Qual a melhor forma de identificar pessoas com maior risco de distúrbios comuns e devastadores do ritmo cardíaco, como a fibrilhação auricular? Atualmente, há ferramentas que o permitem, revela a Sociedade Europeia de Cardiologia. É preciso é saber usá-las.

O tema é de grande importância e urgente para a saúde pública, uma vez que, de acordo com os dados disponíveis, um em cada quatro adultos de meia-idade na Europa e nos EUA desenvolverá fibrilhação auricular, a arritmia cardíaca mais comum e uma das principais causas de AVC.

Estima-se mesmo que, até 2030, cerca de 14 a 17 milhões de pessoas serão diagnosticadas com fibrilhação auricular na União Europeia, com 120.000 215.000 novos diagnósticos por ano.

“A avaliação precisa dos riscos possibilita o diagnóstico e a intervenção precoces – com mudanças no estilo de vida ou medicamentos – que podem ser preventivos”, afirma o principal autor do novo estudo, Jens Cosedis Nielsen, especialista do Hospital Universitário Aarhus, na Dinamarca.

“Para obter a resposta correta na avaliação de riscos, precisamos de usar as ferramentas que foram comprovadas para prever com precisão a condição ou resultado.”

Por exemplo, sabemos que a probabilidade de desenvolver fibrilhação auricular aumenta com a idade, pressão alta, obesidade, diabetes e enfarte prévio. A modificação do comportamento, como a redução da ingestão de álcool e a perda de peso, pode impedir a fibrilhação auricular ou retardar o seu aparecimento.

Em doentes com esta arritmia, a possibilidade de ABC aumenta com a idade, insuficiência cardíaca, pressão alta, diabetes e a investigação mostra que os medicamentos anticoagulantes reduzem drasticamente o risco de AVC nas pessoas que apresentam uma combinação desses fatores.

“O AVC é uma das piores coisas que pode acontecer, e cerca de um quarto ocorre em doentes com fibrilhação auricular”, refere Nielsen. “AVC devido à fibrilhação auricular são mais incapacitantes do que aqueles que apresentam outras causas. Com uma boa avaliação de risco, podemos evitar AVC desnecessários.”

Wearables e fibrilhação

O documento dedica uma secção às tecnologias vestíveis, como smartwatches, um mercado que deverá crescer para 929 milhões de dispositivos conectados até ao próximo ano. E há evidências de que estes dispositivos podem ajudar a detetar fibrilhação auricular, ainda que a sua precisão varie.

“Há um problema com muitos falsos positivos, nos quais o dispositivo alega que uma pessoa tem fibrilhação auricular, mas não tem”, explica o especialista.

E apesar de considerar que “os wearables podem ser muito valiosos no futuro, no momento não têm um lugar definido na avaliação de riscos”.