
As propriedades anti-inflamatórias das células estaminais do tecido adiposo e da medula óssea têm motivado o seu uso em inúmeros ensaios terapêuticos. Mas há uma nova investigação que garante que as células hepáticas podem ter maior valor e que podem ajudar a evitar a rejeição de órgãos em caso de transplante.
Realizado por um grupo de investigadores da Mayo Clinic, nos EUA, e publicado na revista científica Liver Transplantation, o estudo descobriu que as células estaminais mesenquimais hepáticas têm qualidades que as tornam mais eficazes do que as células semelhantes mas derivadas do tecido adiposo ou gorduroso e da medula óssea.
“Isto é muito emocionante, dado que muitos estudos que estão a decorrer em todo o mundo usam as células estaminais mesenquimais da medula óssea ou do tecido adiposo”, explica Timucin Taner, um dos cirurgiões que da área de transplantes da Mayo Clinic, e o investigador principal e primeiro autor do estudo.
“Se as nossas conclusões forem validadas, estas células hepáticas tornam-se uma opção muito melhor para estes tipos de aplicações terapêuticas.”
Aplicação em várias doenças e no transplante
Os especialistas garantem que estas células podem vir a ser valiosas no tratamento de muitas doenças e problemas com inflamações subjacentes, como a rejeição de órgãos depois de um transplante, a doença inflamatória intestinal e outras doenças autoimunes.
O fígado é um órgão imunologicamente ativo, e os recetores de transplantes de fígado requerem doses muito menores de medicamentos de anti-rejeição do que aquele verificado para outros órgãos. Taner confirma o interesse dos especialistas neste fenómeno, que os tem levado a estudar “o mecanismo das propriedades indutoras de tolerância do fígado em transplantados”.
“Nesta investigação, descobrimos que as células estaminais mesenquimais hepáticas são muito mais potentes do que as suas homólogas de outros tecidos, na capacidade que têm de controlar as respostas imunitárias, o que pode explicar porque é que os transplantes de fígado são melhor tolerados”, explica.
Algo que ajuda também a justificar o facto de a incidência da rejeição do rim em doentes também transplantados do fígado ser significativamente inferior.
Resultados idênticos foram observados noutros transplantes de vários órgãos que envolveram o fígado, como os transplantes combinados de coração e fígado.
O que são estas células
Encontradas na maioria dos tecidos do fígado, as células estaminais mesenquimais têm a capacidade de regular a inflamação e os mecanismos da reparação dos tecidos.
Em todas as fases deste estudo, estas células revelaram-se superiores às da medula óssea e dos tecidos adiposos, independentemente da idade ou do sexo do dador.
“Agora precisamos de ir mais a fundo e procurar entender o porquê e como as células estaminais mesenquimais hepáticas são diferentes das células estaminais mesenquimais de outros tecidos”, conclui.