cancro da mama

Exame simples de sangue para deteção precoce do cancro da mama? Cientistas dizem que está para breve

Por Cancro

É para já um estudo piloto, mas ainda que seja preciso mais trabalho e investigação, um grupo de investigadores acredita que o cancro da mama pode ser detetado, até cinco anos antes da existência de quaisquer sinais clínicos, através de um exame de sangue que identifica a resposta imunitária do organismo perante substâncias produzidas pelas células dos tumores.

Ler Mais

genes envolvidos na dor

Há uma mulher que vive sem dor no mundo e a culpa é de um gene

Por Investigação & Inovação

Como seria viver sem dor, não sentir nada depois de uma cirurgia, de um trauma ou de um acidente? Há pelo menos uma pessoa que sabe a resposta, uma escocesa que, para além de não sentir dor, experimenta ainda pouca ou nenhuma ansiedade e medo.

Foi quando, aos 65 anos, procurou tratamento para a anca que os especialistas começaram a suspeitar que poderia ser diferente dos restantes mortais. Isso e o facto de, ao longo de toda a sua vida, nunca ter precisado de tomar analgésicos após cirurgias, como aquelas que envolveram idas ao dentista.

Apesar de sofrer de uma grave degeneração articular, aparentemente não sentia qualquer dor. Aos 66 anos, foi submetida a uma cirurgia à mão, normalmente muito dolorosa, e ainda assim não relatou dor após a intervenção.

Uma insensibilidade diagnosticada por Devjit Srivastava, consultor em Anestesia num hospital do  serviço nacional de saúde do norte da Escócia e coautor do estudo, agora publicado, sobre este tema, que explica o que é que esta mulher tem.

“Descobrimos que tem um genótipo específico que reduz a atividade de um gene, já considerado um possível alvo para tratamentos da dor e ansiedade”, explica um dos principais investigadores do estudo, James Cox, da London’s Global University (UCL).

“Agora que estamos a descobrir como esse gene recém-identificado funciona, esperamos avançar ainda mais no desenvolvimento de novos alvos de tratamento.”

Caso que pode não ser único

Para além de uma ausência de dor, a mulher escocesa sente ainda pouca ansiedade e medo, e pode ter melhorado a cicatrização de feridas devido à mutação genética, que os investigadores consideram que pode ajudar a orientar novos tratamentos para uma série de problemas.

Encaminhada para os geneticistas da UCL e da Universidade de Oxford, as análises genéticas identificaram duas mutações notáveis, uma das quais num gene bem conhecido pelos especialistas da dor.

Voltando à mulher escocesa, ao longo da sua longa história de cortes e queimaduras (às vezes despercebidas, até ao momento em que sentia o cheiro a carne queimada), havia outra constante: as lesões tendiam a sarar muito rapidamente.

É uma verdadeira otimista, que relata nunca entrar em pânico, mesmo em situações perigosas, como um acidente de trânsito recente. 

Os investigadores dizem ser possível que haja mais pessoas com a mesma mutação, já que esta mulher não tinha consciência da sua condição até os 60 anos.

“Pessoas com insensibilidade rara à dor podem ser valiosas para a investigação médica, à medida que aprendemos como as suas mutações genéticas afetam a forma como a sentem. Por isso, encorajamos qualquer um que não tenha dor a apresentar-se”, refere Cox.

Em busca de novos medicamentos

A equipa de investigação continua a trabalhar com a mulher na Escócia e está a realizar testes adicionais em amostras de células, para entender melhor o novo pseudogene.

“Esperamos que, com o tempo, as nossas descobertas possam contribuir para a investigação clínica da dor e ansiedade pós-operatória e potencialmente da dor crónica, stress pós-traumático e cicatrização de feridas, recorrendo a terapêutica genética”, refere o especialista.

“As implicações dessas descobertas são imensas”, acrescenta Srivastava.

“Um em cada dois doentes ainda sente dor moderada a intensa após cirurgia, apesar de todos os avanços nos medicamentos e técnicas analgésicas desde o uso do éter, em 1846, para primeiro ‘anular’ a dor da cirurgia”, explica.

“As descobertas apontam para uma nova gama de analgésicos que poderia oferecer alívio para a dor pós-cirúrgica e também acelerar a cicatrização de feridas. Esperamos que isso ajude os 330 milhões de pessoas submetidas a cirurgia em todo o mundo por ano.”

mindfulness para a saúde mental

Estudo confirma: mindfulness melhora a saúde mental dos universitários

Por Bem-estar

São vários os estudos que o confirmam e que alertam para o facto de, entre os estudantes universitários, ser maior o risco de problemas de saúde mental. Liderado pela Universidade de Bristol, um novo trabalho sugere o mindfulness como ferramenta para afastar esse risco.

Realizado junto de estudantes de medicina, contou com a participação de 57 jovens aspirantes a médicos, referenciados pelos seus médicos de família.

Ao longo de oito semanas, durante duas horas, os jovens receberam treino de mindfulness, comprometendo-se à prática diária de 30 minutos de atenção plena entre estas sessões.

O treino realizou-se entre o outono de 2011 e a primavera de 2015, e ensinou aos participantes como funciona a mente, como o stress afeta a vida, a consciência dos fatores que desencadeiam e os sintomas do mesmo, assim como técnicas para o enfrentar, práticas de meditação e a importância do autocuidado. 

No final de cada programa, os alunos completaram um inquérito e realizaram seis entrevistas qualitativas, com a duração entre 60 e 90 minutos.

Mindfulness já faz parte de alguns currículos

Findo o treino, os alunos apresentaram melhor empatia e capacidades de comunicação com os seus doentes, através da capacidade recém-adquirida de perceber os seus próprios pensamentos e sentimentos.

Relataram ainda uma melhor capacidade de gerir a sua carga de trabalho e de perceber o raciocínio automático (como o facto de não serem suficientemente bons), sem se identificarem com esses pensamentos.

Para estes alunos de medicina, o mindfulness ajudou a melhorar a sua relação com a aprendizagem através da atenção plena e a recuperar a concentração durante os longos dias de estudo, assim como a dar uma melhor resposta em caso de situações stressantes na prática clínica ou durante os exames.

Ainda que sejam necessários mais estudos sobre o tema, os investigadores concluíram que estas descobertas iniciais sugerem que o mindfulness ajuda a reduzir a ansiedade, a preocupação excessiva, padrões de pensamento negativos e a melhorar a resiliência ao stress. E ainda a melhorar o bem-estar emocional e o desenvolvimento profissional.

Alice Malpass, investigadora na Bristol Medical School e coautora do estudo, considera que “este trabalho mostra como a atenção plena pode ajudar os estudantes que estão com dificuldades, sobretudo os de medicina, a encontrar novas formas de se relacionarem com as dificuldades que surgem no seu trabalho clínico, estudo e bem-estar”.

Na Austrália, Nova Zelândia, Canadá e EUA, o treino em mindfulness faz parte do currículo médico, mas continua por implementar noutros países, entre os quais Portugal, onde têm havido algumas experiências na área da saúde.

médicos prescrevem natureza

Médicos escoceses prescrevem natureza aos seus doentes

Por Bem-estar

Os médicos escoceses podem, desde 5 de outubro, receitar um novo medicamento aos seus doentes: passeios pela natureza. É o primeiro programa do género no Reino Unido e tem como objetivo reduzir a pressão arterial, a ansiedade e aumentar a felicidade das pessoas com diabetes, doença mental, stress ou doenças cardíacas.

O projeto, que resulta de uma parceria entre o Serviço Nacional de Saúde escocês e a Sociedade Real para a Proteção das Aves, transforma as prescrições em sugestões, explicadas em folhetos distribuídos pelos consultórios médicos.

Por exemplo, em fevereiro aconselha os doentes a construir uma manga de vento e apreciar a velocidade do mesmo; em março, fazer arte com materiais recolhidos na praia; mais para a frente, em maio, sugerem “enterrar a cara na relva”; em setembro, ajudar a limpar uma praia; em outubro, olhar para o céu e observar as nuvens e muito mais. E tudo por ordem do médico.

Benefícios comprovados

Há muito que são conhecidos os benefícios da natureza para a saúde mental e física. Passar 90 minutos do dia numa zona com árvores provoca uma redução na atividade na parte do cérebro tipicamente associada à depressão. Mas mais ainda, reduz a pressão arterial e a ansiedade e aumenta a felicidade.

Os japoneses há muito que falam sobre eles, descrevendo mesmos os “banho na floresta”, verdadeiros mergulhos no ambiente verde que proporcionam um equilíbrio entre corpo e mente. 

Testa saber quando é que esta medida se generaliza e quando é que também os médicos portugueses vão poder transformar os passeios pela natureza num medicamento disponível na lista de prescrições.