SPMI solidária com especialistas do Hospital de Faro

Por Atualidade

A direção da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), através de uma declaração pública, mostra-se solidária com os diretores dos três serviços de Medicina Interna do Hospital de Faro que, há poucos dias, colocaram o seu lugar à disposição na sequência de acusações do diretor de departamento de que os internistas viam mal os doentes, pediam exames a mais e não davam altas atempadas.

“Portugal tem a sorte de poder contar com internistas competentes e eficientes”, refere Luis Campos, presidente da SPMI, salientando que estes “põem os doentes no centro das suas preocupações, estão na vanguarda das inovações organizacionais, suportam nas urgências o acréscimo sazonal de doentes, assistem doentes internados que excedem em muito a lotação dos seus serviços, passam muito do seu tempo a tentar resolver os problemas sociais dos doentes, garantem também as urgências internas, estão nas unidades de cuidados intermédios, de Acidente Vascular Cerebral, de Insuficiência Cardíaca, nos hospitais de dia e nas consultas”.

Segundo Luis Campos, “os especialistas de Medicina Interna conseguem tudo isto à custa de muito trabalho realizado para lá dos seus horários, muitas noites passadas no hospital e sem qualquer tipo de incentivo por produção adicional”.

E isto apesar de a “visibilidade mediática das urgências e a incapacidade dos hospitais adaptarem o seu modelo organizacional à evolução demográfica dos doentes a quem têm de dar resposta” colocarem “os internistas no olho do furacão e debaixo de uma pressão repetida das administrações”.

Acusações “profundamente injustas”

O especialista salienta que “os colegas de hospital de Faro fazem parte desta gesta de internistas que tudo tem feito para que as consequências da crise económica, que ainda não terminaram no sector da saúde, não recaiam sobre os doentes”.

E avança alguns números: “os serviços de Medicina deste hospital estão atualmente com uma taxa de ocupação de cerca de 150%. Mais de 20% destes doentes já teve alta clínica, mas permanecem internados por motivos sociais ou a aguardar vaga na Rede de Cuidados Continuados, inscrevendo-se a sua demora média na média nacional”.

Números que, garante, “são semelhantes aos da grande maioria dos serviços de Medicina dos hospitais do SNS”, assim como são semelhantes também “as suas angústias pela impotência sentida perante as disfunções e as carências do sistema”.

“A atividade, a competência e a dedicação dos internistas do hospital de Faro, como a de todos os internistas em todos os hospitais do SNS é digna de reconhecimento, de estímulo e de incentivo, e é por isso que consideramos profundamente injustas as acusações feitas a estes colegas e é por isso que as sentimos como se tivessem sido feitas a todos os internistas portugueses”, refere.

“Esta atitude não pode ser desvalorizada por quem tem a responsabilidade pelo bom desempenho dos hospitais do SNS. Estas atitudes têm um efeito desmotivador e a motivação é uma das principais armas que restam a quem tem de gerir equipas. Estas atitudes empurram os melhores para fora do SNS. É crucial dar sinais concretos de apoio, incentivo e recompensa à Medicina Interna portuguesa, porque os nossos doentes vão precisar cada vez mais de internistas competentes e motivados.”