cascas de ovos ajudam nos ossos

Cascas de ovos podem ajudar a tratar fraturas ósseas

Por Investigação & Inovação

Estrelados, escalfados ou como ingrediente de múltiplas receitas, os ovos fazem parte da alimentação de milhões de pessoas em todo o mundo. E se até agora as cascas tinham apenas um destino, o lixo, graças ao trabalho de um grupo de investigadores da Universidade de Massachusetts, nos EUA, isso pode vir a mudar, depois da descoberta de que podem ajudar na recuperação de fraturas ósseas.

Os especialistas criaram um biomaterial, que tem como principal protagonista as cascas de ovo em pó que, misturadas com um hidrogel, permitem a ajudar na regeneração óssea.

Algo que é possível devido ao facto de a casca de ovo ser rica em carbonato de cálcio, uma substância usada frequentemente para suplementar a falta de cálcio na alimentação.

Descoberta associada às cascas de ovos já patenteada

As primeiras experiências com este material foram realizadas em laboratório. Numa segunda fase, os alvos foram ratos. Aqui, para se perceber de que forma atuava o material, foi-lhes aplicado o hidrogel no local onde ocorreu uma fratura do osso.

Resultado: devido à elevada quantidade presente de cálcio nesta mistura, o osso não só criou tecido ósseo, como solidificou mais rapidamente, diminuindo o tempo de cura da lesão. 

Uma experiência que leva os investigadores a concluir que este hidrogel pode ser aplicado em seres humanos. Para tal, será apenas necessário que os profissionais de saúde retirem uma amostra óssea do doente em questão, para verificar a compatibilidade do mesmo com a substância, de forma a evitar uma rejeição.

A preparar já os passos seguintes, este grupo de cientistas decidiu patentear a descoberta. Além disso, o grupo acredita que as aplicações deste biomaterial podem ser variadas, uma vez que a regeneração de outros tecidos, como a cartilagem, dentes, tendões bem como a criação de tecidos para transplantes, podem ser algumas das muitas aplicações que este hidrogel poderá vir a ter no futuro. 

ovos e colesterol

Os ovos fazem ou não mal à saúde? Novo estudo dá a resposta

Por Nutrição & Fitness

Colesterol e ovos são duas palavras que, por tradição se costumam encontrar na mesma frase. O tema tem sido alvo de debate há décadas, transformado em pergunta: está a ingestão de ovos associada às doenças cardiovasculares? A resposta não tem sido sempre a mesma. Agora, um novo estudo quer acabar com as dúvidas.

E as notícias não são as melhores para os amantes de ovos. Realizado por um grupo de investigadores da Northwestern Medicine, o estudo refere que os adultos que ingerem mais ovos e têm uma dieta mais rica em colesterol apresentam um risco significativamente maior de doenças cardiovasculares e morte por qualquer causa.

“A mensagem aqui é referente ao colesterol, que existem nos ovos, sobretudo nas gemas”, refere em comunicado Norrina Allen, autora do estudo e professora associada de medicina preventiva na Feinberg School of Medicine, da Northwestern University.

“Como parte de uma dieta saudável, as pessoas precisam de consumir quantidades menores de colesterol. As que o fazem têm um risco inferior de doença cardiovascular.”

O que falhou nos outros estudos

Sem novidade é o facto, também aqui reforçado, que as gemas são uma das maiores fontes de colesterol alimentar: um ovo grande tem 186 miligramas de colesterol na sua gema.

Também a carne vermelha, carne processada e produtos lácteos com elevado teor de gordura (manteiga, por exemplo) têm alto teor de colesterol, confirma Wenze Zhong, investigador na mesma instituição.

Norrina Allen realça isso mesmo e refere que estudos anteriores sobre o tema, que concluíram que comer ovos não aumenta o risco cardiovascular, tinham geralmente uma amostra menos diversificada, menor tempo de acompanhamento e capacidade limitada para se ajustarem a outros elementos da dieta.

“O nosso estudo mostrou que, se duas pessoas têm exatamente a mesma dieta e a única diferença são os ovos, então podemos medir diretamente o efeito do consumo destes nas doenças cardiovasculares”, acrescenta.

“E aquilo que verificamos é que o colesterol, independentemente da fonte, está associado a um risco aumentado de doença cardíaca.”

O risco de comer muitos ovos

A mais recente investigação sobre o tema analisou dados de 29.615 adultos americanos, de diferentes raças e etnias,  que participaram em seis estudos.

Daqui foi possível perceber que a ingestão de 300 mg de colesterol na dieta por dia está associado a um risco 17% superior de doença cardiovascular e um risco 18% maior de mortes por todas as causas. O colesterol foi o fator determinante, independentemente do consumo de gordura saturada e outras gorduras.

Contas feitas, comer três a quatro ovos por semana está associado a um risco 6% mais alto de doença cardiovascular e um risco 8% maior de qualquer causa de morte.

Moderação é a palavra-chave

Comer ou não comer ovos, eis a questão. Com base neste estudo, recomenda-se uma ingestão reduzida de colesterol na dieta, o que significa que se devem reduzir os alimentos ricos em colesterol, como os ovos ou a carne vermelha.

Mas isso não significa banir por completo estes alimentos, salienta Zhong. Até porque estes alimentos são boas fontes de nutrientes importantes, como aminoácidos essenciais e ferro.

Em vez disso, é preferível escolher claras em vez de ovos inteiros ou comer os inteiros com moderação.

“Queremos lembrar as pessoas que há colesterol nos ovos, especificamente nas gemas, e isso tem um efeito prejudicial”, reforça Allen. “Coma-os com moderação”, acrescenta a especialista.