidade e a acessibilidade são de grande importância para esta faixa da população especialmente vulnerável. Além das competências médicas, estes jovens também “valorizam fatores como a localização do serviço, horários disponíveis, privacidade e tempo de espera”, acrescenta.
Para Paulo Santos, este trabalho evidencia a necessidade de alinhar melhor as “agendas” dos serviços e dos profissionais de saúde com as prioridades dos jovens mais vulneráveis do ponto de vista social, contribuindo para a prestação de cuidados mais centrados nas suas necessidades reais.
“Estas conclusões apontam para a necessidade de adaptar os serviços de saúde às expectativas deste grupo, reforçando a formação dos profissionais em comunicação com jovens, garantindo privacidade e flexibilizando os horários de atendimento”, aconselha.
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