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‘Esquisitices’ dos filhos à mesa tira os pais do sério

Por | Saúde Infantil

Que pai ou mãe nunca teve que lidar com uma birra por causa da comida que levante o braço. As ‘esquisitices’ à mesa fazem parte da rotina de muitos lares e, para a maioria das crianças, acabam por passar com o tempo. Quem nem sempre consegue lidar bem com a situação são os pais, revela um novo estudo, que confirma que o stress é tanto que acabam por recorrer a estratégias nem sempre corretas.

A paciência tem limites. E estes costumam ser testados quando os mais pequenos se recusam a comer. Ou porque está muito quente, ou porque não gostam ou simplesmente porque não querem, as justificações acabam por culminar, em alguns casos, no desespero parental. 

Publicado na revista Journal of Nutrition, Education and Behavior, um estudo realizado pelo Centro de Investigação em Saúde Infantil da Universidade de Queensland, na Austrália, mostra que estes comportamentos levam os pais a usar táticas, como a ameaça ou a recompensa, para fazer com que os filhos comam.

“Essas práticas podem reforçar a compulsão alimentar, aumentar as preferências por alimentos não saudáveis ​​e levar ao ganho excessivo de peso”, refere Holly Harris, especialista daquela instituição.

“Entender o que leva os pais a responder de forma pouco produtiva a uma refeição agitada é um passo importante para os educar sobre práticas saudáveis ​​de alimentação.”

Responsabilidade avaliada

O estudo recrutou 208 mães e pais com filhos com idades entre os dois e os cinco anos anos, pertencentes a uma comunidade menos favorecida de Queensland, Austrália, uma vez que é entre estes que são mais altos os níveis de alimentação agitada e maior o uso de práticas alimentares incorretas.

Para além de informações sobre si mesmos, os pais avaliaram a sua responsabilidade na alimentação, bem como o temperamento dos seus filhos. Relataram ainda a frequência do comportamento irregular à refeição e as suas práticas de alimentação.

Entre as perguntas feitas contavam-se: “Quando o seu filho se recusa a comer, costuma insistir para que ele coma?” ou “Quando o seu filho se recusa a comer, incentiva a alimentação através da oferta de uma recompensa que não a comida?”. 

Aflição materna vs resolução paterna

O estudo constatou que, embora os relatos de mães e pais sobre a compulsão alimentar fossem consistentes, as mães revelaram níveis mais altos de preocupação. A investigação indica que os pressupostos de género atribuem maior responsabilidade pela alimentação e pela nutrição da criança às mães.

Estas são também mais sensíveis às sugestões verbais e não verbais de uma criança. Ficam, portanto, mais aflitas com o choro, as birras e os engasgos quando uma criança se recusa a comer. A alimentação tem uma componente emocional significativa para as mães, que pode contribuir para o uso de comportamentos alimentares errados, conduzidos pela preocupação com o bem-estar da criança.

“Os pais usavam com mais frequência práticas de alimentação persuasiva, mas o comportamento deles não era motivado pela preocupação”, avança Harris. “Uma possível explicação pode ser o foco do pai em questões práticas, como acabar com as refeições após um longo dia de trabalho.”

Para os especialistas, é importante que os profissionais de saúde aconselhem os pais de crianças ‘esquisitas’ com  comida, para reforçar a exposição das crianças a uma maior variedade de alimentos saudáveis.

Consumo continuado de peixe-gato põe em risco a saúde

Por | Nutrição

Vem do Vietname e é um dos peixes mais consumidos no mundo, resultado sobretudo do seu preço baixo e de se apresentar sem espinhas, em forma de filete, o que torna um dos preferidos nas cantinas escolares. No entanto, a avaliação feita por investigadores espanhóis ao peixe panga, ou peixe-gato, ou ainda pangasius, dá conta de elevados níveis de mercúrio, que o tornam ‘persona non grata’ à mesa, sobretudo das crianças.

É sobretudo do rio Mekong, um dos mais poluídos do mundo devido à presença de pesticidas e outros elementos químicos usados, entre outros, no cultivo de arroz, que vem este peixe. Não será, por isso, grande surpresa o facto de estar também ele contaminado, como já comprovaram avaliações de várias origens, uma das quais da Organização Mundial de Saúde, que já alertou para as elevadas concentrações de metais, como o mercúrio.

Foi para avaliar este risco que um grupo de investigadores espanhóis das Canárias analisou um total de 80 amostras de filetes de panga congelados. Os  resultados, publicado na revista científica Chemosphere, dão conta de que várias destas amostras excediam as concentrações máximas estabelecidas pela legislação europeia (0,5 mg/kg) como admissíveis para os alimentos.

Foram várias as concentrações de mercúrio detetadas, que iam dos 0,10 aos 0,69 mg/kg, com um valor médio de 0,22 mg/kg. Valores que levam os investigadores a concluir que, nos casos em que a concentração máxima permitida é excedida e após o consumo continuado, pode haver um risco para saúde, na sequência da acumulação de mercúrio em adultos e sobretudo nas crianças.

Para estes últimos, recomendam mesmo o consumo de outros peixes em vez do peixe-gato, que sai também prejudicado na comparação com outros devido à sua pobreza nutricional.