polimedicação

Criada nova ferramenta que reduz o risco da polimedicação

Por Investigação & Inovação

Com uma população cada vez mais envelhecida, a Europa enfrenta um aumento da prevalência de doenças crónicas. E, com mais doentes, há também necessidade prescrever mais medicamentos. Contas feitas, cerca de 25% da população com mais de 65 anos é hoje afetada pela chamada polimedicação, ou seja, a toma regular de pelo menos cinco medicamentos diferentes, o que faz crescer o risco de interações medicamentosas e eventos adversos. É para o evitar que surge uma nova ferramenta.

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evitar a polimedicação

Uma em cada quatro pessoas com mais de 65 anos é polimedicada

Por Bem-estar

À medida que as pessoas envelhecem, aumenta a probabilidade de tomarem vários medicamentos diferentes, a chamada polimedicação, que afeta 25% dos maiores de 65 anos. Isso, por sua vez, aumenta o risco de efeitos secundários. Aqui, o médico tem um papel importante, mas o doente também.

As ferramentas eletrónicas de apoio à decisão dirigidas aos médicos são uma solução possível para a polimedicação, mas os próprios doentes podem também ajudar, afirma Andreas Sönnichsen, professor de Medicina Familiar na MedUni de Viena, a propósito do Dia Mundial da Saúde, que se celebra no próximo domingo (7 de abril).

A polifarmácia é definida como a administração de cinco ou mais medicamentos diferentes. “Quanto mais velhos e mais doentes nos tornamos, mais remédios são receitados para os nossos problemas”, confirma o especialista.

“Pelo menos um quarto das pessoas com mais de 65 anos são polimedicadas, número que aumenta, após os 80 anos, para uma em cada duas.”

O papel do médico

O risco de interações medicamentosas e efeitos secundários adversos aumenta com cada medicamento adicional que é tomado. Um estudo europeu realizado por Sönnichsen revelou que 97% de todos os doentes em que existia polimedicação (10 medicamentos em média) estudados apresentavam pelo menos um erro na sua medicação.

“Muitas vezes, um sintoma não é reconhecido como efeito secundário do medicamento e, consequentemente, é prescrito um novo remédio para combater esse efeito”, refere Sönnichsen. Esse risco aumenta quando as pessoas são tratadas por médicos diferentes e ninguém mantém uma visão geral de todos os medicamentos prescritos.

Para resolver esta questão, Sönnichsen propõe uma solução simples: “A lista completa dos medicamentos do doente deve ser administrada centralmente pelo médico de clínica geral. Isso permite aos médicos referenciar bases de dados que podem analisar a lista para identificar potenciais interações ou erros de prescrição”.

No projeto internacional, por ele liderado, o especialista desenvolveu uma ferramenta eletrónica de apoio à decisão, para reduzir a polifarmácia. Uma ferramenta que se alimenta de vários bancos de dados farmacológicos e os relaciona com dados individuais do doente (diagnósticos, função renal, etc.).

“A vantagem do computador é que ele pode exibir todas as interações conhecidas, erros de dosagem e intolerâncias individuais, mesmo para muitos medicamentos administrados simultaneamente, em questão de segundos. O importante é que ele seja alimentado com um conjunto completo de dados.”

Evitar a polimedicação

O médico tem um papel importante, mas o doente também, podendo evitar o excesso de medicação desnecessária e perigosa.

Para estes, o conselho é simples: “Quando visitar o médico, fale-lhe sobre todos os medicamentos que toma regularmente, incluindo medicamentos sem receita médica”.

De vez em quando, a lista atual de prescrição deve ser avaliada. Será que um determinado analgésico preventivo é realmente necessário? O agente redutor do colesterol ainda é útil? Mesmo certos medicamentos para a osteoporose não devem ser tomados durante mais de quatro anos, porque deixam de ser eficazes.

A vantagem de uma revisão regular da medicação é óbvia para Sönnichsen: “Quanto menos medicamentos tomar, menor é o risco de possíveis efeitos secundários, aumentando assim a qualidade de vida e poupando dinheiro”.