Skip to main content Scroll Top

Exposição ao açúcar no início da vida associada à ansiedade na idade adulta

consumo de açúcar e ansiedade

Um novo estudo da Universidade de Surrey, em Inglaterra, revela que a exposição ao açúcar nos primeiros mil dias de vida da criança aumenta o risco de desenvolver ansiedade na idade adulta. Os cientistas descobriram também que a ingestão nesta fase da vida pode ter impacto no desenvolvimento cerebral, tendo sido identificadas diferenças significativas em 11 das 80 regiões do cérebro analisadas.

Neste estudo inédito, os cientistas de Surrey investigaram como a exposição ao açúcar no início da vida influencia a saúde mental, os hábitos alimentares e o neurodesenvolvimento da pessoa na idade adulta. Verificou-se que o risco de desenvolver ansiedade foi menor naqueles que não foram expostos a quantidades significativas de açúcar no útero e durante os dois primeiros anos de vida.

Hana Navratilova, que liderou o estudo, confirma que esta “investigação demonstrou que a exposição ao açúcar durante os primeiros mil dias de vida pode influenciar o risco de sofrer de várias doenças crónicas, como a diabetes. Como observámos em trabalhos anteriores uma associação entre o gosto por alimentos açucarados e os problemas de saúde mental, estávamos particularmente interessados ​​em perceber se o consumo de açúcar no início da vida poderia contribuir para o aparecimento de problemas de saúde mental, como a depressão e a ansiedade, mais tarde na vida”.

“Conhecer o impacto total que o açúcar pode ter na nossa saúde física e mental, ao longo da vida, pode ajudar a orientar as políticas de saúde pública e a reformular as nossas dietas.”

Para obter mais informações, a equipa analisou os dados médicos de mais de 45.000 participantes no Reino Unido, nascidos entre 1951 e 1956, período em que o racionamento de açúcar do pós-guerra ainda estava em vigor, até à sua abolição gradual. Os participantes foram depois divididos em grupos: os que sofreram racionamento de açúcar no útero e até aos seis, 12, 18 e 24 meses de idade, e os que sofreram racionamento apenas no útero. Um grupo de controlo com participantes de idade semelhante, nascidos quando não havia racionamento no Reino Unido, e um outro grupo de crianças nascidas na Irlanda também foram analisados.

Navratilova descobriu que as mulheres, em particular, que não sofreram racionamento ou que o sofreram durante um período limitado, tinham maior probabilidade de desenvolver ansiedade.

Foi também identificada uma associação entre a exposição precoce ao açúcar e a depressão, mas a sua significância diminuiu após o ajuste estatístico, sugerindo que esta condição pode ser influenciada pela dieta na vida adulta.

Impacto do açúcar nas escolhas

Como parte do estudo, os cientistas também examinaram dados de neuroimagiologia em conjunto com a exposição ao racionamento, que mostrram que as 139 regiões cerebrais analisadas apresentaram diferenças significativas no volume da substância cinzenta entre os diferentes grupos submetidos a um racionamento. Análises adicionais revelaram diferenças significativas em 11 das 80 regiões cerebrais entre a maioria dos grupos submetidos a racionamento e aqueles que nunca foram submetidos (por exemplo, regiões do cerebelo).

Verificou-se também que aqueles que não foram expostos ao açúcar no útero e até aos 24 meses de idade referiram menor preferência por alimentos doces na idade adulta. Os cientistas descobriram algumas diferenças nas preferências por alimentos doces entre os grupos submetidos a racionamento e aqueles que nunca o experienciaram, indicando que a exposição ao açúcar pode levar a possíveis influências alimentares a longo prazo.

“O que descobrimos é que o racionamento de açúcar no início da vida está ligado à redução da preferência por doces e a um menor risco de ansiedade. Apesar do aumento do consumo de açúcar após o racionamento entre os participantes, os ambientes nutricionais iniciais parecem ter uma relevância duradoura para a saúde mental”, reforça Nophar Geifman, professor de Saúde e Informática Biomédica na Universidade de Surrey e autor sénior do estudo.

Crédito imagem: Unsplash

Posts relacionados