APOGEN elege uma nova presidente

Por País

Maria do Carmo Neves é a nova presidente da APOGEN – Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos e Biossimilares, tornando-se na líder dos órgãos de gestão da associação para o biénio 2021-2022. Maria do Carmo Neves, na associação em representação da Farmoz – Sociedade Técnico Medicinal, S.A, sucede a João Madeira, tendo ocupado o lugar de vice-presidente da APOGEN nos últimos seis mandatos, o que corresponde a uma presença na direção de 11 anos.

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medicamentos bisossimilares

Oncologistas exigem mais educação sobre o uso de biossimilares

Por Cancro

Os dados são preliminares. Mas suficientes para motivar uma ação, considera a Sociedade Europeia de Oncologia Clínica, perante os dados que revelam que a esmagadora maioria dos oncologistas europeus (87%) inquiridos num estudo ainda por publicar querem mais informação sobre os medicamentos biossimilares.

No congresso da organização, que reuniu centenas de especialistas na Alemanha, o tema esteve em destaque. Isto porque embora estejam na origem de algumas das inovações mais promissoras no tratamento do cancro, entre os quais a imunoterapia, os medicamentos biológicos são também responsáveis por uma fatia dos custos com medicamentos na União Europeia (UE). 

Contas feitas pelo IQVIA Institute for Human Data Science dão conta de gastos, só na UE, de 24 mil milhões de euros, em 2016, com tratamentos para o cancro, sendo os medicamentos biológicos responsáveis ​​por quase 40% deste valor. Com a introdução de biossimilares para os três principais agentes de oncologia, estima-se uma poupança de até dois mil milhões de euros em toda a Europa em 2021.

Se é necessária mais educação, então está na hora de a proporcionar

O uso dos medicamentos biossimilares permite aumentar a disponibilidade de medicamentos inovadores para doentes que, de outra forma, não seriam tratados com fármacos biológicos devido a restrições económicas, defende a ESMO. Mas isto depende de uma compreensão mais ampla dos biossimilares em todo o ecossistema da oncologia.

Por isso, para os especialistas não há dúvidas sobre o apoio a estes medicamentos, uma vez que representam alternativas mais baratas e têm o potencial de tornar o tratamento ideal para o cancro mais sustentável e amplamente acessível.

“É importante a colaboração e as abordagens com múltiplos interessados ​​para melhorar a compreensão e erradicar os equívocos, permitindo a aceitação bem-sucedida dos biossimilares em oncologia”, afirma Josep Tabernero, Presidente da ESMO. “Se mais educação é o que os oncologistas precisam, (…) devemos agir com urgência em relação a isso.”

Genéricos geraram poupança de quatro mil milhões em 15 anos

Por Investigação & Inovação

Com a despesa em saúde a aumentar, uma inevitabilidade que resulta do envelhecimento da população e das doenças que o acompanham, conceitos como sustentabilidade e desperdício ganham um novo significado. E protagonismo. É aqui que entram os genéricos, medicamentos que, nos últimos 15 anos, proporcionaram uma poupança nacional de quatro mil milhões de euros.

O número foi avançado por Paulo Lilaia, presidente da Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (APOGEN), na celebração dos 15 anos de vida da organização. Mas não foi o único. O responsável acrescentou ainda que, se tudo correr como esperado, entre 2018 e 2020 o potencial de poupança vai além dos 300 milhões, apenas com os genéricos.

A estes juntam-se os biossimilares, que irão permitir juntar a este valor outros 100 milhões. Ao todo, a poupança estimada ultrapassa os 400 milhões.

“Não há espaço para o supérfluo e para o desperdício”, afirma. “É fundamental ter soluções alternativas, com custos que se possam assumir”, acrescenta, reforçando que os serviços de saúde têm que disponibilizar “mais e melhores serviços”, que podem ser garantidos pelos genéricos e biossimilares.

Mais poupança no futuro

O objetivo para os próximos anos é continuar a promover o uso destes medicamentos, alternativas comprovadamente seguras e muito menos dispendiosas. Embora a quota nacional de medicamentos genéricos , em unidades, tenha atingido um valor recorde no primeiro trimestre deste ano (48,2%), o potencial de crescimento é ainda grande, confirma Paulo Lilaia. 

“Podemos atingir, em Portugal, até 65% de quota máxima, mas nos últimos anos temos assistido a uma tendência de estagnação”, que é preciso combater, reforça o especialista. “Temos razões mais do que suficientes para sermos mais racionais no consumo de medicamentos.”

Custos com medicamentos a subir

Um dos convidados das celebrações dos 15 anos  da APOGEN, António Melo Gouveia, diretor dos Serviços Farmacêuticos do IPO de Lisboa, não escondeu que é defensor dos medicamentos genéricos. E a poupança que estes medicamentos já permitiram e continuam a permitir gerar são motivos que os justificam. 

“Nos últimos 14 anos, os custos com medicamentos no IPO Lisboa aumentaram 80%”, explica, recordando que o investimento em saúde não tem acompanhado este crescimento. “Como resolvemos isto? Como tratamos os doentes? Temos que usar protocolos clínicos adequados, muito rigor na gestão e aproveitar todas as oportunidades.” E os genéricos são uma delas.

“E se não houvesse genéricos”, questiona o especialista, que responde com números e exemplos. Um deles refere-se a um medicamento que, quando não tinha alternativa genérica, custava 70€ por comprimido. “Em 2013, quando apareceu o genérico, o preço desceu de 70 para 1. Literalmente, de 70€ para 1€.”

O especialista não tem dúvidas em relação à segurança e eficácia dos genéricos. “Se a Agência Europeia de Medicamentos diz que são seguros, se se consegue, com dados de vida real, com outros estudos, confirmar isso, sinto-me tranquilo.” E também não tem dúvidas que “se um grupo relevante de medicamentos não tiver genéricos, tornam-se num fator de insustentabilidade”.