farejador de doenças

Mais perto de um dispositivo farejador de doenças que rivaliza com o nariz de um cão

Por Investigação & Inovação

Vários estudos já mostraram que cães treinados podem detetar muitos tipos de doenças, incluindo cancro do pulmão, mama, ovário, bexiga e próstata e, possivelmente, Covid-19, de uma forma simples: através do olfato. Em alguns casos, como é o do cancro da próstata, por exemplo, os cães apresentam uma taxa de sucesso de 99% na deteção da doença, cheirando amostras de urina dos pacientes. Agora, há um sistema farejador de doenças que pode vir a rivalizar com esta capacidade.

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Cães reduzem a angústia de doentes à espera nas urgências

Por Bem-estar

Ir às urgências do hospital nunca é agradável. Não apenas porque se antevêem tempos de espera que nunca são curtos e porque, claro, a visita implica a existência de um problema de saúde. É aqui que entram os cães. Sim, de acordo com um estudo recente, ter a companhia de um cão nestes momentos pode reduzir o sofrimento dos doentes que esperam pela sua vez.

A garantia é dada pela Universidade de Saskatchewan (USask), no Canadá, que fez o teste: os doentes que passaram 10 minutos com um cão de terapia relataram maior conforto, mais felicidade e menos angústia enquanto aguardavam pelo atendimento na urgência de um hospital.

O estudo, publicado no Patient Experience Journal, verificou um aumento significativo nos níveis de conforto e sentimentos positivos depois de uma sessão de festas ou interação com o canídeo experiente.

Menor produção da hormona do stress

Não é de agora que se fala no benefício do contacto com os cães para a saúde humana. Para além de serem os melhores amigos do homem, podem ainda reduzir a ansiedade, a frequência cardíaca e a pressão sanguínea.

Isto porque a interação com um cão aumenta a produção de dopamina, um neurotransmissor que reduz o cortisol, a hormona do stress.

Colleen Dell, responsável pela investigação em saúde e bem-estar da Faculdade de Artes e Ciências do USask, liderou o estudo com o médico James Stempien, diretor da urgência de Saskatchewan. 

“As urgências são lugares agitados e confusos. A maioria das pessoas que esperam pelo tratamento sente-se nervosa, e a espera pode aumentar a dor. Já se sabe que a interação com animais pode ajudar os seres humanos a sentirem-se calmos e relaxados”, revela Collen Dell. “O nosso estudo revelou uma melhora notável no humor do doente, depois de interagir com um cão de terapia.”

“Com tempos de espera consistentemente altos nas urgências, o que este trabalho sugere é que os cães de terapia podem ter um papel mais amplo para o conforto dos doentes no que diz respeito ao sofrimento e dor.”

Níveis de felicidade a subir

O departamento de urgência daquele hospital é o primeiro no Canadá a permitir a visita de cães de terapia, com até seis cães treinados que fazem visitas várias vezes por semana.

Os doentes encontraram-se com o cão entre 10 e 30 minutos, o que inclui pessoas com queixas cardíacas, fraturas, problemas psiquiátricos e dor crónica.

Os 124 doentes que participaram no estudo verificaram que os seus níveis de aflição diminuíram e os seus níveis de conforto percebido aumentaram após a interação com um cão certificado.

O questionário que preencheram sobre o seu bem-estar e sentimentos antes e depois de conhecerem o cão davam conta de estados como “feliz”, “bem”, “melhor” e “calmo”, com 80% a expressarem felicidade durante a visita e a confirmarem sentirem-se mais calmos após a visita.

cães ajudam a diagnosticar cancro

Estudo confirma: cães conseguem mesmo detetar a presença de cancro

Por Cancro

Cães a identificarem doenças através do olfato? Pode parecer coisa de filmes, mas esta é uma capacidade real, mostra um novo estudo, que confirma que o melhor amigo do homem consegue usar o seu poderoso olfato para identificar a presença de cancro em amostras de sangue, com quase 97% de precisão.

Os responsáveis são os recetores olfativos caninos, 10.000 vezes mais precisos que os dos humanos, que os tornam altamente sensíveis a odores que nos passam despercebidos. E que podem dar origem a novas abordagens de rastreio do cancro, menos dispendisosos, mais precisas e não invasivas.

“Embora atualmente não exista cura para o cancro, a deteção precoce oferece a melhor esperança de sobrevivência”, refere Heather Junqueira, investigadora principal da BioScentDx, uma empresa que se dedica ao tema, e autora do estudo.

“Um teste altamente sensível para detetar o cancro poderia salvar milhares de vidas e mudar a forma como a doença é tratada.”

Uma nova forma de diagnosticar cancro

Para o novo estudo, a especialista e os colegas usaram uma forma de treino para ensinar quatro beagles a distinguir entre soro normal e amostras de doentes com cancro do pulmão maligno.

E ainda que um dos animais não tenha conseguido, os restantes três foram capazes de identificar corretamente amostras de cancro do pulmão em 96,7% dos casos e amostras normais em 97,5% das vezes.

“Este trabalho é muito emocionante porque abre caminho para novas investigações que podem levar a novas ferramentas de deteção do cancro”, refere a investigadora.

“Uma delas usa o olfato canino como um método de triagem para cancro, e a outra vai determinar os compostos biológicos que os cães detetam e projetar testes de triagem de cancro com base nestes compostos”, acrescenta.

A BioScentDx planeia usar esta capacidade canina para desenvolver uma forma não invasiva de rastreio da doença oncológica e de outras que ameaçam a vida.

O passo seguinte será um estudo sobre o cancro da mama, no qual as participantes doam amostras da sua respiração para a triagem de cães treinados para farejar a doença. 

animais ajudam na luta contra o cancro

Como os cães ajudam a sinalizar o cancro nos humanos

Por Cancro

Costuma dizer-se que os animais são nossos amigos. Mas mais do que isso, revela agora um novo estudo nacional, os animais de companhia, sobretudo os cães, podem servir como alerta para o surgimento de casos de cancro nos seres humanos.

É por isso que os especialistas envolvidos no trabalho consideram os animais como “sentinelas para o aparecimento de doenças oncológicas”, sublinhando a sua importância para a investigação e prevenção do cancro. Ou seja, olhar para estes no âmbito do conceito de ‘One Health’ (‘Uma Saúde’), em que saúde humana, animal e ecossistemas “está interligada”.

Neste sentido, Katia Pinello, primeira autora do estudo e um dos elementos do Departamento de Saúde Pública Veterinária do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), refere ser fundamental começar a sensibilizar médicos e ambientalistas para a importância dos animais nesta área.

“Da mesma forma que se pergunta aos pacientes se algum familiar tem ou teve um cancro, seria pertinente perguntar se os animais domésticos também têm ou tiveram a patologia. Muitos donos têm repetidamente animais de companhia com cancro e isso pode ser um alerta de que algo possa não estar bem do ponto de vista ambiental.”

A conclusão é de um trabalho realizado por especialistas do (ISPUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), publicado na revista científica The Veterinary Journal.

De acordo com os dados existentes, cerca de 70% dos casos de cancro são causados por fatores ambientais, e isto é uma realidade tanto para as pessoas como para os animais. Uma vez que estes últimos têm uma vida mais curta, podem servir de alerta para perigos de saúde a que a população humana está exposta.

Onde há mais casos humanos, há mais casos animais

O trabalho realizado por especialistas nacionais debruçou-se sobre a distribuição geográfica do linfoma não-Hodgkin, um cancro dos linfócitos, as células de defesa do organismo, nos humanos e nos cães da área do Grande Porto e avaliou as suas semelhanças e características epidemiológicas.

“Escolhemos o linfoma não-Hodgkin porque se trata de um cancro que apresenta muitas semelhanças entre humanos e animais”, refere ao site da Universidade do Porto Katia Pinello.

O trabalho feito revela uma correlação geográfica. O que significa que onde há uma maior prevalência de casos humanos, também há em cães, sendo as zonas urbanas do Porto, Matosinhos e Maia aquelas que apresentam mais casos.

“Esta é mais uma evidência que demonstra que, onde existe cancro em seres humanos também existe em cães, pelo que pode haver algum fator ambiental que provoca a doença em ambas as espécies”, refere explica a investigadora.

As semelhanças não se ficam por aqui. Parece que, tal como existe uma maior incidência deste tipo de cancro nos homens, também há nos machos, ainda que o linfoma apareça mais cedo nas cadelas e mais tarde nas mulheres.

asma nas crianças

Crianças que crescem com cães têm menor risco de asma

Por Saúde Infantil

Haverá raças de cães hipoalergénicas? Um novo estudo deita por terra esta ideia, dando conta da inexistência de evidências científicas que permitam afirmar isso mesmo. No entanto, confirma, isso sim, que crescer com cães está associado a um menor risco de asma, sobretudo se estes forem fêmeas. 

O trabalho, realizado por investigadores do Karolinska Institutet e Universidade de Uppsala, na Suécia, e publicado na revista Scientific Reports, reforça o que outros estudos já tinham concluído: que há uma associação entre a asma infantil e cães. Uma associação positiva, leia-se.

Agora, os cientistas quiseram ir mais longe, questionando sobre variáveis ​​como o sexo, raça, número de cães ou tamanho do animal e procurando associá-las (ou não) ao risco de asma e alergia no primeiro ano de vida das crianças.

“O sexo do cão pode afetar a quantidade de alérgenos libertados, e sabemos que cães machos não castrados libertam mais um alérgeno do que cães castrados e fêmeas”, explica Tove Fall, professor do Departamento de Ciências Médicas da Universidade de Uppsala, líder do estudo.

“Para além disso, algumas raças são descritas como ‘hipoalergénicas’ e são consideradas mais adequadas para pessoas com alergias, mas não há evidências científicas para isso”, acrescenta.

Mais cães, menos risco

O estudo incluiu todas as crianças nascidas na Suécia entre 1 de janeiro de 2001 e 31 de dezembro de 2004 que tiveram um cão em casa durante o primeiro ano de vida (23.600 pessoas). Os cães foram classificados por sexo, raça, número, tamanho e alegada capacidade hipoalergénica.

Foi então avaliada a relação entre as características dos cães e o risco de diagnóstico de asma e alergia aos seis anos de idade e os resultados mostram uma prevalência de asma de 5,4%.

As crianças com apenas cadelas em casa tiveram um risco 16% inferior de asma do que aquelas criadas com machos. No entanto, viver com um cão macho não está associado a um risco maior do que viver sem cães.

Aumentar o número de animais, isso parece reduzir o risco: para as crianças que viviam com dois ou mais cães, o risco era 21% inferior, quando comparando com as que viviam com um cão.