As doenças reumáticas e músculo-esqueléticas contribuem significativamente para a incapacidade e configuram um fardo para os sistemas de saúde na Europa, mas até agora não existia um conjunto de dados harmonizado e específico para ajudar a comparar sistematicamente as diferenças na força de trabalho em reumatologia, nos recursos de saúde e no acesso aos cuidados entre os diferentes países. É isso que o projeto RheumaFacts pretende fazer, ao reunir resultados de 36 países para estabelecer um novo parâmetro de referência.
Esta iniciativa da EULAR, a Liga Europeia contra o Reumatismo, é um estudo iniciado em 2023 por um grupo de trabalho composto por epidemiologistas, representantes de doentes, profissionais de saúde e funcionários da Liga, para recolher dados de sociedades científicas nacionais de reumatologia, bem como informações demográficas e económicas de bases de dados abertas. O objetivo foi gerar evidências robustas e comparáveis para reforçar a defesa dos direitos, orientar o planeamento da força de trabalho e direcionar o investimento no acesso equitativo aos cuidados.
Os primeiros resultados, publicados na revista Annals of Rheumatic Diseases, confirmam a existência de grandes disparidades europeias na densidade da força de trabalho, bem como na disponibilidade de cuidados não farmacológicos e no acesso a tratamentos modernos, como medicamentos antirreumáticos modificadores da doença biológicos e sintéticos direcionados.
O número de reumatologistas a trabalhar em cada país varia muito, com densidades que vão dos 0,8 a 6,6 por cada 100.000 habitantes. Embora o acesso aos medicamentos tradicionais seja quase universal, apenas 34% tinham acesso a todos os biológicos aprovados, enquanto 51% tinham acesso a todas as opções sintéticas direcionadas.
O reembolso dos cuidados não farmacológicos crónicos é também limitado, com apenas 72% a cobrir a fisioterapia e apenas 39% a oferecer apoio psicológico, disponível em apenas 14 dos países incluídos.
“O RheumaFacts estabelece o primeiro parâmetro europeu para os cuidados reumatológicos, revelando desigualdades substanciais na capacidade da força de trabalho, nos cuidados multidisciplinares e no acesso a tratamentos em toda a Europa, além de fornecer as evidências necessárias para orientar as políticas e ações de defesa”, afirma Anna Moltó, primeira autora do artigo e reumatologista do Hospital Bichat, em Paris, França.
“Esta primeira edição é apenas o ponto de partida. A nossa ambição é construir um observatório a longo prazo que nos permita não só monitorizar estas desigualdades, mas também medir o progresso e apoiar ações que melhorem a vida das pessoas que vivem com doenças reumáticas e músculo-esqueléticas.”
Estas descobertas permitirão a monitorização das desigualdades e do progresso nos cuidados reumatológicos ao longo do tempo, possibilitando à EULAR e às sociedades nacionais acompanhar o progresso e informar os decisores políticos de saúde – melhorando, em última análise, a qualidade de vida das pessoas com doenças reumáticas e músculo-esqueléticas.
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