O que deve saber para prevenir o cancro da cabeça e pescoço

cancro da cabeça e pescoço

Muitos sintomas de cancro da cabeça e pescoço são difíceis de ignorar – um caroço no pescoço, rouquidão persistente, uma ferida na boca que não cicatriza -, o que é uma boa notícia para a deteção precoce, desde que os sintomas não sejam descartados.

“Qualquer pessoa pode ter uma úlcera na boca ou ficar rouca, mas se não desaparecerem no prazo de uma ou duas semanas, deve consultar um médico”, afirma David Goldenberg, presidente do Departamento de Otorrinolaringologia – Cirurgia de Cabeça e Pescoço, no Centro Médico do Instituto Penn State Health, nos EUA.

“Pode encontrar a maioria destes sinais e sintomas sozinho, mas não os ignore. O diagnóstico precoce pode significar um prognóstico muito melhor.”

 

O cancro da cabeça e pescoço, que é duas vezes mais comuns em homens do que mulheres e atinge sobretudo aqueles com mais de 50 anos, abrange vários tipos diferentes, incluindo da cavidade oral, que são os lábios e qualquer coisa dentro da boca, até a área das amígdalas; a orofaringe, que inclui a parte posterior da boca, a base da língua e as amígdalas; e a laringe, que é a caixa vocal e as cordas vocais. Outras áreas incluem o nariz, seios paranasais e nasofaringe

“A maioria destes cancros espalha-se para o pescoço”, refere Goldenberg. “Assumimos, portanto, que qualquer caroço na lateral do pescoço numa pessoa com mais de 40 anos é cancro até prova em contrário.”

Conhecer os sintomas do cancro da cabeça e pescoço

Os sinais mais comuns do cancro da cavidade oral são manchas vermelhas ou brancas ou uma ferida que não cicatriza na boca ou na língua. Pessoas com cancro da orofaringe costumam sentir que há algo preso na garganta, têm dificuldade em engolir ou têm a fala afetada, refere Goldenberg. Rouquidão, dificuldade em engolir e tossir sangue podem ser sinais de cancro da laringe.

Os cancros da cabeça e pescoço podem apresentar dor que irradia para o ouvido, mas um caroço de lado no pescoço costuma ser o primeiro indicador de um cancro da cabeça e pescoço, refere o médico.

A incidência geral de cancro da cabeça e pescoço diminuiu juntamente com a redução do tabagismo – um fator de risco definitivo, sobretudo quando combinado com o consumo de álcool, que parece aumentar o efeito cancerígeno do tabaco, refere Goldenberg.

No entanto, os casos de cancro da orofaringe estão a aumentar. “O novo vilão é o Papilomavírus Humano, ou HPV. Este é o mesmo vírus que causa cancro do colo do útero em mulheres, e esse aumento nos cancros da orofaringe deve-se a múltiplos parceiros sexuais e múltiplos parceiros de sexo oral.”

Os cancros da cabeça e pescoço relacionados com o HPV costumam surgir 20 a 30 anos após a exposição ao vírus que causa o cancro. “É por isso que pressionamos tanto para que os jovens sejam vacinados contra o HPV”, explica.

Em geral, os cancros da cabeça e pescoço são tratados com cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou uma combinação dos três. No entanto, os decorrentes de fumar e/ou beber são mais difíceis de vencer porque geralmente são mais agressivos, enquanto os cancros relacionados com o HPV têm um prognóstico muito melhor, afirma Goldenberg.

Superar o estigma

Um dos aspetos mais desafiadores do cancro da cabeça e pescoço é o seu estigma, não apenas porque pode ser transmitido sexualmente, mas também porque afeta uma parte muito percetível de nós. “Os seres humanos são seres sociais, e esses cancros afetam a casa de nossa comunicação”, refere o médico. “O que fazemos quando nos reunimos? Comemos, bebemos, conversamos. Então, tirar parte da língua ou garganta de alguém não é algo que podemos esconder facilmente, e isso afeta a capacidade de interagir e socializar.”

Uma equipa multidisciplinar que inclui equipa cirúrgica, de oncologia, fonoaudiólogos, dentistas, nutricionistas, assistentes sociais e grupos de apoio garante os melhores resultados. “Os nossos tratamentos estão a torna-se mais específicos e personalizados”, afirma. “As nossas resseções cirúrgicas são menos invasivas, as nossas técnicas de reconstrução são melhores. Além disso, à medida que aprendemos mais sobre as alterações moleculares destes cancros, estamos mais bem equipados para administrar imunoterapia, que geralmente substitui quimioterapias tóxicas. Então, sempre há esperança.”

A prevenção é, muitas vezes, possível. Como?

– Não fumar e beber álcool.
– Vacinar-se contra o HPV.
– Realizar visitas regulares ao dentista.
– Não ignorar os primeiros sinais de cancro da cabeça e pescoço.

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