exame permite diagnosticar lesão cerebral

Já é possível diagnosticar uma lesão cerebral só com uma gota de sangue

Por Atualidade, Investigação & Inovação

Cair a descer as escadas, ser atingido na cabeça ou bater com a mesma em qualquer lado pode originar sintomas como vómitos, visão turva ou até perda de consciência. Mas serão estes sinais de uma lesão cerebral traumática leve ou apenas resultado do impacto que, em último caso, deixará apenas um ‘galo’? Um teste de sangue capaz de fazer o diagnóstico é o que promete um grupo de investigadores, que garante a comercialização da novidade já em 2019.

Todos os anos, na Europa, três milhões de pessoas são internadas em hospitais por suspeita de lesão cerebral traumática leve. A esmagadora maioria (90%) regressa a casa sem que nada tenha sido detetado. Mas o único diagnóstico confiável é a tomografia computadorizada, só disponível em alguns hospitais e que, para além de cara, expõe os os doentes a radiação.

Agora, investigadores da Universidade de Genebra (UNIGE), em colaboração com os Hospitais de Barcelona, ​​Madrid e Sevilha, desenvolveram um pequeno dispositivo – Teste Point of Care (POCT) – que analisa o nível de proteínas no sangue e permite, usando uma única gota de sangue, diagnosticar a possibilidade de uma lesão cerebral traumática leve.

Uma descoberta, descrita na revista PLoS One, que não só aliviará as urgências, livrando os doentes de longas esperas, mas também poupará exames médicos dispendiosos.

O segredo está nas proteínas

“Perguntámo-nos se era possível isolar certas proteínas, cuja presença no sangue aumenta em caso de lesão cerebral traumática leve”, explica Jean-Charles Sanchez, professor do Departamento de Medicina Interna e do Centro de Biomarcadores da UNIGE.

“A nossa ideia era encontrar uma forma de fazer um exame rápido, que permitisse, durante uma partida de boxe ou futebol americano, por exemplo, determinar se o atleta pode regressar ao campo ou se a sua condição requer hospitalização, o oposto da tomografia computadorizada, um exame que dura muito tempo e não pode ser feito em qualquer lugar “, acrescenta.

Quando há um impacto na cabeça, algumas células cerebrais são danificadas e libertam as proteínas que têm no seu interior, o que aumenta a sua presença no sangue. Os cientistas da UNIGE e hospitais espanhóis compararam o sangue de doentes internados por traumatismo cranioencefálico leve com o de doentes que se confirmou não terem lesão.

E foram capazes de isolar moléculas que indicam a presença de uma lesão cerebral, capazes de confirmar que não há risco de trauma num terço dos doentes internados.

Mas era preciso mais. Era necessário desenvolver um dispositivo que pudesse ser usado em todos os lugares, de forma rápida e simples, e que pudesse estar disponível em farmácias ou espaços desportivos.

É aqui que entra o POCT, chamado TBIcheck, inspirado no princípio do teste de gravidez: coloca-se uma única gota de sangue num pequeno estojo plástico de cinco centímetros e o doente sabe, em 10 minutos, se há risco de trauma leve.

Em caso de dúvida ao ler o resultado, um pequeno leitor, o Cube Reader, pode ser instalado no TBIcheck. E exibirá a palavra “positivo” ou “negativo”, enviando o resultado para o smartphone do doente ou cuidador via Bluetooth. 

Comercialização arranca em 2019

Os resultados, em forma de teste, já com patente e vencedor do Prix de l’Innovation Academy, em dezembro de 2017, serão comercializados a partir de 2019 pela ABCDx, uma start-up fundada há quatro anos pelos autores do estudo.

“Hoje, nossa investigação revela que os resultados são ainda mais precisos quando combinamos os níveis de duas proteínas”, reforça Jean-Charles Sanchez.

“Estamos atualmente a preparar um TBIcheck ainda mais eficaz, que permitirá que 50% dos doentes sejam enviados para casa, mas que requer um aumento na sensibilidade do teste que recebe o sangue.”