cérebro de bebés prematuros

Música ajuda a desenvolver o cérebro dos bebés muito prematuros

Por Investigação & Inovação

Qual a melhor forma de ajudar a desenvolver o cérebro dos bebés prematuros, apesar do ambiente stressante e dos cuidados de que necessitam? A resposta é simples, ainda que inusitada e original: música escrita propositadamente para eles.

Em Portugal, dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que, por cá, 8,1% de todos os bebés têm pressa de nascer, fazendo-o antes da 32ª semana de gestação. E confirma também que este número tem vindo a aumentar (era de 7,8% em 2012), tal como acontece na maior parte dos países industrializados.

E apesar dos avanços, que tornam possível aumentar a esperança de vida dos bebés, estes continuam a ter risco elevado de desenvolver distúrbios neuropsicológicos. Foi com isso em mente que investigadores da Universidade de Genebra e do Hospital Universitário de Genebra (HUG), na Suíça, propõem uma solução original.

E os primeiros resultados, publicados na revista Proceedings of National Academy of Sciences, são surpreendentes: imagens médicas confirmam que as redes neurais dos e bebés que ouviram esta música estão a desenvolver-se muito melhor.

Combater as imaturidade do cérebro dos bebés

A Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do HUG recebe, todos os anos, 80 crianças nascidas demasiado cedo – entre as 24 e as 32 semanas de gravidez, ou seja, quase quatro meses antes do previsto para algumas delas.

A grande maioria sobreviverá, mas metade desenvolverá problemas ao nível do neurodesenvolvimento, incluindo dificuldades de aprendizagem ou distúrbios emocionais.

“Ao nascer, os cérebros destes bebés ainda são imaturos. O desenvolvimento do cérebro deve, portanto, continuar na unidade de cuidados intensivos, numa incubadora, sob condições muito diferentes daquelas que teria se ainda estivessem no ventre da mãe”, explica Petra Hüppi, especialista na HUG e uma das responsáveis pelo estudo.

“A imaturidade do cérebro, combinada com um ambiente sensorial perturbador, explica por que as redes neurais não se desenvolvem normalmente”, acrescenta.

Música feita à medida

Os investigadores partiram de uma ideia prática: como os déficites neurais dos bebés prematuros são devidos, pelo menos em parte, a estímulos inesperados e stressantes, bem como à falta de estímulos adaptados à sua condição, o seu ambiente deveria ser enriquecido com a introdução de estímulos agradáveis e estruturantes.

Uma vez que o sistema auditivo funciona desde cedo, a música parece ser um bom candidato. Mas que música pode ajudar a desenvolver o cérebro dos bebés?

“Por sorte, conhecemos o compositor Andreas Vollenweider, que já tinha projetos musicais com populações frágeis e que demonstrou grande interesse em criar músicas adequadas para crianças prematuras”, refere Petra Hüppi.

Lara Lordier, especialista em neurociências, explica que “era importante que os estímulos musicais estivessem relacionados com a condição do bebé. Queríamos estruturar o dia com estímulos agradáveis ​​em momentos certos: uma música para acompanhar o seu despertar, uma música para acompanhar o adormecer e uma música para interagir durante as fases de despertar”.

Andreas Vollenweider experimentou vários tipos de instrumentos e o que gerou mais reações foi a flauta de encantadores de serpentes indiana (punji). “Crianças muito agitadas acalmaram quase instantaneamente, a atenção delas foi atraída pela música!”, refere Lara Lordier.

Seguiu-se a composição, três ambientes sonoros de oito minutos cada, com punjis, harpa e sinos. E os resultados ao nível do cérebro dos bebés motiva os investigadores a prosseguirem o trabalho.

têxteis que libertam medicamentos

Investigadores criam medicamentos em forma de roupa

Por Investigação & Inovação

E se pudéssemos ter têxteis capazes de libertar medicamentos usados ​​para tratar feridas na pele? A ideia parece coisa de ficção, mas está a ser desenvolvida por investigadores suíços.

É na Empa, os laboratórios suíços de Ciência e Tecnologia de Materiais, que está a ser desenvolvido o projeto ‘Self Care Materials’ (materiais para cuidados pessoais), que consiste em fibras de polímero que podem ser equipadas com remédios.

As fibras inteligentes, nas quais são integrados antibióticos ou analgésicos, reconhecem a necessidade de tratamento e doseam os ingredientes ativos com precisão e exatidão.

“Em resposta a um estímulo do corpo, as fibras devem libertar os medicamentos no meio ambiente a um ritmo calculado”, explica René Rossi, coordenador do projeto. Esse estímulo pode ser o valor alterado do pH de uma ferida na pele, o que indica a necessidade de tratar os danos nos tecidos.

“O uso de fibras de autocuidado é concebível para um número enorme de aplicações”, afirma Rossi. E, de acordo com os investigadores, podem contribuir para a qualidade de vida dos doentes e, ao mesmo tempo, aliviar a carga da equipa de saúde.

Do tratamento à prevenção

Há um outro uso possível para este sistema, a prevenção. “As fibras podem atuar como sensores e, por exemplo, medir o nível de açúcar no sangue”, explica Rossi, algo feito sem dor e sem que seja necessária uma amostra de sangue.

A equipa de investigadores está a trabalhar ativamente no projeto e conta com o apoio de colegas de outras instituições, trabalho que vai decorrer até 2020.

Aos investigadores já se juntaram também 20 empresas, que funcionam como os seus parceiros industriais, assim como a associação industrial Swiss Textiles, que se encontra a trabalhar ativamente na iniciativa.