A associação CO.ES.O. – Consultórios de Especialistas de Oftalmologia já tinha sido introduzida aos portugueses. Agora, o 62º Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), que decorre nos próximos dias 5 a 7 de dezembro, vai ser palco da apresentação formal deste projeto, que quer ajudar a resolver o drama das listas de espera, preparando-se para entrar em funcionamento a partir de 1 de janeiro de 2020, com uma ‘App’ e uma linha telefónica gratuita.

Com o objetivo de dar resposta, por um lado, aos problemas que afetam a classe dos médicos oftalmologistas e, por outro, ao problema das listas de espera em oftalmologia, a CO.ES.O pretende, segundo Fernando Falcão Reis, Presidente da SPO, “explicar a toda a população que quem trata dos olhos são os médicos oftalmologistas e não os técnicos de optometria, os autointitulados especialistas de visão que pululam pelo País”.

Por isso, avança, “a CO.ES.O., através de uma plataforma digital vai disponibilizar um diretório de médicos oftalmologistas”. E pretende ainda “desenvolver uma estrutura nacional que agregue o maior número de médicos para que possa constituir-se como uma interlocutora de peso junto às seguradoras e subsistemas de saúde. O objetivo é estancar a redução progressiva das remunerações que os oftalmologistas têm vindo a assistir nos últimos anos e que é transversal a todas entidades e subsistemas”.

Numa segunda vertente, refere a mesma fonte, “a CO.ES.O pretende contribuir para dar resposta ao problema da falta de acessibilidade a consultas de oftalmologia fora e dentro do universo do Serviço Nacional de Saúde”, criando “condições que possam levar à formação de uma rede de consultórios de oftalmologia de âmbito nacional. Para tal contamos com a adesão dos numerosos consultórios, já existentes, espalhados pelo território de norte a sul”.

Reduzir as listas de espera no SNS

Existem em Portugal mais de 1.000 oftalmologistas, o que dá um ratio aproximado de um médico por 10.000 habitantes. Número que coloca Portugal entre os países da Europa com mais oftalmologistas, bem acima do rácio recomendado pela Organização Mundial de Saúde de um por 15.000 habitantes. As listas de espera não resultam, por conseguinte, da falta de médicos.

A distribuição de consultórios pelos pequenos centros urbanos é uma das principais potencialidades da CO.ES.O. “A rede, para além de contar com os consultórios existentes, tem um plano de ação para incentivar a abertura de consultórios por parte dos médicos mais jovens”.

Por isso, está contemplado o apoio ao estabelecimento de novos consultórios “dentro de um conceito de partilha de recursos”. E, num futuro que se espera próximo, contemplará o próprio investimento financeiro.

“Os grandes grupos hospitalares não estão interessados em investir em meios pequenos e o ministério da saúde não tem recursos humanos ou financeiros para o fazer mas a COESO pode intervir positivamente, sem abdicar de critérios de razoabilidade económica, melhorando significativamente a acessibilidade das populações que vivem em locais mais afastados dos grandes centros urbanos.”

E, aprofunda Fernando Falcão Reis, ainda na vertente de melhoria dos cuidados de saúde em Portugal, “a CO.ES.O ambiciona poder oferecer uma solução para o problema das listas de espera em oftalmologia nos hospitais públicos.  Serão feitos todos os esforços no sentido de chegar a um acordo com o SNS de modo a garantir uma consulta de proximidade a toda a população portuguesa”.

Simplificar a marcação de consultas

A partir de 1 de janeiro próximo, a SPO informa que quem pretender utilizar a CO.ES.O. o pode fazer. “As pessoas interessadas em marcar uma consulta de oftalmologia pela CO.ES.O. devem descarregar a aplicação CO.ES.O. na App Store ou no Google Play. Na App, o interessado encontra o médico pelo nome ou por geolocalização. Se for este o caso a App identifica os médicos com consultórios mais próximos da localização onde é feito o pedido”.

Quanto ao contacto, este será feito por uma linha gratuita (800 300 350), com o help desk a registar o pedido, procedendo-se à marcação na agenda eletrónica do médico. O doente é avisado, por telefone ou por email, do local, dia e hora da consulta.