As vacinas salvam vidas. Mas para quem vive com artrite reumatóide, esta proteção assume contornos ainda mais essenciais. “Estamos a falar de pessoas que tomam medicamentos diferentes e que, no seu conjunto, podem ter alterações do sistema imunitário”, explica o professor Luís Graça, professor de Imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, um dos oradores da conferência ‘Vacinas: Desafios e Estratégias Atuais’, integrada no Ciclo de Conferências, promovida pela Associação Nacional de Doentes com Artrite Reumatoide (A.N.D.A.R.), que terá lugar a 29 de janeiro, entre as 14h00 e as 17h00, no Hotel ALTIS, em Lisboa. Estas alterações não são um mero detalhe técnico, reforça o especialista, que alerta que tornam estes doentes significativamente mais vulneráveis a infeções graves, transformando a vacinação numa verdadeira linha de defesa.
Mais do que prevenir doenças, as vacinas representam um pilar essencial de literacia em saúde: evitam internamentos desnecessários, reduzem a sobrecarga nos serviços de saúde e devolvem qualidade de vida a quem mais precisa. O desafio? “As vacinas convencionais podem ser menos eficazes em pessoas imunocomprometidas, pelo que a inovação científica e novas plataformas vacinais, mais potentes, mais seguras e mais adaptadas, estão a ser desenvolvidas especificamente para estas populações vulneráveis.”
A professora Paula Pinto, pneumologista e Diretora do Serviço de Pneumologia da ULS Santa Maria, outra das oradoras, vai reforçar a importância da vacinação em doentes imunocomprometidos e com comorbilidades, destacando várias vacinas essenciais. Além da vacina da gripe e da COVID-19, já estabelecidas e comparticipadas, chama a atenção para a vacina contra o vírus sincicial respiratório, que protege contra infeções respiratórias graves e sequelas debilitantes, sobretudo nas pessoas com mais de 60 anos e com doenças crónicas, assim como a vacina do herpes-zoster, que previne a Zona, e ainda a vacina contra a pneumonia.
“Não podemos esquecer que, atualmente, está bem estabelecido que as infeções, nomeadamente as pneumonias, se associam a estados inflamatórios sistémicos. Essa inflamação pode promover a lesão de órgãos vitais, em particular do coração, levando a enfartes, do cérebro, causando acidentes vasculares cerebrais (AVC), bem como induzir estados de hipercoagulabilidade, com risco acrescido de tromboembolismo, incluindo embolia pulmonar. É, aliás, cada vez mais frequente observar doentes que, apesar de apresentarem melhoria da infeção viral, acabam por desenvolver, na sequência da doença, eventos como AVC ou enfarte”, acrescenta.
O importante é: “Ensinar a população que estas armas de defesa existem e que são fundamentais para a prevenção e proteção da nossa saúde. Costuma dizer-se que é melhor prevenir do que remediar – sobretudo porque, por vezes, não há remédio e podem ficar sequelas graves ou ocorrer a morte. Quanto à alegada ineficácia das vacinas apontada por alguns, é importante esclarecer: as vacinas não impedem totalmente a infeção, porque vivemos expostos aos microrganismos, mas evitam que a doença evolua para formas graves. As vacinas são como um guarda-chuva: se o usarmos podemos apanhar apenas algumas gotas de água, mas não ficamos encharcados, que é o equivalente a poder evoluir para uma infeção grave, sequelas ou mesmo a morte”.
Outro ponto em destaque no encontro será a necessidade de um calendário vacinal ao longo de todo o ciclo de vida – um verdadeiro boletim de vacinas com recomendações para cada fase. Para além da idade, importa ainda considerar as comorbilidades, que obrigam a uma adaptação individual do calendário. Por exemplo, uma pessoa de 50 anos com artrite reumatoide não deve aguardar até aos 65 anos para ser vacinada contra a gripe.
É sobre este presente e futuro da imunização que vai incidir o encontro, um espaço de reflexão, partilha e esperança para todos os que vivem com doenças reumáticas inflamatórias.
Mais informações e inscrições no site da A.N.D.A.R: https://andar-reuma.org/
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