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O que é que as crianças portuguesas nos estão a dizer sobre o brincar?

crianças a brincar

A 4ª edição do estudo “Portugal a Brincar” deu voz, pela primeira vez, às crianças e encontrou diferenças entre o que os pais valorizam e o que os filhos sentem. As crianças já não sabem brincar? Quais são os principais mitos e factos sobre o poder do brincar?

As crianças portuguesas não estão a pedir mais brinquedos, nem mais videojogos, nem sequer parques maiores. Quando lhes perguntaram o que mudariam para brincar mais e melhor, muitas dão uma resposta simples e desarmante: “Só queria os pais menos cansados”.

Esta é uma das conclusões do estudo Portugal a Brincar IV – 2026, que será apresentado na 7.ª Conferência Estrelas & Ouriços “Como Brincam Hoje as Crianças em Portugal”, promovida pela Estrelas & Ouriços, pelo Instituto de Apoio à Criança e pela Escola Superior de Educação de Coimbra, no dia 29 de outubro, no edifício Francisco Pinto Balsemão, das 9h30 às 15h30.

Ouvir as crianças muda a “brincadeira”: enquanto os pais associam o brincar sobretudo à criatividade, à aprendizagem e ao desenvolvimento de competências, as crianças falam de alegria, amizade, convívio e tempo passado com a família. A investigação identificou 133 divergências entre as respostas de pais e filhos, revelando disparidades relativas à experiência do brincar.

Porque está o brincar a perder espaço no tempo?

Os dados revelam também que, à medida que crescem, as crianças brincam cada vez menos. Se na creche o brincar faz parte do dia a dia, no 1.º e 2.º ciclos fica, na maioria dos casos, limitado ao recreio.

O tempo continua a ser apontado pelas famílias como o recurso mais importante para brincar, com mais de 40% dos pais a identificarem a falta de energia provocada pela carga de trabalho diária como uma das principais barreiras.

“Os resultados deste ano mostram que precisamos de ouvir mais as crianças. Quando lhes damos voz, percebemos que muitas das suas necessidades não passam por mais coisas, mas por mais tempo, mais disponibilidade e mais oportunidades para brincar livremente”, sublinha Madalena Nunes Diogo, diretora-geral da Estrelas & Ouriços.

Mitos e factos: da reflexão à ação

Além da apresentação dos resultados do estudo, a conferência vai desafiar alguns dos principais mitos associados ao brincar e discutir o papel das famílias, das escolas e das cidades na construção de uma infância mais feliz, autónoma e equilibrada.

Entre playtalks e laboratórios práticos, um dos momentos mais aguardados será a participação dos arquitetos japoneses Takaharu e Yui Tezuka, fundadores do estúdio Tezuka Architects e responsáveis pelo reconhecido projeto Fuji Kindergarten, considerado uma referência mundial na arquitetura para a infância.

O programa reúne ainda nomes de diferentes áreas, como o pediatra Hugo Rodrigues; a neuropsicóloga Joana Rato; João Diogo Stoffel, fundador do Project To Be; Rita Alexandre, especialista em desenvolvimento infantil; Joana Cascais de Freitas, responsável pelo projeto Pela Cidade Fora; Maria João Macedo, cofundadora do movimento Serpentina; e Frederico Lopes, da International Play Association.

Outros números em destaque no estudo
  • O tempo é o fator mais importante para brincar para 51,9% das famílias portuguesas.
  • Mais de um quarto das famílias (27,7%) aponta os horários incompatíveis entre trabalho e vida familiar como um obstáculo ao brincar.
  • A casa continua a ser o principal local de brincadeira (65,1%), embora as famílias afirmem preferir que as crianças brinquem ao ar livre.
  • No 1.º e 2.º ciclos, o brincar fica, na maioria dos casos, limitado ao tempo do recreio.
  • 29,4% das famílias consideram insuficientes os brinquedos e materiais disponíveis nas escolas.
  • O uso de smartphones e tablets para jogar registou o valor mais baixo no estudo (46,2%).
  • 82,7% dos adultos continuam a ensinar jogos e brincadeiras tradicionais às novas gerações.
  • Cerca de 20% das crianças receberam mais de 15 brinquedos no último ano.
Crédito imagem: Pexels

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