farejador de doenças

Mais perto de um dispositivo farejador de doenças que rivaliza com o nariz de um cão

Por Investigação & Inovação

Vários estudos já mostraram que cães treinados podem detetar muitos tipos de doenças, incluindo cancro do pulmão, mama, ovário, bexiga e próstata e, possivelmente, Covid-19, de uma forma simples: através do olfato. Em alguns casos, como é o do cancro da próstata, por exemplo, os cães apresentam uma taxa de sucesso de 99% na deteção da doença, cheirando amostras de urina dos pacientes. Agora, há um sistema farejador de doenças que pode vir a rivalizar com esta capacidade.

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ter um cão

Ter um cão está associado a uma vida mais longa, sobretudo de quem sofreu AVC

Por Investigação & Inovação

A ciência já confirmou que ter um cão faz bem à saúde. Agora, não um, mas dois novos estudos revelam que a amizade de um destes amigos de quatro patas pode também estar associada a uma vida mais longa e a melhores resultados cardiovasculares, sobretudo no caso dos sobreviventes de enfartes e AVC que vivem sozinhos.

Publicados na revista Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes, os trabalhos fizeram a revisão de análises anteriores e, segundo Glenn N. Levine, especialista da Associação Americana de Cardiologia, “embora não possam ‘provar’ que a adoção ou posse de um cão leva diretamente à redução da mortalidade, são pelo menos sugestivos disso”.

Tendo em conta que o isolamento social e a falta de atividade física podem impactar negativamente os doentes, os investigadores do primeiro trabalho procuraram determinar como é que ter um cão afeta a saúde.

Para isso, compararam os resultados de proprietários e não proprietários de cães após um enfarte ou AVC, usando dados de saúde fornecidos pelo Registo Nacional de Doentes da Suécia, que incluiu suecos com idades entre 40 e 85 anos, vítimas de enfarte ou AVC isquémico entre 2001 e 2012.

E verificou-se que o risco de morte para os doentes com enfarte que moravam sozinhos após a hospitalização descia 33% quando tinham um cão, valor que era também 15% inferior quando partilhavam a casa com um parceiro ou crianças.

O risco de morte nos casos das vítimas de AVC que viviam sozinhas, após a hospitalização, revelou-se 27% menor, sendo 12% mais baixo quando moravam com alguém.

Ter um cão significa aumentar a atividade física

O menor risco de morte associado à posse de cães pode ser explicado pelo aumento da atividade física e pela diminuição da depressão e da solidão, ambas relacionadas com a posse de um animal de estimação em estudos anteriores.

“Sabemos que o isolamento social é um forte fator de risco para piores resultados de saúde e morte prematura. Estudos anteriores indicaram que os donos de cães sentem menos isolamento social e têm mais interação com outras pessoas”, explica Tove Fall, professor da Universidade de Uppsala, na Suécia.

“Além disso, ter um cão é uma boa motivação para a atividade física, que é um fator importante para a reabilitação e para a saúde mental.”

“Os resultados deste estudo sugerem os efeitos positivos da posse de cães em pessoas que sofreram um enfarte ou AVC. No entanto, são necessárias mais pesquisas para confirmar uma relação causal e dar recomendações sobre a prescrição de cães para prevenção. Além disso, do ponto de vista do bem-estar animal, os cães só devem ser adquiridos por pessoas que sentem que têm capacidade e conhecimento para dar uma boa vida ao animal”, alerta o especialista.

Risco de mortalidade mais reduzido

O segundo estudo reviu dados de mais de 3,8 milhões de pessoas, que participaram em 10 análises diferentes.

Aqui, concluiu-se que, em comparação com as pessoas sem cães, os donos de cães apresentavam um risco 24% menor de mortalidade por todas as causas, 65% menor de mortalidade após enfarte e 31% menor de morte na sequência de problemas cardiovasculares.

“Ter um cão foi associado ao aumento do exercício físico, níveis mais baixos de pressão arterial e melhor perfil de colesterol em análises anteriores”, refere Caroline Kramer, professora assistente de Medicina da Universidade de Toronto e Endocrinologista do Sinai Center for Diabetes.

“Como tal, as descobertas de que as pessoas com cães vivem mais e têm um risco de morte cardiovascular mais pequeno são também esperadas.”

“As nossas descobertas sugerem que ter um cão está associado a uma vida mais longa.”

“O próximo passo neste tópico seria um estudo de intervenção para avaliar os resultados cardiovasculares após a adoção de um cão e os benefícios sociais e psicológicos da propriedade do cão. Como dono de um cão, posso dizer que a adoção do meu Romeu aumentou os meus passos e atividade física e encheu a minha rotina diária de alegria e amor incondicional”, afirma Kramer. 

Cães reduzem a angústia de doentes à espera nas urgências

Por Bem-estar

Ir às urgências do hospital nunca é agradável. Não apenas porque se antevêem tempos de espera que nunca são curtos e porque, claro, a visita implica a existência de um problema de saúde. É aqui que entram os cães. Sim, de acordo com um estudo recente, ter a companhia de um cão nestes momentos pode reduzir o sofrimento dos doentes que esperam pela sua vez.

A garantia é dada pela Universidade de Saskatchewan (USask), no Canadá, que fez o teste: os doentes que passaram 10 minutos com um cão de terapia relataram maior conforto, mais felicidade e menos angústia enquanto aguardavam pelo atendimento na urgência de um hospital.

O estudo, publicado no Patient Experience Journal, verificou um aumento significativo nos níveis de conforto e sentimentos positivos depois de uma sessão de festas ou interação com o canídeo experiente.

Menor produção da hormona do stress

Não é de agora que se fala no benefício do contacto com os cães para a saúde humana. Para além de serem os melhores amigos do homem, podem ainda reduzir a ansiedade, a frequência cardíaca e a pressão sanguínea.

Isto porque a interação com um cão aumenta a produção de dopamina, um neurotransmissor que reduz o cortisol, a hormona do stress.

Colleen Dell, responsável pela investigação em saúde e bem-estar da Faculdade de Artes e Ciências do USask, liderou o estudo com o médico James Stempien, diretor da urgência de Saskatchewan. 

“As urgências são lugares agitados e confusos. A maioria das pessoas que esperam pelo tratamento sente-se nervosa, e a espera pode aumentar a dor. Já se sabe que a interação com animais pode ajudar os seres humanos a sentirem-se calmos e relaxados”, revela Collen Dell. “O nosso estudo revelou uma melhora notável no humor do doente, depois de interagir com um cão de terapia.”

“Com tempos de espera consistentemente altos nas urgências, o que este trabalho sugere é que os cães de terapia podem ter um papel mais amplo para o conforto dos doentes no que diz respeito ao sofrimento e dor.”

Níveis de felicidade a subir

O departamento de urgência daquele hospital é o primeiro no Canadá a permitir a visita de cães de terapia, com até seis cães treinados que fazem visitas várias vezes por semana.

Os doentes encontraram-se com o cão entre 10 e 30 minutos, o que inclui pessoas com queixas cardíacas, fraturas, problemas psiquiátricos e dor crónica.

Os 124 doentes que participaram no estudo verificaram que os seus níveis de aflição diminuíram e os seus níveis de conforto percebido aumentaram após a interação com um cão certificado.

O questionário que preencheram sobre o seu bem-estar e sentimentos antes e depois de conhecerem o cão davam conta de estados como “feliz”, “bem”, “melhor” e “calmo”, com 80% a expressarem felicidade durante a visita e a confirmarem sentirem-se mais calmos após a visita.